inconcebível que a TAP deixasse de voar para Joanesburgo

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inconcebível que a TAP deixasse de voar para Joanesburgo

Foi calorosa a recepção na Casa Social da Madeira, à visita ali efectuada na noite do penúltimo sábado, 16 de Abril, pelo presidente da Câmara Municipal do Funchal, dr. Paulo Cafôfo, que se fazia acompanhar do bastonário da Ordem dos Contabilistas Certificados, dr. António Domingues Azevedo, da dra. Andreia Caetano adjunta do autarca, do dr. Miguel Iglésias, e do dr. José Câmara, da empresa Diário de Notícias da Madeira.

Antes do jantar, a que estiveram presentes o embaixador dr. Ricoca Freire, o coordena-dor do ensino de português na África do Sul, dr. Rui Azevedo, este que naquela noite ali desempenhou as funções de mestre-de-cerimónias, os comendadores Estêvão e Manuela Rosa, Ivo de Sousa e Silvério Silva, e os presidentes, da ACPP Américo Pimentel, a dos Lusíadas, Paula de Castro, o da Academia do Bacalhau, Tony Oliveira, o da Casa do Benfica, Lino Faria, o Frei Gilberto Teixeira da igreja de Santa Maria, que ali procedeu à bênção da refeição, e o seu colega Lameque André Michangula, foram à entrada do salão oferecidos alguns refrigerantes.

 De seguida e em dependência contígua foi efectuado um encontro com alguns comerciantes e pessoas envolvidas noutras actividades, onde o autarca Paulo Cafôfo descreveu as boas condições que a Ilha da Madeira tem para oferecer a quem estiver interessado em investir no arquipélago, e o bastonário da Ordem dos Contabilistas Certificados, António Domingues Azevedo, descreveu a actual situação financeira que Portugal, a Europa e o mundo atravessam no sistema bancário, onde como referiu hoje ninguém pode garantir nada, abordar temas relacionados com impostos, crescimento de taxas negativas, sua liquidação e cobrança, carga fiscal, com a economia mundial em decadência, circulação livre de pessoas, capitais e mercados, impostos alfandegários, insolvência das empresas na sociedade, segurança de investimentos, como lidar com os bancos, onde o conceito de segurança é cada vez mais negativo, enriquecimento ilícito e o recente caso dos papéis do Panamá, onde até governantes estão implicados, passando a responder a certas perguntas quer lhe foram feitas, temas que mais tarde voltou a abordar no salão, quando chamado ao palco.

 A iniciar o jantar tipo self-service de boas iguarias da nossa culinária, foram cantados pelo jovem artista da nossa comunidade, Roberto Adão, os hinos da África do Sul, de Portugal e da Região Autónoma da Madeira, entoados pelos presentes no salão, para mais tarde, onde foi apresentada a nova Miss Portuguesa-África do Sul, Carina Frazão, e por José Câmara do Diário de Notícias, a comitiva que acompanhava o dr. Paulo Cafôfo, foram pelo presidente da Casa Social da Madeira, Samuel da Silva, dadas as boas-vindas a esta casa a que preside, ao presidente do Município do Funchal e toda a comitiva que o acompanhava, ao embaixador Ricoca Freire e comendadores ali presentes, e como afirmou, sentindo-se lisonjeado com  a presença de tão destacado conterrâneo, desejou a esse autarca do Funchal uma boa estadia na África do Sul, e que a sua visita a esta terra que acolheu tantos portugueses, fosse um sucesso.

 Convidado a algumas palavras o dr. Paulo Cafôfo, depois de a todos saudar e agradecer a maneira simpática como ali fora recebido e tratado, a isso decerto se devendo ao empenho do presidente desta Casa Social da Madeira, uma colectividade com a sua história e o papel importante para a comunidade madeirense que aqui vive, não só pela sua dinamização cultural, como pela coesão que proporciona entre toda a comunidade, mas também o papel social no apoio aos mais desfavorecidos que escolheram este pais para viver, e depois de manifestar ser para si uma honra visitar tão importante colectividade madeirense e conviver com tantos conterrâneos, afirmar:

 “A minha presença aqui hoje deve-se ao dever que tenho enquanto presidente da Câmara Municipal do Funchal, porque a nossa cidade, a nossa região e o nosso país são muito mais do que o território que nós conhecemos. Além de uma região pequena no meio do Atlântico que tem por capital a cidade do Funchal, cidade que está hoje no top-10 em melhores hotéis do mundo, e é na Europa a sexta melhor cidade para visitar, à frente de Berlim e da Áustria, e no nosso país a segunda a seguir a Lisboa, de que todos nós madeirenses nos podemos orgulhar.

 Não somos um país tão rico como a África do Sul, mas temos uma riqueza incalculá-vel como são as pessoas, não só as que vivem na nossa terra, mas as que um dia partiram à procura de melhores condições, decisão difícil de tomar, e é nesse aspecto, para valorizar o vosso trabalho que aqui estamos, porque não é fácil partir, deixar a sua família, os seus bens e a terra que se ama, para tentar a sua sorte noutro país, para além disso o que fazem para vencer na vida, e o contributo que dão ao país onde se radica-ram, motivo de orgulho para todos nós.

 Mas não basta dizer que estamos orgulhosos de vocês, não bastam palavras, nós estamos aqui com outra função e outros objectivos, além de vos conhecer, para vos ouvir, e por meu lado enquanto presidente de câmara, não podendo resolver todos os problemas na região, no país e no mundo, poder ajudar a melhorar a vossa situação, e no lugar que ocupo poder ser vosso porta-voz, ouvindo os vossos problemas, as vossas dificuldades e as vossas propostas de soluções para os problemas, os vossos anseios e as vossas propostas de soluções para os problemas que tenham aqui ou na nossa região, e dizer-vos que o faço de boa vontade, a par de outras diligências.

 Vou estar reunido com os Mayors de Pretória e Joanesburgo, e levar-lhes aquilo que são as vossas dificuldades, porque são eles que vos podem proteger, uma vez que o poder local é mais forte que as pessoas, e quero com isso que sintam que a comunidade portuguesa não é só grande em número, mas grande no seu valor além de acrescentar valor à economia deste país, e em vosso nome dizer-lhes que a nossa comunidade merece ser acarinhada e respeitada, neste país que escolheram para viver, um valor que os autarcas sul-africanos devem reconhecer.

 Mas não posso ficar por aqui, há penso eu, uma acção muito importante também a fazer no nosso país para uma ligação bem sucedida, a língua portuguesa como fundamental para continuarmos unidos nesta matriz que é Portugal, e aqui como defensores da nossa cultura, e o mundo que fala português é também um mundo de oportunidade, elogiando nesse aspercto os professores que aqui exercem a sua actividade.

 Além da língua portuguesa há outro factor importante que é o da ligação física com a Madeira, onde os transportes aéreos são fundamentais, e é por isso que me tenho empenhado, nos últimos meses, para que as viagens aéreas tenham outro rumo, não só entre a Madeira e o continente, como na ligação do emigrante à sua terra natal, sendo inconcebível que uma comunidade tão numerosa como é a portuguesa na África do Sul  não tenha uma ligação directa ao nosso país, para mais tendo uma transportadora aérea nacional, e por isso tentar na administração, junto dos Governos Regional e da República, para que a TAP volte a voar para a África do Sul, fundamental para todos vós e para o nosso país.

 E mais incompreensível se torna quando o aeroporto de Joanesburgo é o mais importante de África, com maior tráfico no continente africano, dando a TAP com a sua saída, a oportunidade a companhias aéreas de outros países, e eu pergunto, onde está a TAP, uma companhia que deve defender os interesses de Portugal, sendo este um dos assuntos por que me irei debater, convicto de podermos voltar a ter a TAP a voar para a África do Sul.

 Outra questão importante é o investimento, uma das formas que mais poderá ligar o emigrante à sua terra, e nesse aspecto a Madeira. Obviamente que para isso temos de criar condições para que isso aconteça, e como foi aqui rererido pelo bastonário da Ordem dos Contabilistas, ninguém poder garantir nada, e referir que “gato escaldado da água fria tem medo”, não podermos ficar parados, temos quer garantir que haja confiança, daí termos que avançar com passos seguros, firmes e confiantes, e não baixar os braços perante as dificuldades, adiantando:

 Eu não podendo garantir, tudo farei para que quem quiser investir no Funchal tenha as condições de o fazer com segurança, em áreas de grande potencial na cidade, com destaque para lojas de comércio, em que felizmente temos assistido à abertura de novos estabelecimentos na baixa do Funchal, a par do turismo onde a cidade tem estado no topo mundial do turismo.

 Outro factor é o da reabilitação urbana, e nesse prisma o Funchal com mais de quinhentos anos com um património riquíssimo em prédios para reabilitá-los, além de uma área para poderem ser construídos cerca de dois mil prédios que terão grande valor patrimonial, com apoios a benefícios fiscais, desde isenção do IMI e redução em taxas e licenças camarárias, a par de unidades hoteleiras, sendo neste momento um negócio muito atractivo para o Funchal, uma vez que apostamos no turismo, uma grande vantagem para quem tem capital e quiser investir, finalizando a sua intervenção com agradecimento à hospitalidade com que foram acolhidos, como o que fizeram e poderão fazer pela Madeira e pelo nosso país, com vivas ao Funchal, à Madeira e a Portugal.

 Antes da actuação dos jovens artistas da comunidade, Liana de Sousa e Roberto Adão, com música da “DJ Smal Pau-lo”, foram trocadas lembranças, de Samuel da Silva a Paulo Cafôfo de linda pele de zebra; de Paulo Cafofo a Samuel da Silva de uma imagem da cidade do Funchal do século XVII, ao embaixador Ricoca Freire de medalha da cidade; e ao comendador Estêvão Rosa brasão em miniatura das armas da cidade.