Igreja quer ver candidatos a apresentarem propostas convincentes nas legislativas

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Igreja quer ver candidatos a apresentarem propostas convincentes nas legislativas

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) insistiu a semana passada na necessidade de haver nas eleições legislativas “propostas convincentes”, com o “deve e haver ao lado”, e considerou a proliferação de candidatos às presidenciais como um “exercício de cidadania”.

 “Muitas vezes nós ouvimos mais casos do que propriamente causas e dentro deste ‘fait divers’ – ‘é este candidato é aquele candidato, é esta pessoa é aquela pessoa…’ -, nós ficamos sem ir ao cerne da questão”, afirmou D.  Manuel Clemente na conferência de imprensa após mais uma assembleia plenária da CEP, em Fátima.

 Defendendo que se apresentem “propostas concretas e convincentes, também com o deve e haver ao lado, o como, o quanto”, o cardeal-patriarca apelou: “Digam concretamente, digam-nos como e não apenas o quê e isto parece-me ainda muito arredado do debate político como ele é apresentado”.

 Questionado se seria importante os candidatos assumirem o facto de serem ou não católicos, Manuel Clemente salientou que Portugal é “um Estado laico” e aquilo que interessa aos católicos “é o que interessa a todos os portugueses”.

  Confrontado sobre a proliferação de candidatos à Presi dência da República, o presidente da CEP disse ver esta situação como “um exercício de cidadania” que “não é ex-clusivo de Portugal”.

 “Já sabemos que, com o tempo, e depois até com a própria participação das forças políticas organizadas, vai ficar mais restrito. A cidadania é assim”, considerou, reiterando na necessidade da apresentação de “causas, programas e reflexões concretas” em áreas como a vida, a família, o emprego, o trabalho, os excluídos.

 “Mas não digam apenas que querem resolver – isso queremos todos. Como, concreto, isso é que é fundamental”.

 Para o presidente da CEP, “a atividade política é, também, uma pedagogia”.

 “É um exercício de cidadania, mas se eu quero intervir mais ativamente propondo-me a um cargo na vida política, também tenho uma responsabilidade pedagógica. Tenho uma ideia, uma causa a propor ou a defender e digo como”, referiu, reconhecendo que “aparece pouco”.

 Segundo Manuel Clemente, o que se pretende saber é “quais são os problemas, quais são as propostas para os resolver e como”, porque “cheques em branco não é bem a altura para os passar”.