Inaugurada ponte sobre o rio Zambeze em Moçambique – a segunda maior de África

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ponte sobre o rio Zambeze

ponte sobre o rio ZambezeA organização internacional de defesa dos direitos da criança Save The Children apontou como “um modelo a seguir” o programa de protecção social para as comunidades implementado no projecto da ponte do rio Zambeze, no centro de Moçambique.

A ponte do rio Zambeze, baptizada com o nome do chefe de Estado moçambicano, Armando Guebuza, foi inaugurada no sábado e é considerada a segunda maior de África, com 2,5 quilómetros de comprimento. A infra-estrutura, cujas obras de construção levaram cerca de três anos, permite pela primeira vez na história de Moçambique a ligação por terra entre o norte, centro e sul do país. Num comunicado sobre a empreitada, a Save The Children considera um “modelo de sucesso” a componente de protecção social para as comunidades residentes nos dois extremos da ponte, implementado durante as obras, principalmente na defesa das crianças contra o abuso sexual e exploração de mão-deobra.

“Construir a ponte sobre o rio Zambeze não foi só um grande feito sob o ponto de vista técnico, pois do empreendimento tiram-se grandes lições sobre o impacto de projectos de grande infra-estruturas nas comunidades vulneráveis”, referiu Chris McIvor, director do gabinete jurídico da Save The Children em Moçambique. A Save The Children aponta omo exemplos a reter da construção do empreendimento o envolvimento de crianças em campanhas de sensibilização contra o abuso de menores e a criação de oportunidades económicas para as comunidades locais. “Foi crucial envolver os membros das comunidades, incluindo as crianças.

As crianças são excelentes advogados entre elas, por isso, convencendo algumas a evitar lugares de risco, como bares e discotecas”, disse Chris McIvor. “Foi também essencial oferecer oportunidades económicas às comunidades marginalizadas, de modo a não serem puxadas para o negócio do sexo e escravatura laboral, por causa da pobreza”, sublinhou ainda o director de advocacia da Save The Children em Moçambique A Save The Children lembra que, antes do início das obras de construção da ponte do rio Zambeze, as comunidades dos distritos de Caia e de Chimuara, os dois extremos da ponte, já eram vulneráveis à infecção pelo HIV/sida, devido ao facto de viverem numa área com intenso tráfego entre as três regiões do país, com o trânsito feito por  ia de batelões.

Antes da obras, a incidência de Sida nas comunidades de Chimuara e Caia era de 20 por cento, acima da média nacional, que é de 16,2 por cento. “Com dinheiro para gastar e sem as suas mulheres e famílias, os trabalhadores das obras de construção da ponte envolveram-se muitas vezes em relações sexuais com mulheres jovens e, por causa da pobreza e dificuldades económicas, algumas famílias encorajaram essas relações”, acrescentou Chris McIvor.