Haverá em 2014 uma nova dinâmica nas relações entre Portugal e Angola

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Haverá em 2014 uma nova dinâmica nas relações entre Portugal e Angola

O ministro português dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, assegurou sexta-feira no Parlamento, em Lisboa, que as relações com Angola vão conhecer uma “nova dinâmica” em 2014, permitindo recuperar “algumas coisas deixadas para trás”.

 “Como teremos oportunidade de ver no próximo ano, as condições políticas adversas a que se refere não têm na maior parte dos casos, e quando passarem algumas vicissitudes que tivémos nas relações internacionais, não têm nada a ver com os orçamentos”, disse Rui Machete em resposta a uma intervenção muito crítica do deputado socialista Paulo Pisco, no decurso de uma audição parlamentar no plenário para o debate na especialidade do orçamento de Estado para 2014.

 O chefe da diplomacia, que compareceu pela primeira vez na Comissão do Orçamento e Finanças, garantiu que as relações entre Lisboa e Luanda “estão no bom caminho”, e perspectivou uma “nova dinâmica que lhe permitirá rapidamente recuperar de algumas coisas que foram deixadas momentaneamente para trás”.

 Na sua intervenção, Paulo Pisco considerou que a política externa portuguesa já viveu “melhores momentos”, definiu a proposta de orçamento para 2014 “perigoso para a nossa capacidade de representação externa” e desejou que os problemas com Angola “sejam ultrapassados” com o objectivo de garantir a concretização da anunciada cimeira entre Lisboa e Luanda.

 O deputado socialista Carlos Zorrinho, que se pronunciou de seguida, também questionou o ministro sobre o abandono das metas da estratégia de desenvolvimento Europa 2020-Portugal 2020, uma “chancela diplomática ao caminho de empobrecimento do país”.

 Em resposta, o secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Bruno Maçães, considerou que estas metas apenas podem ser cumpridas “caso a União Europeia caminhe para uma maior integração económica”.

 

* Portugal/Angola: Cimeira bilateral realiza-se “em devido tempo” – MNE

          

O ministro dos Negócios Estrangeiros manifestou-se  confiante de que a primeira ci-meira bilateral entre Portugal e Angola vai realizar-se “em devido tempo” e garantiu que os problemas entre os dois países “não são insolúveis”.

 Sobre a cimeira entre os dois países – que foi anunciada em fevereiro deste ano pelo seu antecessor, Paulo Portas -, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, afirmou que “a data ainda não foi acordada”, mas sublinhou que “não parece que esteja condenada a não se fazer”.

“Pelo contrário, tudo indica que em devido tempo, quando as coisas estiverem amadurecidas, se fará”, garantiu, lembrando que “as cimeiras são uma conclusão de um trabalho de cooperação que se realiza ao longo do tempo”.

No início de outubro, numa visita a Angola, o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Luís Campos Ferreira, anunciou que a cimeira se realizaria em fevereiro de 2014, mas dias depois o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, anunciou o fim da parceria estratégica entre Luanda e Lisboa.

 Rui Machete, que falava no Parlamento numa audição sobre o Orçamento do Estado para 2014, garantiu que “neste momento, as relações bilaterais e de cooperação decorrem num quadro de estabilidade e de normalidade”.

 “Não se trata de problemas que sejam insolúveis. A boa vontade e o interesse que reinam entre os dois povos vão permitir dinamizar de uma maneira maior do que ultimamente tem acontecido, as relações muito importantes que existem entre os dois países-irmãos”, destacou.

 Para exemplificar a normalidade das relações entre os dois países, o ministro referiu as recentes visitas a Angola da presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, e deputados, do ministro do Emprego e Solidariedade Social, do secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, além de contactos com os ministros da Justiça e da Educação e prevendo-se ainda um encontro entre os ministros do Ambiente dos dois países.

Na sua intervenção, Machete comentou ainda a situação política na Guiné-Bissau, afirmando que Portugal está empenhado “no restabelecimento da democracia, na realização de eleições e no pós-eleições”.

 “Efectivamente é uma questão que põem à prova a CE-DEAO [Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental], organização regional de África que abrange a Guiné-Bissau, e os países da CPLP [Comunidade de Países de Língua Portugal]. Todos estão empenhados para que a Guiné possa rapidamente regressar a uma situação claramente democrática”, referiu.