Há qualidade mas falta a quantidade para os produtos portugueses chegarem aos grandes mercados

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Há qualidade mas falta a quantidade para os produtos portugueses chegarem aos grandes mercados

A diversificação da produção e a associação dos produtores como forma de obter dimensão e responder às exigências do mercado nacional e internacional foram duas das exigências feitas para que o Douro tenha futuro como região agrícola.

 Esta realidade foi reconhecida durante um almoço/debate dedicado ao tema “Jovens agricultores durienses: que futuro?”, com duas dezenas de participantes, organizado pelo Hotel Lamego e o Porto Canal, em Lamego.
 Uma das questões mais debatidas foi a da comercialização da produção da região, como o sublinhou Sandra Luís, da Associação de Produtores Agrícolas do Vale do Douro (APAV), que defendeu ser “relativamente fácil produzir qualidade” mas os problemas surgem “nas muitas dificuldades para a sua comercialização”.
 Com uma estrutura produtiva assente nas pequenas explorações, o Douro, explicou Sandra Luís, tem pela frente o “desafio” de responder a três requisitos: a qualidade, a certificação e a quantidade.
 E foi a própria que admitiu que nas duas primeiras, qualidade e certificação, “não há problema”, mas o mesmo não acontece com a quantidade, expurgando da equação as grandes explorações, que não enfrentam esse tipo de problema.

 E um dos exemplos para confirmar as palavras da dirigente da APAV foi avançado por Jorge Osório, vereador da Câmara de Lamego, apontando o caso de um produtor de vinho que, numa feira internacional, se deparou com um pedido de um distribuidor agradado com o seu vinho.
 “O problema foi que esse pedido correspondia ao global de três anos de produção desse vitivinicultor”, disse o autarca.
 A criação de cooperativas e de associações de produtores do Douro de produtos como o azeite, frutos secos, cereja, compotas, doces ou outros produtos “gourmet”, é tida globalmente, como se pode concluir deste almoço/debate, como uma possível resposta.
 Mas, para isso, como explicou Jorge Pavão, produtor de azeite e dirigente da CAP, “seja fundamental alterar o código cooperativo” porque a imposição de um sócio que produz um quilo ter o mesmo peso de decisão que outro com mil, não permite a versatilidade que os mercados internacionais exigem.
 Outra das falhas detectadas passa pela inexistência de uma rede de lojas no Douro que permita aos turistas adquirir produtos locais, avançado Jorge Osório um dado que a todos inquieta: “nos barcos-hotel noutras regiões da Europa, cada turista, nos pontos de desembarque, gasta 100 euros em média, no Douro não vai além dos 20 euros porque não tem onde gastar”.
 Num debate realizado ao longo do almoço que teve lugar no Hotel Lamego, embora o vinho, produto que ainda determina a imagem internacional do Douro, tenha integrado o debate, foram os outros produtos da região, como o azeite, que estiveram em destaque, deixando Francisco Pavão um recado.
 “As pessoas têm o Douro como origem de azeite de qualidade, mas nos esforços em curso para criar uma certificação, as associações deparam-se amiúde com dificuldades em encontrar amostras que comprovem essa qualidade”, informou Pavão que também é dirigente associativo de produtores de azeite.
 No que toca aos jovens agricultores, ficou um recado ao governo assumido pela generalidade dos participantes nesta iniciativa em Lamego: “Não se pode desafiar os jovens a apostar na agricultura quando os apoios definidos para o investimento os discrimina”.
 E isso é assim porque, como foi explicado, um jovem agricultor tem “menos de metade das verbas destinadas pelos fundos comunitários a apoiar investimentos”. Os jovens agricultores recebem 20 por cento enquanto um produtor já no terreno recebe 50 por cento. No caso de uma associação os apoios atingem 60 por cento dos fundos.