“Intimidades” de Laranjeira Santos no Bairro Alto

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de Laranjeira Santos no Até ao próximo dia 31 de Dezembro encontra-se patente ao público, numa Galeria da Travessa da Queimada, em pleno Bairro Alto, bairro bem carismático da cidade de Lisboa, uma exposição de pinturas e esculturas da autoria de Álvaro Laranjeira Santos, Francisco Pereira Ramos e Paulo Braga, intitulada “Intimidades”.

 Do pintor e escultor Laranjeira Santos, médico cirurgião de profissão, o catálogo da mostra salienta que “dentro da rotina entediante do dia a dia, sem perspectivas e vivendo a desilusão de uma existência quase sem sentido, ALS construiu um mundo interior superpovoado de personagens, onde os afectos, as emoções, os medos, os fantasmas do mundo verdadeiro se entrecruzam.
 Nos seus desenhos, confundem-se momentos de extrema ternura com erotismo violento, o desespero de viver e desilusão da vida, a raiva da injustiça e a angústia da solidão interior.

 O seu traço transmite os seus estados de alma. É leve, preciso e sinuoso, para sugerir o amor e agressivo e rápido, para exprimir o seu desespero. Sem dúvida, os pretos carregados traduzem as nuvens invernosas que lhe ensombram a existência, enquanto os pequenos apontamentos de cor transmitem a esperança que o amor levará à redenção e ao resgate de uma alma atormentada.
 A riqueza das personagens e das suas emoções é enorme. Nada é repetido, o que corresponde à própria vida onde nenhuma situação, verdadeiramente, se repete”.

  E, mais adiante, o catálogo da exposição refere que “a originalidade estética desta tormentosa mistura de formas humanas permite ao espectador, se inquieto ele próprio com a sua existência, identificar-se com muitas das situações sugeridas pelos desenhos”, concluindo que as pinturas e esculturas de Álvaro Laranjeira Santos constituem “sem dúvida, um conjunto de trabalhos sobre os quais vale a pena pensar”.
 Sobre a obra de Laranjeira Santos, o mestre em História de Arte Paulo Morais-Alexandre diz que “a modelagem das formas é notável e o escultor, qual Demiurgo, cria e dá vida às peças, pondo-as em confronto, transmitindo e trocando emoções, emoções estas que vão do lirismo das formas evocadoras da paixão, mas também da tranquilidade e da ironia, ao quase sarcasmo, numa nota de grande humor.

 A noção de contenção, de simplicidade, é seminal a todas as esculturas. Há um permanente desejo de simplificação, um ater-se às formas básicas e puras, uma fuga a gongorismos inconsequentes, um abandono do supérfluo e uma esconjura do desnecessário. Desta forma a expressão não se perde, fica mais forte”.

 E Paulo Morais prossegue: “Um dos elementos mais originais das esculturas de Laranjeira Santos é a forma como a Cor é empregue, e as sensações cromáticas que as suas obras transmitem. Sem os barroquismos, mas com uma força imensa, ao qual não são alheias as cambiantes cromáticas utilizadas na composição, o emprego da cor tem um papel altamente relevante. É esta que reflecte os estados de espírito, complementando o trabalho da forma na transmissão de emoções”.

 Também a mestra em Teorias de Arte, Luísa Alexandra, se pronunciou sobre os trabalhos de Álvaro Laranjeira Santos: “A sua obra é uma obra diversificada, que resulta da sua permanente procura, da sua inquietude e da sua atenção, na qual detecta “incursões e apropriações de elementos intrinsecamente ligados a esquemas de representação realista, que combinados com elementos representativos do modernismo, culminam numa linguagem figurativa abstractizante” onde a leveza, a simplicidade, a estilização, a elegância e a cor se impõem como valores identitários do seu discurso escultórico”.