Jantar de angariação de fundos para o Lar de Nossa Senhora de Fátima em Benoni

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Jantar de angariação de fundos para o Lar de Nossa Senhora de Fátima em Benoni

Decorreu no sábado, 9 de Setembro, no salão paroquial da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Brentwood Park, Benoni, o jantar anual de angariação de fundos para o Lar da Terceira Idade com o mesmo nome. Participaram no evento 560 pessoas, que contribuíram com bilhetes de entrada para o jantar dançante daquele serão.

 O salão paroquial esteve repleto de convidados. O Padre Malcolm McLaren, pároco da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, deu as boas vindas a todos. “Boa noite a todos, é um privilégio dar as boas-vindas a todos vós. Não só como o sacerdote encarregue desta Igreja, mas em nome de todos os voluntários que trabalharam para tornar esta noite possível e em nome dos residentes do Lar.”

 “Esta noite, é muito mais do que apenas a comida, a música e a dança. É mais uma janela que é montra do coração e da alma desta Comu-nidade, que toma conta dos seus em condições menos afortunadas e em condições desfavoráveis. A estas senhoras, que outrora foram o pilar de força da Comunidade nas suas famílias e trabalhos, di-go-lhes que a Comunidade não se esqueceu nem vos abandonou. Estas quase 600 pessoas, não vos abando-naram”, declarou o sacerdote.

  “Quero expressar a minha gratidão para com aqueles que fazem com que o Lar seja um sucesso diário, quem cuida das residentes, quem administra o Lar, quem se ocupa e preocupa com a instituição. Aos doadores e beneméritos, que dão tempo e recursos para assegurar o bom funcionamento do Lar, a eles todos, obrigado.”

 “Esta noite é uma oportunidade de partilharmos a nos-sa cultura, mas também de aprendermos uns com os outros, convivermos e passarmos um bom tempo. Espero que este serão sirva para dizer obrigado a todos por tudo o que fizeram, fazem e ainda farão.

 Quero também agradecer a presença do cônsul-geral de Portugal, o que mostra que Portugal não se esquece dos seus, estejam onde estiverem e em que condições estiverem.”

 Fez depois uma oração de Acção de Graças e abençoou a refeição e o serão.

 A sopa foi então servida. O caldo-verde estava preparado na perfeição, com o caldo fluido e a couve muito bem cortada e escaldada, cada prato com duas rodelas de chouriço e mini pães portugueses.

 Findo e levantado o primeiro prato, foram chamadas, uma a uma, as várias mesas para que se fossem servir do buffet. Este, consistia de pratos típicos portugueses como feijoada, bacalhau à Gomes Sá, carne estufada, língua de vaca estufada, frango assado na brasa, arroz branco, batata assada, grão-de-bico, salada de massa, feijão verde, couve flor, brócolos, salada verde e beterraba.

 Cada prato, preparado na perfeição, temperados e confeccionados com esmero das várias senhoras que prepa-raram e serviram o repasto. Sob a chefia da dona Angelina Longueira, estiveram Ana Conceição, Maria José João, Maria de Freitas, Noémia da Conceição, Lurdes Sequeira e Fernanda Teixeira.

 Enquanto a refeição estava a ser degustada, actuou o Duo “Estrelas da Madeira”. Estes, que estiveram em palco em vários momentos da noite, contribuíram com muita animação musical, à qual as centenas de pessoas dançaram.

 No intervalo da actuação mu-sical, falou o Sérgio Oliveira, presidente da Comissão do Lar. No seu discurso Oliveira agradeceu o apoio e a presença dos quase 600 convidados, agradeceu o continuado apoio ao longo dos muitos anos de existência do Lar e o carinho que é dado às residentes. Referiu que as 29 residentes são cuidadas por 20 colaboradores e pelo grupo de administração, liderado por Guida Vieira e pelas quatro freiras franciscanas, lideradas pela Irmã Ana Maria, desde a abertura do Lar.

 Referiu que o Lar não recebe qualquer ajuda da Segurança Social do Estado sul-africano e que apesar de tentarem mensalmente gerir o lar sem perdas financeiras, dependem de eventos de angariação de fundos e donativos para manter a casa.

 Agradeceu à comissão organizadora do jantar e pediu ao cônsul-geral de Portugal em Joanesburgo, para dirigir algumas palavras aos presentes.

 “Boa noite a todos”, começou por afirmar o diplomata. “É para mim um grande orgulho estar presente num evento deste significado, com uma sala tão cheia.”

 Em inglês, Francisco-Xavier de Meireles, para se fazer en-tender a quem não fala português, afirmou estar muito orgulhoso de estar presente na noite e do contributo diário que os portugueses fazem para a África do Sul.

 “Estamos aqui desde 1488, muito antes da África do Sul ser a África do Sul. Tenho particular orgulho da forma como esta Comunidade cuida dos seus idosos e membros mais fragilizados. É tocante, para um representante do Estado português, entrar em contacto com todos os bons trabalhos e projectos que se fazem nesta Comunidade.”

 “Gostaria de acrescentar, que as pessoas têm, acho eu, uma má interpretação do que significa e da importância de saber falar português. É uma ferramenta de trabalho, negócios e comunicação vital nesta região de África e no Mundo. Falar Português, é um investimento no futuro e por isso, apelo a todos, falem a língua, mesmo que os vossos filhos ou netos não compreendam, que oiçam os sons e se familiarizem com a língua.”

 Por isso, o cônsul contou uma lenda da Grécia antiga, que está na base de um ditado português.

 “Havia uma tradição numa zona da Grécia, onde os filhos levavam os pais, com um burro e uma manta, até ao cimo de um monte e lá, quando a altura chegava, os deixavam para morrerem em paz e longe da aldeia. Um dia, um filho estava muito triste e chorava muito porque ia deixar o pai no cimo do tal monte, o pai olhou para ele e disse “Filho és, pai serás, conforme fizeres assim acharás”. E o filho trouxe o pai de volta a casa.

 Assim, digo-vos continuem o bom trabalho, que irá beneficiar-vos no futuro.

 Reitero que o Consulado-Geral está ao vosso dispor, usem e abusem dele, estamos cá para vos ajudar e por vós. Boa noite e muito obrigado”, concluiu o cônsul-geral.

 A noite, prosseguiu até de madrugada com música e dança, liderada pelos Estrelas da Madeira.

 À margem da festa, o Século de Joanesburgo falou com Margarida Vieira, directora do Lar de Nossa Senhora de Fátima. “Estou muito, muito feliz com a noite. Tivémos uma participação fantástica e a festa está mesmo muito bonita ao som dos Estrelas da Madeira. A comida esteve óptima e o ambiente foi aquele familiar e tipicamente português. Foi uma noite muito, muito boa”, declarou-nos a directora do Lar.

 Acrescentou que toda a carne, vegetais e as bebidas foram todas doadas.

 Informou-nos que no presente têm “29 residentes, todas senhoras. Todas pagam uma mensalidade e com isso, com as “rendas” vá, conseguimos fazer face às despesas mensais. Só que não chega para tudo.”

 Inquirida se os fundos angariados naquela noite dariam para suprir os gastos anuais do Lar, respondeu-nos “Não, não de todo. Há muito para fazer, precisamos de remodelar a cozinha, torná-la numa cozinha quase industrial, além do refeitório e a sala de estar. Serão obras que nos irão custar mais do que 300 mil randes.”

 Sobre os apoios clínicos, Margarida Vieira contou-nos que “temos uma enfermeira a tempo inteiro e temos um médico, em regime de voluntariado, que se desloca ao Lar sempre que necessário. Empregamos 23 pessoas a tempo inteiro.”

 Mais nos informou que os terrenos tanto da Igreja como do Lar, pertencem à Diocese de Joanesburgo.