Há ministros a enriquecer à custa do sofrimento do povo moçambicano

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Moçambique

MoçambiqueO antigo ministro da Informa-ção de Moçambique Jorge Rebelo diz que há ministros “que enriquecem à custa do sofrimento do povo” e afirma-se preocupado ao ver “gente séria” a “ser corrida” do governo.

 “O governo é uma entidade abstrata. Dentro do governo existem ministros, vice-ministros, directores nacionais(…), alguns destes estão a enriquecer à custa do povo. Mas há também gente séria. O que me preocupa é ver esses sérios e honestos a serem corridos de lá”, disse Jorge Rebelo, por ocasião da passagem do 24.º aniversário da morte de Samora Machel.
 Jorge Rebelo foi ministro da Informação no governo de Samora Machel e próximo do pri-meiro Presidente de Moçambique. Depois da morte de Samora não voltou a ocupar qualquer lugar no aparelho do Estado de Moçambique.

 Na terça-feira, numa palestra sobre a vida e obra de Samora Machel, o antigo minis-tro perguntou porque razão Ivo Garrido (ex-ministro da Saúde), “que não é corrupto”, foi “corrido do governo”, ou porque o antigo autarca de Maputo Eneas Comiche, que tentou acabar com a corrupção, “também foi corrido”.
 Jorge Rebelo afirmou que Moçambique vive uma crise de valores e falta de referências e deu o exemplo da “grave crise” de valores junto dos jovens.
 “Olham à volta, veem e ouvem dizer que foram roubados 14 milhões de dólares do BCM, que Carlos Cardoso e Siba-Siba Macuácua foram assassinados porque conheciam e podiam identificar os bandidos, que um ministro utilizou dinheiro do seu Ministério para pagar bolsas de estudo no estrangeiro para os seus filhos”, disse.

 Hoje, acrescentou, Moçambique vive sem referências em matéria de corrupção e degra-dação de valores mas também com políticas que não são eficazes, como na agricultura, onde a “produção de alimentos é um desastre”, ou na indústria, que é “praticamente inexistente”.
 
* GRAÇA MACHEL: “DIRIGENTES DE HOJE NÃO CONSEGUEM DAR EXEMPLO DE TRANSPARÊNCIA

Também Graça Machel, viúva de Samora Machel, aproveitou a efeméride para dizer que os dirigentes de hoje não conseguem dar o exemplo de transparência, honestidade e simplicidade, como no tempo de Samora.

“Naquela época não se falava de corrupção em Moçambique, porque Samora era um homem muito transparente a servir o povo e respeitava a coisa pública”, disse, acrescentando: “hoje, o problema é que os dirigentes não dão exemplo de honestidade nem respeitam os bens públicos”.