Instituto Camões e Universidade Mondlane criam cátedra de investigação da língua portuguesa

0
47
Instituto Camões

Instituto CamõesO Instituto Camões e a Universidade Eduardo Mondlane, de Maputo, criaram uma cátedra de “Português língua não materna”, destinada à investigação da língua e envolvendo mais quatro países além de Moçambique.

 O projecto, o primeiro do género em África, tem a duração de cinco anos e já tem um financiamento para o primeiro ano, explicou à Agência Lusa a professora Perpétua Gonçalves, que vai dirigir a iniciativa.
 A investigação, explicou, vai funcionar a partir da Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo, e conta com a rede de leitores de Português da Namíbia, África do Sul, Zimbabwé e Botswana.

 Com o objectivo principal de fomentar a investigação e promover o Português e o seu ensino na região da África Austral, a cátedra vai criar uma página na Internet sobre “Português Língua Não Materna”, promover materiais didácticos e um observatório de neologismos, criar uma base de dados e promover a formação de docentes e investigadores em países que têm o inglês como língua oficial.
 “Não se sabe, por exemplo, porque não está estudado, as dificuldades de um falante de Banto que tem o Inglês como língua segunda e está a aprender o Português como língua estrangeira”, disse Perpétua Gonçalves.

 Um dos principais objectivos da dirigente da equi-pa de sete pessoas será a criação de um site “sobre pesquisas da língua portuguesa em Moçambique, para tornar acessíveis materiais já publicados”, explicou a responsável, acrescentando que vão também ser sistematizados materiais que têm sido produzidos para o ensino do Português e as metodologias que foram usadas.
 Entusiasmada com o projecto, Perpétua Gonçalves explicou que este primeiro ano será de diagnóstico e lembrou que a cátedra foi apresentada à Universidade aquando da visita a Moçambique do Presidente de Portugal, Cavaco Silva, em Março do ano passado.
 “De uma forma geral, a cátedra visa apoiar a investigação científica no domínio da aquisição/aprendizagem da língua portuguesa e do seu ensino em contexto africano multilingue”, afirmou.

 A responsável espera, com a iniciativa, promover a emergência de investigadores moçambicanos nesta matéria, incentivar a realização de trabalhos de campo na área da linguística e difundir resultados de estudos que sejam feitos em Moçambique, mas também em Portugal.
 Apesar de já existir na Universidade “uma tradição de estudos sobre língua portuguesa (projectos e te-ses)”, a cátedra constitui “a primeira grande iniciativa” em que a Universidade “não só se associa a outra instituição não moçambicana, como cria condições para o enquadramento de uma importante equipa de docentes/investigadores” da Universidade no desenvolvimento da pesquisa nesta área, disse Perpétua Gonçalves.