Investimento na indústria do carvão Em Moçambique gera “boom” económico em Tete

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carvão O investimento na indústria do carvão na província de Tete, noroeste de Moçambique, está a desencadear outros investimentos na região, sobretudo de transportes e infraestruturas, levando a um “boom” económico, afirma a Economist Intelligence Unit.

 “O investimento em transportes e outras infraestruturas em Tete é simultaneamente causa e efeito de um `boom´ económico na região, resultante de milhões de dólares de investimento na emergente indústria mineira carbonífera de Moçambique”, afirma a EIU em recente relatório sobre a economia moçambicana.
 Entre as empresas que estão a investir no carvão na região, sobretudo na bacia de Moatize, está a brasileira Vale, mas também a australiana Riversdale e, mais recentemente, a Beacon Hill Resources.

 O corredor de Tete é um importante ponto logístico para Moçambique e para a região, envolvendo o tráfego destinado ao Malawi, Zimbabwé e Zâmbia, e os investimentos em curso estão a reforçar o seu papel de plataforma.
 “As ligações de transporte aéreo em Tete também estão a melhorar, e desde o ano passado a área tem serviço directo para a África do Sul”, sublinha a EIU.

 Em Janeiro, a transportadora aérea sul-africana aumentou em um voo a frequência das suas ligações a Tete.
 Paralelamente, o Ministério das Obras Públicas e Habitação anunciou a construção de uma nova ponte no rio Zambeze na cidade de Tete, que terá início ainda este ano.
 Com um custo de 95 milhões de dólares, suportado pelo governo e doadores, a nova ponte estará concluída dentro de 4 anos, aliviando o tráfego da única ponte actualmente existente, ainda do tempo colonial.

 Espera-se que seja usada principalmente por veículos de transporte pesados, que atravessam a ponte existente ao ritmo de 800 por dia.
 Ainda segundo a EIU, preparam-se também mexidas na linha ferroviária Beira-Tete, usada para escoar bens do “hinterland” regional até ao porto da Beira.
 A Companhia de Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) notificou a concessionária indiana Ricon, da sua intenção de rescindir o contrato de concessão caso não sejam cumpridos os objectivos de desempenho.

 Os trabalhos de engenharia para reabilitar a linha estarão atrasadas um ano em relação ao calendário previsto, e “as autoridades estão evidentemente a preparar terreno para rescindir o contrato tão rápido quanto possível”, refere a EIU.
 Este não é o único contrato que deixa insatisfeita a CFM, que se mostra interessada em “reassumir controlo dos seus activos”, deixando expirar
outras concessões atribuídas a empresas estrangeiras.
 Os investimentos e planos de expansão de produção carbonífera na região significam que as exportações de carvão deverão ascender a 85 milhões de toneladas por ano até final da década, muito acima da capacidade prevista para a linha actualmente, levando o governo e as empresas a estudarem formas alternativas de transporte.

 O investimento na indústria mineral e em “mega-projectos” de infraestruturas estão por trás do forte crescimento económico moçambicano, que deverá atingir 7,4 por cento, em média, em 2011 e 2012, segundo cálculos da EIU.
 “Espera-se que a produção industrial suba acentuadamente, impulsionada por forte afluxo de investimento estrangeiro no sector dos minerais, particularmente para desenvolver reservas carboníferas”, refere o relatório.
 Também é esperado um contributo importante da agricultura, graças ao aumento da produção alimentar e de colheitas de rendimento, e ao plano nacional do governo para o sector.