Igreja Reformada Portuguesa de Pretória chegou a ser muito activa no Festival Jacaranda

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Igreja Reformada Portuguesa de Pretória chegou a ser muito activa no Festival Jacaranda

Já lá vai o tempo em quer a comunidade lusa de Pretória se fazia representar através dos seus ranchos folclóricos e das suas instituições em de-terminados eventos de relevo de organização sul-africana da capital, entre os quais o “Festival Jacaranda”, que com grande pompa era realizado em Outubro de cada ano, altura em que essa linda flor ro-xa começava a florir na cidade, e que de ano para ano foi perdendo a sua dimensão.

 Que nos lembre a participação mais activa da nossa comunidade nesse festival, que se tornou cartaz na capital sul-africana, e terá atingido o seu auge em Outubro de 1990, com atraentes actividades, foi a afecta à Igreja Reformada Portuguesa.
 Entre os mais interessantes números dos programas festi-vos, destacavam-se os empolgantes cortejos na parte da manhã, na Esselen Street, em Sunnyside, em que além dos diversos carros alegóricos, dois transportavam as finalistas aos concursos de Miss e Mini-Miss Jacarandá, bem como as respectivas princesas, desfilando ao som das bandas da Polícia e do Exército, da Hillview School, Wilgers Hoerschool e Technical School de Pretoria Gardens, o gru-po de danças Kaapse Klopse, e ainda nesta edição de 1990, as seguintes escolas de marjorettes:
 Pretoria Technikon, Wilgers Hoerschool, Jacaranda Feet-jies Primary Eschool, Hercu-les School, Primary Laerschool Jaques Pienaar, Elardus Park School, Langen Hoven, Kozark”s (mini-marjorettes), e Laer School de Hermanstad.
 Recorda-se que neste certame participavam normalmente representatividades lusas, com destaque para a Igreja Reformada Portuguesa, que por sinal desfilou no cortejo alegórico de 1986 com a miniatura da caravela Bartolomeu Dias, construída expressamente para o efeito na ocasião, tendo sido premiada com quinhentos randes, valor atribuído à melhor decoração, originalidade e representação.
Tal como em anos anteriores, em que actuaram ranchos folclóricos de colectividades portuguesas de Pretória, também neste festival/90, a referida Igreja Reformada voltou a marcar presença na confecção dos mais variados petiscos tradicionais da nossa gastronomia, bastante procurados pelos forasteiros, vendidos num pavilhão simbolizando o castelo de Santa Maria da Feira, onde a bandeira ver-de-rubra bem patente no topo, indicava o local lusíada, e o cheirinho que alastrava na área, da nossa saborosa comida, convidava e atraía o numeroso público a saboreá-la.
 Até entre os artistas que actuavam ao longo desses festivais, na Church Square, onde depois dos cortejos se concentravam os espectáculos, com os programas distribuídos pela cidade, normalmente colaborava o cançonetista Manuel Escórcio, compatriota que com a sua arte continua a prestigiar a comunidade portuguesa, na África do Sul.
 Recorda-se que iniciada como secção portuguesa da congregação inglesa Andrew Murray, passou em 21 de Junho de 1970 a designar-se por Reformada Portuguesa, núcleo agregado à N.G.Kerk, e a funcionar com os seus trinta membros e sob a direc-ção do Círculo de Pretória Leste, a que presidia o dr. F.O.B. Geldenhuys, e abrangia as áreas Norte e Leste do então Transvaal, de que foram eleitos para membros do primeiro conselho, os anciãos A.J.R. Machado, Artur Gomes Franco, este que mais tarde viria a ser presidente da ACPP, e J.A. da Silva, e como diáconos Carlos Franco e J.P. da Silva.
Sempre a pensar em instala-ções próprias, foi através do apoio incansável do dr. G.J. Daviddtz, adquirido pelo conselho, à Câmara Municipal de Pretória, em Fevereiro de 1974, pela quantia de R12.000.00, importância paga na totalidade pelos membros, o terreno onde na Rose-Etta Street, de Pretoria West, foi edificada a Igreja Reformada Portuguesa, cuja construção do templo e da casa pastoral, baseado no projecto que o ar-quitecto Paul Duplessis elaborou e ofereceu à igreja, com a cotação da firma “Mono Kons-truksies” para esse complexo, no valor de R131,750.00, tendo o custo final, incluindo móveis, gradeamento e outros acabamentos no terreno rondado os R160.000.00.
 Finalmente, foi a 14 de Setembro de 1980, com a presença de várias entidades ci-vis e militares, destacando-se em representação da comunidade portuguesa, o vice-cônsul Mário Silva, gerente da secção consular da embaixada de Portugal em Pretória, inaugurada essa igreja reformada e suas dependências.
 Na altura eram ali pastores Petrus Arnaldus Pienaar, Mário Manuel Alves e Samuel de Oliveira Coelho, a quem mais tarde sucedeu no cargo, isto em Janeiro de 1983, Hermanus Taute, anteriormente capelão do Batalhão 32, que denominado por Búfalo era integrado na sua maioria por ex-angolanos, que se dedicou ao estudo da língua portuguesa, quando em 1976 cursava em Potchefstroom, e a sua expressão em português se tornou tão vasta, que chegou a servir de intérprete num dos anos seguintes em que a 31 de Maio se festejou o Dia da República da África do Sul, os discursos proferidos em africaanse pelo Mayor de Pretória, Mr. Heunis, e em inglês pela dra. Rina Venter, esta em representação ministerial, no Paionner Park, que traduziu para o nosso idioma, chegando nas suas impressões sobre a nossa comunidade a referenciá-la como especial no que diz respeito à hospitalidade e dedicação ao trabalho.