Investimentos do Fundo Soberano de Angola atinge cerca de cinco biliões de dólares

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 O Fundo Soberano de Angola (FSDEA) mantém actualmente uma carteira de investimentos internacionalmente diversificada no valor líquido de quatro biliões e 700 milhões de dólares americanos, anunciou o seu presidente do Conselho de Administração. 

 Falando por ocasião do quinto aniversário da criação do FSDEA, Filomeno dos Santos disse acreditar que o investimento do Fundo “desempenhara um papel fundamental de apoio ao avanço estratégico do país”.

 “Porque se está a viver uma nova era na história do país”, destacou, “o Conselho de Administração do Fundo explora continuamente os meios mais eficazes para aumentar a contribuição do Fundo para o desenvolvimento de Angola”, disse o gestor responsável do fundo, citado pela Panapress. 

 Segundo a fonte, os investimentos em causa abarcam alocações a fundos de capital de risco, activos de renda fixa, activos de renda variável, derivados financeiros e moedas. 

 De acordo com a instituição, a alocação aos fundos de capital de risco, correspondente a 58 porcento da carteira de investimento, visa o investimento directo em Angola e noutros países da África Sub-sariana, nomeadamente em infraestruturas, hotelaria, silvicultura e mineração, entre outros domínios.

 Do fundo de infraestrutura, estão investidos 19 porcento de cerca de um bilião e 100 milhões de dólares americanos em projectos localizados em Angola e em toda a região da África Subsariana focados nos domínios da energia, dos transportes e em grandes empreendimentos industriais no mercado interno, revelam dados fornecidos por Fundo.

 Por seu turno, de acordo ainda com os mesmos dados, o fundo para o ramo da hotelaria tem investidos 23 por cento de um total de 500 milhões de dólares americanos em projectos hoteleiros localizados em Angola e na Zâmbia. 

 O FSDEA entende que o sector hoteleiro tem potencial substancial para a criação de empregos e geração de riqueza, e para estimular igualmente as cadeias de abaste-cimento locais que vão positivamente impactar o crescimento sustentável geral das economias da região. 

 No caso concreto de Angola, o Fundo acredita que a indústria hoteleira é um sector catalisador que, para além de gerar empregos, apoiará a diversidade económica.

 Como exemplo dessa estratégia, explica, está em fase avançada de construção, na província de Benguela, a Academia de Hotelaria intitulada Escola Superior de Gestão Hoteleira (ESGH), que formará e atribuirá certificados e diplomas em áreas como a gestão, operações de alimentos e bebidas e culinária.

 A ESGH deverá igualmente “proporcionar educação de elevado padrão no ramo da hotelaria e oportunidades de carreira para quadros ango-lanos que trabalham neste sector”.

 As alocações do fundo de silvicultura perfazem 10 por cento de um total de 220 mi-lhões de dólares americanos investidos numa concessão de larga escala de eucaliptos em Angola, ano passo que, para o fundo de mineração, foram investidos dois por cento de 245 milhões de dó-lares americanos num projecto mineiro na Mauritânia.

 Enquanto isso, prossegue o Fundo, dos cerca de 190 milhões de dólares do fundo de capital estruturado, 12 por cento foram investidos num activo localizado na África do Sul.

 De acordo com os mesmos dados do FSDEA, as “grandes alocações” em Angola previstas para os fundos de agricultura e de saúde, com um capital total de 465 milhões de dólares americanos, foram implementadas durante o ano de 2016.

 No domínio dos fundos de capital de risco, dos dois biliões e 700 milhões de dólares de patrimónios líquidos alocados, 407 milhões “já foram aplicados em investimentos directos em Angola e na região Subsariana de África, refere o FSDEA.

 A este propósito, o Fundo precisa que o período de investimento do património líquido destes fundos de capital de risco é de três a cinco anos, ao passo que a duração da alocação pode ascender aos 10 anos.

 O FSDEA sublinha estar igualmente prevista uma alocação três biliões de dólares de património líquido, para os sete fundos de capital de risco, que “estará totalmente investida em 2020”, ao passo que os activos de renda fixa representam 23 por cento da carteira de investimento e equivalem a um bilião e 80 milhões de dólares americanos.

 Estes últimos estão predominantemente localizados na América do Norte e na Europa e dos quais 49 porcento são títulos soberanos e 19 por cento obrigações de empresas do ramo financeiro, indica o Fundo.

 Por seu lado, os activos de renda variável equivalem a 799 milhões de dólares americanos, ou seja, 19 por cento da carteira de investimento, estando centrados maioritariamente nos Estados Unidos e na Europa.

 O Fundo salienta ainda que, desde 2014, estabeleceu organismos de investimento colectivo (fundos de investimento), para desenvolver investimentos de capital de risco em sectores de alto rendimento em Angola e no resto da região Subsariana. 

 Actualmente, a sua alocação dos dois biliões e 700 milhões de dólares à classe de capital de risco consiste no património líquido já realizado em sete organismos de investimento coletivo, “para a criação de oportunidades de negócio em ramos estratégicos para o desenvolvimento de Angola e da região envolvente”. 

 “Estes ramos são os da infra-estrutura, do imobiliário, da agricultura, da silvicultura, da saúde, da mineração e do capital estruturado, que refletem o objetivo estratégico do FSDEA de gerar rendimentos para Angola, a longo prazo”, indica o Fundo.

 Acrescenta que o objectivo final é “beneficiar os cidadãos angolanos através da preservação e criação de património público para as gerações actuais e as futuras”.

 “Nos próximos 10 a 15 anos, prevemos que o Fundo atinja um valor signicativamente su-perior à sua dotação inicial de cinco biliões de dólares norte-americanos. 

 “Nessa altura, a economia angolana terá registado progressos consideráveis, serámais diversificada e terá uma população mais qualificada e capaz do que em qualquer outro momento da nossa história recente”, perspectivou o seu presidente do Conselho de Administração, José Filomeno dos Santos. 

 O FSDEA foi estabelecido oficialmente, em 2012, com uma dotação inicial de cinco biliões de dólares americanos, para promover crescimento, prosperidade e desenvolvimento económico em Angola.