Instituto Confúcio em Coimbra promove medicina tradicional chinesa

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O Instituto Confúcio da Universidade de Coimbra, inaugurado, vai promover a formação de profissionais de saúde em medicina tradicional chinesa, contando com o apoio oficial do Governo chinês, disse o reitor desta instituição.

 O Instituto Confúcio da Universidade de Coimbra (UC), o quarto do país, vai além dos objectivos da promoção da língua e cultura chinesas, pretendendo assumir-se como um espaço para a promoção da medicina tradicional chinesa, afirmou o reitor da UC, João Gabriel Silva.

 Com a criação do instituto, a UC pretende garantir que profissionais de saúde possam "tirar novas especialidades" ligadas à medicina tradicional chinesa, referiu João Gabriel Silva, que falava aos jornalistas após a inauguração do espaço no Colégio de Jesus, onde em tempos missionários destinados ao Oriente se formaram.

 Para o arranque, a UC deverá realizar "ações mais curtas" para garantir um melhor co-nhecimento, "dentro e fora da classe médica", sobre o que é hoje a medicina tradicional chinesa, para de seguida se estabelecer a oferta, explanou.

 Segundo o reitor, não há iniciativa semelhante, com o apoio do Governo chinês, em Portugal "e praticamente não há na Europa", querendo a Universidade de Coimbra fazer com que esta oferta formativa ultrapasse as fronteiras do país.

 "É uma oportunidade por explorar", enfatizou, considerando que a medicina tradicional chinesa tem cada vez "maiores ligações" à medicina ocidental, sendo que "tem uma contribuição a dar".

 Para além da colaboração oficial do Governo chinês, o instituto conta com a Universidade de Estudos Internacionais de Pequim e a Universidade de Medicina Chinesa de Zheijiang como instituições parceiras do projecto.

 A inauguração realizada simboliza o retomar "de uma tradição de séculos", salientou o reitor, recordando que, entre o século XVI e o século XVIII, a Universidade de Coimbra "foi um dos principais pontos focais da transferência de conhecimento do Oriente para a Europa e da Europa para o Oriente".

 O Instituto Confúcio da UC é também "um passo importante na internacionalização" desta instituição do ensino superior, sendo a China uma das opções "estratégicas mais fortes" para a captação de novos alunos estrangeiros, contabilizando um total de cerca de 200 estudantes chineses a frequentar esta universidade.

 "É um momento marcante nas relações entre a China e Portugal", realçou à agência Lusa o conselheiro cultural da Embaixada da China em Portugal, Shu Jianping, lembrando que a UC sempre desempenhou "um papel muito importante nas relações culturais entre os dois países".

 Para Shu Jianping, a possibilidade de "formação de especialistas em medicina chinesa" vai também ser um "passo decisivo para a promoção" da mesma, esperando que, nos próximos anos, esta possa ser integrada no sistema de saúde público.

 Realizou-se, em Coimbra, um encontro de Institutos Confúcio dos Países da CPLP, que debateram o ensino de chinês a luso-falantes.

 Na inauguração, esteve também presente Feng Pei, da Universidade de Estudos Internacionais de Pequim, Fang Ziangiao, da Universidade de Medicina Chinesa de Zheijiang e Cai Run, embaixador da China em Portugal.