Investigador português troca Oxford por Cambridge para desenvolver novos tratamentos contra o cancro

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Investigador português troca Oxford por Cambridge para desenvolver novos tratamentos contra o cancro

O investigador português Gonçalo Bernardes obteve um financiamento britânico de um milhão de euros para se mudar da universidade de Oxford para a rival em Cambridge para desenvolver novos tratamentos de combate ao cancro.

 O trabalho consiste em desenvolver proteínas terapêuticas para serem usadas no cancro ou no desenvolvimento de vacinas que, atacando apenas as células doentes, provocam menos efeitos adversos.

 Gonçalo Bernardes foi o único português entre 36 investigadores escolhidos pela Royal Society, instituição britânica de apoio à ciência, este ano para formar o próprio grupo.

 O esquema, que atrai anualmente centenas de candidatos, premeia, refere a Royal Society, “cientistas excepcionais, que tenham o potencial de se tornarem líderes nas suas áreas de escolha”.

 Para Gonçalo Bernardes, de 32 anos, este é “talvez o financiamento científico mais importante do Reino Unido”, disse à agência Lusa.

 Licenciado em Química na Faculdade de Ciências de Lisboa, concluiu em 2008 um doutoramento em Oxford, ao qual se seguiu um período no Instituto Max Planck, em Berlim.

 Em 2009, fez uma incursão na indústria farmacêutica, na empresa portuguesa Alfama, mas no ano seguinte voltou a sair e passou a trabalhar com um grupo do Instituto de Estudos Farmacêuticos, em Zurique.

 Nos últimos anos beneficiou de uma bolsa da Organização de Biologia Molecular Europeia e da farmacêutica Novartis, mas este financiamento da Royal Society permite-lhe dirigir a própria equipa.

 Mesmo assim, Gonçalo Bernardes pretende continuar a colaborar com a indústria, até porque preocupa-se sempre em “ levar a investigação para as aplicações ao mundo real”, explicou.

Apesar de, em Oxford, já se encontrar num ambiente científico elevado, em Cambridge irá encontrar, disse, “tradição em termos de indústria biotecnológica e maior espírito empreendedor”.

 Além da carreira académica, o investigador mantém-se li-gado e a desenvolver projectos relacionados com a indústria farmacêutica.