Igreja de Santo António dos Portugueses em Joanesburgo celebra Páscoa pelo Facebook devido ao coronavírus

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Os sacerdotes da Missão de Santo António dos Portugueses, Igreja de Mayfair, em Joanesburgo, celebraram hoje pela primeira vez sem fiéis o início da semana santa com uma missa através da rede social Facebook, devido ao confinamento de contenção do novo coronavírus no país que já vitimou 18 pessoas.

A missa, em português, a primeira do período pascal, foi celebrada às 19:00 locais, em directo para os paroquianos na página de vídeo de Facebook da missão de Santo António dos Portugueses [www.facebook.com/MSADPM/], pelos três sacerdotes naquela Igreja: o português Miguel Lemos, o moçambicano Ernesto Zunguze e o brasileiro Carlos Alves da Silva.

“Todos nós estamos como que em retiro, temos muito tempo para pensar e desejar pedir a Deus que não deixe avançar este vírus, essa é a preocupação grande porque toda a gente quer voltar a ser livre de encontrar, trabalhar e viver”, disse em declarações ao Século Online, pelo telefone, o pároco Miguel Lemos, de 91 anos, e o mais antigo na missão católica no sul de Joanesburgo, antes da missa virtual.

Na ceia de despedida de Jesus com os seus apóstolos e instituição da Eucaristia, como é descrito no livro litúrgico, os sacerdotes deveriam renovar hoje as suas promessas do sacerdócio perante o Bispo e os fiéis.

Todavia, e devido à proibição de serviços religiosos presencias como parte das medidas excepcionais decretadas desde 15 de Março pelas autoridades sul-africanas, para conter a propagação da doença respiratória, a permanência de Jesus no mundo de modo sacramental foi hoje possível pela celebração da missa virtual no Facebook.

“Celebrar a semana santa sem fiéis é a primeira vez, o que para muitos de nós é um facto único e histórico”, adiantou por seu lado o pároco brasileiro.

Apesar do confinamento obrigatório, Carlos Alves da Silva – na África do Sul desde 2019, considerou ainda assim como “muito especial” o primeiro dia da Páscoa, e deixou ficar uma mensagem de “esperança e coragem” para os fiéis omnipresentes.

“Dizer que tudo passa, que o Senhor prometeu que não nos deixaria sós, é verdade que estamos vivendo este período em que aparentemente parece que estamos sós, mas sentimo-nos em comunhão com todos por meio da oração e da Eucaristia que nos une”, referiu.

O sacerdote considerou que através do isolamento domiciliário “estamos transformando as nossas casas numa pequena igreja doméstica”, instando os paroquianos a “não perderem a esperança, que rezem, estamos separados fisicamente, mas unidos em oração”.

Por tradição, no período pascal de três dias, que começou nesta quinta-feira, a Igreja de Santo António dos Portugueses congrega habitualmente mais de 200 pessoas.

“São dias do ano que vêm muita gente, mesmo aqueles que são católicos e vêm cá esporadicamente, e normalmente a Igreja fica cheia”, salientou o pároco brasileiro.

“Amanhã [sexta-feira], transmitiremos a partir das 15:00 a celebração da Cruz, só somos os três, mas vamos fazer e começaremos a novena da divina misericórdia, é uma devoção bonita que começou com o Papa João Paulo II, até ao segundo domingo da Páscoa, o dia da divina misericórdia”, adiantou Carlos Alves da Silva.