Igreja de Santo António dos Portugueses em Mayfair festejou Meio Século com concelebração de Missa

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Igreja de Santo António dos Portugueses em Mayfair festejou Meio Século com concelebração de Missa

Entrou depois um grupo de senhoras com as bandeiras portuguesa e sul-africana, a cantar e a transportar uma caixa, que continha a coroa da rainha de Portugal, a Virgem Maria.

 O Arcebispo de Joanesburgo benzeu, abençoou-a e coloco-a na cabeça da imagem, bem como o rosário em torno da imagem toda. Após a eucaristia ter terminado, o Padre Lemos fez um breve historial da igreja de Santo António.

 

* Historial da Igreja

 

 O Padre Lemos, após a eucaristia, no púlpito deu uma breve história da igreja da qual é pároco.

 “Não quero tomar muito tempo, muito menos cansar. Mas pareceu-me bem dar uma panorâmica ligeira da história desta Igreja.

 Foi construída para atender aos imigrantes, quer provenientes de Moçambique, quer de Portugal. E aqui, era o lugar estratégico para o efeito. Assim, o pensaram! Foi residência primeiro e logo a seguir a Igreja veio ao encontro da necessidade: assistir o po-vo que trabalhava nas minas, nas Crown Mines.

 Inaugurada, logo se encheu, com grande movimento religioso. Baptizados, casamentos, crismas, entre outras cerimónias religiosas. Era a única igreja portuguesa. Só ao longe, em Benoni, já existia a Igreja de Nossa Senhora de Fátima. A tal ponto que, foi preciso aumentá-la, construindo-se mais alas ou naves, a partir do altar-mor. De notar, que estão aqui hoje presentes dois homens, que se casaram nesta igreja, os Comendadores Bernardino Faria e Silvério Silva.

 Em baptizados, começou em 1964 com cinco e seis, anos depois eram já 553. Em 1970, o Padre Manuel de Freitas – sempre o pároco – mas sempre secundado por outros sacerdotes. Não deixavam de assistir os mineiros vindos de Moçambique, ao perto e ao longe. Entretanto, os anos passam e a história não é sempre igual. Dá-se a independência em Moçambique e vem de lá uma avalanche de Portugueses para a África do Sul. Por essa altura vêm também as Irmãs Vitorianas que abrem uma escola e uma creche para os filhos dos Portugueses. Com uma carrinha, percorriam as localidades próximas para levar e buscar crianças para a creche e para a catequese. É devido a todos falarem português. Com o fim do apartheid e com o declínio da segurança, baixou a afluência à igreja. Lentamente a população de Mayfair toma uma cor amarela: paquistaneses e indianos. Todos se mudam, menos a igreja.

 Chegámos ao dia de hoje. Num esforço grande e constante, este centro de Fé que é a nossa igreja, está activa mais fora que dentro: damos apoio aos emigrantes moçambicanos por meio de um catequista/coordenador da vida cristã nas minas e noutras áreas circundantes. Assistimos o Lar português da Beneficência, com missa regular todos os sábados e noutras necessidades espirituais. Temos também capelania de três comunidades Portugue-sas, ainda muito vivas em Malvern, Belgravia e Primrose.

 Por mês ou em casos pontuais, temos a assistência religiosa às comunidades portuguesas, agora muito reduzidas em Krugersdorp, Randfontein e Carletonville. Acompanhamos, às segundas-feiras, um grupo de oração móvel que visita famílias mais necessitadas espiritualmente. Temos dois paroquianos que cuidam regularmente da sopa aos pobres, a partir da Catedral de Joanesburgo.

 É aqui o centro da Irmandade do Santíssimo Sacramento hoje com uns 180 irmãos, espalhados por várias localidades.

 É o centro da Associação Medalha Milagrosa que cultiva devoção a Maria e está voltada aos pobres.

 Esta igreja, por motivos vários, desceu na sua afluência dominical. Temos ainda três missas nos fins de semana. Mas continuando a descer, arrisca-se a perder a identidade portuguesa. Ficará só com o nome… até ver.

 A Comunidade Portuguesa das vizinhanças importa-se que se perca um património de Fé, vivido intensamente pelos seus antepassados?”

 Logo em seguida ao discurso do Padre Lemos à congregação, teve lugar a procissão em torno da Igreja com a relíquia de Santo António, le-vada pelo Arcebispo Tlhagale.

  À  procissão seguiu-se o descerrar do busto do Padre Manuel de Freitas, fundador da Igreja de Santo António dos Portugueses em Mayfair. Busto este, feito por José Manuel Sampaio.

 O Arcebispo Buthi Tlhagale descerrou o busto,  abençoou-o e benzeu-o. Mais um marco na igreja que foi fundada a 31 de Janeiro de 1965.

 Estas cerimónias contaram com a presença da diplomacia portuguesa nas pessoas do embaixador de Portugal, António Ricoca Freire, e da cônsul-geral de Portugal em Joanesburgo, Luisa Fragoso.

 Houve depois actuações musicais dos ranchos Luso-Madeirense e Troyeville/NAC. Bem como por parte dos artistas “Duo Jovial”.

 A refeição, almoço-volante, teve lugar com os vários presentes a encherem o salão da igreja. Foi pedido ao Arcebispo de Joanesburgo que cortasse o bolo de aniversário e depois foram cantados os Parabéns à igreja. A festa seguiu até à noite.

A relíquia

de Santo António

O Século de Joanesburgo falou com o Padre Lemos acerca de relíquia de Santo António, a fim de saber um pouco mais sobre ela.

 O pároco de Mayfair apenas nos disse que “a relíquia é algo que foi de Santo Antó nio… é algo. É muito difícil de definir o que é. Pode ser um pedaço de hábito, um pedaço de osso, dente… é qualquer coisa dele. Mas que foi autenticado pela Vaticano em como é parte do Santo Padroeiro da Igreja de Mayfair.

 

* Tradução para Shangane

 

 Um dado interessante e de notar nos cinquenta anos de existência deste templo religioso, é que o Padre Miguel Lemos, oriundo do Minho, viveu 32 anos em Moçambique onde aprendeu Shangane. Ao vir para a igreja de Santo António de Mayfair, viu a necessidade dos cristãos oriundos de Moçambique e cujo idioma é o Shangane, terem livros de orações e um guia, qual missal, no seu idioma. Assim, o Padre Lemos traduziu para aquela língua moçambicana um livro de cânticos e orações e criou um missal, para ajuda e contributo aos falantes de Shangane. Algo que ainda hoje é muito valorizado e apreciado pelos paroquianos.