Grupos Visabeira e Amorim importam experiência na banca angolana

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Grupos Visabeira e Amorim importam experiência na banca angolana

Com um modelo “importado” da experiência do angolano BIC, os grupos portugueses Visabeira e Amorim estão a lançar o Banco Único, em Moçambique, que, juntamente com o início do Banco Nacional de Investimentos, promete mexer com o sector bancário moçambicano.

 De acordo com a folha de informação áfricamonitor (http://www.africamonitor.net),  publicada em Lisboa, que cita analistas do sector, o recém-lançado Banco Único, com 20 milhões de dólares de capital inicial, inspira-se no modelo do BIC de Angola, também participado por Américo Amorim e com homens de negócios política e economicamente influentes entre os seus accionistas.
 Os mentores e impulsionadores são quadros portugueses, considerados muito qualificados nos respectivos mercados e provindos de bancos dominantes.

 No caso do Único, o presidente é João Figueiredo, também detentor de uma participação de 15%, que foi presidente executivo do Millennium bim nos últimos anos e é considerado uma mais-valia, graças ao seu vasto conhecimento do mercado.
 O edifício-sede do banco foi inaugurado em Setembro, tendo o Banco Único iniciado a actividade com cinco balcões, dos quais quatro na cidade de Maputo e um na cidade da Matola.
 O banco é controlado pelos dois grupos portugueses e tem um conjunto de accionistas moçambicanos como o Instituto Nacional de Segurança Social e entidades priva-das como a Rural Consult, DHD, SS e Agro-Alfa – estas duas últimas ligadas respectivamente ao empresário Salimo Abdula e a Mussumbuluko Armando Guebuza.

 Salimo Abdula foi até há pouco presidente da confederação empresarial CTA e Mus-sumbuluko Armando Guebuza é empresário e filho de Armando Guebuza e ambos integram os órgãos directivos do Banco Único.
 O banco entra em concorrência directa com o BCI-Fomento, detido maioritariamente pelo grupo financeiro estatal português CGD e pelo também português Banco BPI e que tem como principal parceiro moçambicano o grupo Insitec.

 A entrada do Banco Único deverá trazer alterações significativas ao panorama bancário de Moçambique, para o que deverá contribuir também o recente Banco Nacional de Investimentos.
 Esta instituição deveria ter um capital de 500 milhões de dólares, mas nasceu apenas com 15 milhões de dólares, devendo o diferencial ser progressivamente subscrito.
 O banco envolve os governos de Moçambique e Portugal, sendo o capital repartido entre o banco público português Caixa Geral de Depósitos e o Estado de Moçambique, ficando reservados 5% ao BCI-Fomento.

 Ainda segundo o Africamo-nitor.net, a capacidade financeira da CGD para subscrever a operação ficou aquém do previsto, e estão agora a ser encaradas soluções como a venda da sua participação maioritária, de 51%, no BCI-Fomento, onde o também português BPI tem 30%.

 O proveito da operação, que poderia ascender a perto de 250 milhões de dólares, serviria para realizar o capital da CGD no Banco Nacional de Investimentos, que tem uma vincada natureza de banco de desenvolvimento.

 Na mais recente lista dos maiores bancos de África por capital publicada pela revista African Business, o Banco BCI surge na 99ª posição, com 106 milhões de dólares, atrás do Millennium bim, na 77ª posição, com um capital de 152 milhões de dólares.