Japão lembra a Portugal que há um Tratado de Paz, Amizade e Comércio assinado há 150 anos

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JapãoO embaixador japonês defendeu a importância de “reanimar” o significado do Tratado de 1860, que constitui a base das relações bilaterais entre o Japão e Portugal, um relacionamento histórico que está a ser “um pouco esquecido por Lisboa”.

 O embaixador extraordinário do Japão em Portugal, Akira Miwa, disse em entrevista à agência Lusa que o Tratado de Paz, Amizade e Comércio entre Portugal e o Japão foi “perdendo o seu significado ao longo dos anos”.
 Para inverter esta situação, Akira Miwa salientou a importância de lembrar “o que esse documento significou para as relações entre os dois países”.
 “O tratado em si não tem que ser relançado, mas o seu significado tem de ser reanimado para que possamos intensificar ainda mais as nossas relações”, defendeu o diplomata nipónico, que falou à Lusa por ocasião das comemorações do 150º. aniversário do documento.

 Apesar de, em pleno século XXI, ser necessário “pensar nas necessidades de hoje e de amanhã”, a base para o relacionamento bilateral deve continuar a ser “esse tratado e a relação histórica especial que há muito tempo existe entre Portugal e o Japão”, sustentou.
 O tratado, que estabelece formalmente as relações diplomáticas entre os dois países, foi assinado a 3 de agosto de 1860 e ainda hoje é base do relacionamento bilateral entre Lisboa e Tóquio.
 Akira Miwa destacou que o relacionamento entre o Japão e Portugal é “bem diferente e especial do que com outros países europeus”, graças à “importância do intercâmbio” entre as duas partes no século XVI, que “foi de benefício mútuo”.

 O embaixador nipónico explicou que no seu país ainda “há bastante conhecimento sobre o relacionamento histórico” entre o Japão e Portugal, sobretudo no século XVI, já que essa relação “teve um impacto grande na sociedade japonesa”.
 “É uma memória bem nítida no Japão, mas receio que esteja a ser um pouco esquecida aqui em Lisboa”, lamentou Akira Miwa.
 Por outro lado, o embaixador japonês, que falou à Lusa em Português, disse que a língua portuguesa “ainda hoje é uma língua bem conhecida e viva em algumas regiões do Japão”.

 Esta situação pode ser explicada pelas “relações especiais” que o Japão mantém com Portugal e com o Brasil, destacou Akira Miwa, lembrando que no seu país existe “uma grande comunidade brasileira que fala português”, bem como “jornais, programas de televisão e escolas”.
 As comemorações do 150º. aniversário do Tratado de Paz, Amizade e Comércio entre Portugal e o Japão estão a decorrer desde o início do ano com inúmeras iniciativas promovidas em várias localidades portuguesas pela Embaixada do Japão.

* Tóquio quer intensificar investimentos em África

 O Japão pretende intensificar os seus investimentos em países africanos como Angola, África do Sul ou Moçambique, como parte da estratégia para relançar a economia nacional, disse à Lusa o embaixador japonês em Portugal.
 No segundo trimestre de 2010, o Produto Interno Bruto japonês abrandou, sobretudo devido à quebra nas exportações e à estagnação do consumo interno. Desde a década de 1990, a economia nipónica tem passado por períodos de recessão e crescimento tímido.

 “Queremos intensificar a nossa actividade económica nesses países africanos através da cooperação tecnológica e de investimentos, e, se for possível, fazer isto juntamente com os portugueses e brasileiros”, adiantou o embaixador extraordinário do Japão em Portugal, Akira Miwa.
 Em entrevista à agência Lusa, o diplomata destacou a importância que o continente africano pode ter para o relançamento da economia nipónica, que pela primeira vez foi ultrapassada pela chinesa como a segunda maior do planeta.
 “A economia japonesa precisa que o Japão mantenha a sua actividade económica no país, mas também precisa de importar recursos naturais: o continente africano é um dos lugares mais ricos no mundo em termos de recursos”, explicou Akira Miwa.

 Além de intensificar a aposta em África, onde a vizinha China já investe há muito tempo, o embaixador japonês em Portugal explicou que o Japão deve também “aproveitar as grandes oportunidades” que existem na própria zona geográfica em que o seu país está inserido.
 Esta “localização geográfica está a ajudar o Japão agora: o este Asiático é a região onde se verifica a maior transformação em termos de desenvolvimento económico. Isso traz-nos grandes oportunidades, mas é também um grande desafio, que não é fácil, mas que o Japão vai enfrentar”, afirmou.

 Akira Miwa considerou ser “natural” que a China acabas-se por ultrapassar o Japão na lista das maiores economias mundiais. E lembrou que a economia japonesa “até está a ser beneficiada com a alta taxa de crescimento da economia chinesa”.
 “A China é um país imenso em termos de território e população. Com o desenvolvimento económico chinês nos anos recentes é natural que a economia chinesa ultrapassasse a economia japonesa, não é surpresa, e não é algo que nos preocupe”, garantiu.

 O diplomata lembrou que o mundo inteiro está a atravessar uma crise económica e que o Japão “não é excepção”, mas admitiu que, quando comparado com o desenvolvimento que o país teve no passado e também com o crescimento dos vizinhos Coreia do Sul, China e também da Índia – o “desempenho da economia japonesa é muito reduzido”.

 “Na década de 1990 a nossa economia entrou em recessão. E uma vez entrando é difícil sair. Nos últimos anos, cada governo tem vindo a fazer esforços para sair da recessão, mas ainda não deu certo”, referiu.