Guterres esteve na Cimeira da União Africana e criticou a política americana

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Guterres esteve na Cimeira da União Africana e criticou a política americana de encerramento de fronteiras

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, criticou na quarta-feira o encerramento de fronteiras, dias depois de os Estados Unidos terem fechado durante 90 dias as fronteiras a habitantes de sete países de maioria muçulmana.

 "As fronteiras africanas permanecem abertas para aqueles que precisam de protecção quando muitas fronteiras estão fechadas, incluindo as dos países mais desenvolvidos do mundo", disse Guterres no discurso que proferiu na reunião da União Africana (UA), a primeira em que participou enquanto secretário-geral da ONU, na Etiópia.

 Os países africanos figuram entre os "mais generosos" do mundo para os refugiados, disse Guterres.

 A presidente cessante da Comissão da União Africana, a sul-africana Nkosazana Dlamini-Zuma, também se mostrou preocupada com o novo ambiente internacional, que se traduz em muitas incertezas para o continente africano.

 "É claro que, globalmente, estamos a entrar num período de turbulência; por exemplo, o mesmo país onde o nosso povo foi levado como escravo decidiu proibir os refugiados de alguns dos nossos países", disse Dlamini-Zuma.

  Guterres considerou que a proibição de entrada nos EUA de cidadãos de diversos países, decretado pelo Presidente Donald Trump, viola “princípios básicos” e deve ser eliminado.

 Guterres considerou ainda que as medidas deste decreto migratório, que suspende a entrada nos Estados Unidos de refugiados e cidadãos de sete países de maioria muçulmana, “não são efectivas se o objectivo é realmente evitar a entrada de terroristas”.

 A cimeira dos países da UA, que foi uma das maiores dos últimos anos, deferiu o pedido de Marrocos para a reintegração na organização e elegeu Moussa Faki Mahamat como novo presidente da Comissão.