Jacob Zuma garante em Maputo o fim das deportações forçadas

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Jacob Zuma garante em Maputo o fim das deportações forçadas

O presidente sul-africano, Jacob Zuma, garantiu em Maputo o fim das deportações forçadas, quer de moçambicanos quer de cidadãos de outros países, e garantiu que as autoridades estão atentas para “evitar a ocorrência de novos focos de violência”.

 “De um modo geral os sul-africanos não são xenófobos: sabem que, durante muitas décadas, nós vivemos e trabalhámos juntos com o povo de Moçambique, Maláwi e Zimbabwé, contra o regime de segregação racial”, disse, num jantar que lhe foi oferecido pelo presidente moçambicano, Filipe Nyusi, quarta-feira, no final do primeiro de dois dias de uma visita de Estado a Moçambique.

 Nyusi apelou à responsabilização dos autores da onda de violência contra estrangeiros ocorrida em Abril nas áreas de Durban e Joanesburgo. “O povo moçambicano aguarda, com muito interesse, o resultado das investigações que as autoridades sul-africanas estão a realizar”, afirmou, citado pela agência AIM.

 A promessa de acabar com as deportações foi, segundo a agência moçambicana, feita por Zuma num encontro com Nyusi, no qual pediu desculpas pela violência xenófoba. E repetida, de acordo com a AFP, pela ministra dos Negócios Estrangeiros, Maite Nkoana-Mashabane, num encontro com a imprensa em que também participou o homólogo moçambicano, Oldemiro Balói.  “Não haverá mais repatriamentos forçados de moçambicanos ou de qualquer outro cidadão estrangeiro.”

 O Presidente sul-africano, Jacob Zuma, pediu desculpa ao homólogo moçambicano pela crise de violência xenófoba na África do Sul, durante um encontro, em Maputo, entre delegações de alto nível dos dois países

 "É importante para nós apresentar desculpas em nome da minoria que se comportou mal", declarou Zuma, após uma reunião a sós entre os dois estadistas, na Presidência moçambicana, e durante um encontro alargado a membros dos dois governos.

 "Os moçambicanos são nossos irmãos, nossas irmãs, é um problema de família", declarou o presidente sul-africano.

 Na semana anterior, cerca de mil moçambicanos em situação ilegal tinham sido detidos numa operação policial na região de Joanesburgo e imediatamente deportados.

 Oldemiro Balói, que há dias admitira o momento “menos bom” da visita de Zuma, disse que foi dada “uma explicação sobre o que aconteceu e o que está sendo feito para prevenir futuras ocorrências”. “Constatou-se que há necessidade de haver maior comunicação entre nós, de modo a que estes processos decorram com a menor perturbação possível.”

 Na África do Sul vivem, se-gundo a diplomacia de Maputo, mais de dois milhões de moçambicanos.

  A África do Sul é um importante parceiro comercial de Moçambique e um dos maiores investidores estrangeiros. No jantar de quarta-feira, Nyusi disse que há espaço para o reforço desse investimento. “Moçambique possui terra arável, recursos hídricos e energéticos em abundância. O potencial hidroeléctrico, carvão e gás natural e energias renováveis permitemnos garantir a segurança energética para os dois países.”

 O presidente moçambicano referiu-se ainda à situação interna no seu país, assegurando que "está em paz", num momento em que a oposição da Renamo deu um ultimato de 60 dias ao Governo para criar autarquias provinciais em seis regiões, sob pena de tomar o poder pela força nes-tes locais.

 "Para a consolidação da paz e aprofundamento da democracia, temos vindo a estabelecer o diálogo, abrangente, de forma pública ou dirigida com várias organizações da sociedade civil, representantes das confissões religiosas e partidos políticos, incluindo a Renamo", declarou.

 Além de membros dos dois governos, o banquete oferecido a Zuma reuniu os titulares das principais instituições moçambicanas e também os ex-presidentes Joaquim Chissa-no e Armando Guebuza.

 Dos encontros bilaterais de alto nível em Maputo, saiu a garantia de que as autoridades dos dois países vão melhorar a comunicação sobre repatriamentos, um dos poucos acordos palpáveis numa visita de Estado que se destinou a baixar a tensão entre as diplomacias e opiniões públicas dos dois países.

 Zuma expôs longamente, no discurso que se seguiu a Nyusi durante o banquete, as medidas que o seu Governo pôs em prática durante e após a crise de violência xenófoba, repetindo várias vezes que tudo fará para que "não volte a acontecer".

Zuma esteve em Angola

O Chefe de Estado da África do Sul, Jacob Zuma, deixou, na noite de segunda-feira, Luanda, onde participou, como convidado, na Cimeira Extraordinária dos Chefes de Estado e de Governo da Conferência Internacional para a Região dos Grandes Lagos (CIRGL).

 A apresentar cumprimentos de despedida ao estadista sul-africano estiveram, no  Ae-roporto Internacional de Luanda, entre outras individualidades, o ministro da Administração do Território, Bornito de Sousa, a vice-governadora de Luanda, Jovelina Imperial e o director para África e Médio Oriente do Ministério das Relações Exteriores, Joaquim do Espírito Santo.

 Em Luanda, paralelamente à Cimeira, Jacob Zuma manteve um encontro privado com o seu homólogo angolano, José Eduardo dos Santos, com quem abordou assuntos de interesse bilateral, no quadro do reforço das relações existentes entre Angola e a África do Sul.

 A Cimeira aprovou um comunicado final, em que os líderes dos estados membros da CIRGL condenam a recente tentativa de golpe de Estado no Burundi, por constituir uma grave violação ao pacto da conferência relativo à segurança, estabilidade e ao desenvolvimento da região, ao Acto Constituinte da União Africana e a sua Carta.

 A CIRGL foi criada após os conflitos políticos que marcaram a região dos Grandes Lagos, em 1994. Fazem parte da organização, Angola, Burundi, RCA, Congo, RDC, Quénia, Uganda, Ruanda, Sudão, Sudão do Sul, Tanzânia e Zâmbia.