Greve na África do Sul: Sindicatos e entidades patronais chegaram a acordo de princípio

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Greve na África do Sul

Greve na África do SulA Federação das Indústrias de Aço e Engenharia da África do Sul chegou a um “acordo de princípio” com a NUM-SA/Sindicato Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos da RSA para resolver a greve que decorre no país há duas semanas e à qual aderiram mais de 100.000 empregados.

No entanto, a SAMWU/Sindicato dos Trabalhadores Municipais rejeitou a última oferta salarial feita pelo governo local anunciando que só na próxima semana declarará se irá lançar uma greve nacional, dependendo de negociações a decorrer nos próximos dias, relativamente ao Municipal Systems Amendment Act.

 Negociações entre ambos os sectores eram aguardadas na actual semana em curso, no entanto, os sindicatos indicaram que nove regiões já aceitaran a proposta de aumento de 10 por cento, ou seja as entidades patroniais tinham declarado 7% inicialmente, e os sindicatos exigido 13 por cento.
  Assim, os operários voltam ao trabalho dentro de dois dias (segunda ou terça-feira), já que as forças sindicais entendem que os objectivos da greve foram resolvidos. Sabe-se que os sindicatos impuseram que os trabalhadores não-efectivos sejam integrados de modo a passarem a ser efectivos, uma concessão resultante do ajuste entre ambas as propostas.

  Entretanto a Food and Allied Union já manifestou que  2.000 trabalhadores do Sasko Grain Unit  vão aderir à movimentação operária e que o Sindicato Democrático dos Professores pretende ser solidário com o sindicato dos trabalhadores  de energia.
 Numsa indicou que os seus filiados irão regressar ao serviço na próxima terça-feira.
  O director de operações da SELFSA, Lucio Frentini, sublinhou que os trabalhadores, em princípio, concordaram com a nova proposta, ou seja aceitaram que a entidade paronal pague 10 por cento em vez dos 13 por cento exigidos, mas estabeleceram que desejam que os seus filiados não-efectivos o sejam.

 As discussões centraram-se de forma a que a deliberação dos filiados possa ser decidida amanhã (segunda-feira, hoje).
  Karl Cloete, porta-voz da entidade patronal, referiu que que o sindicato NUMSA visa obter dos seus filiados a anuência para terminar a greve, já que o acordo alcançado com as entidades patronais foi “um acordo de princípio”.
  Regista-se que Melanie, representante máxima do sindicato Ceppwawu, salientou na altura que “as entidades empregadoras continuam a insistir o pamento entre 5 e 6 por cento. Nós estamos a exigir o banimento total dos “labour brokers”.

* FALTA DE GASOLINA E GASÓLEO

  Assinala-se que a greve dos metalúrgicos há duas semanas afecta centenas de pequenas, médias e grandes empresas sul-africanas. O sindicato Ceppwawu, que abrange sectores como os combustíveis, papel, impressão, química e madeiras, decretou uma greve nacional para reivindicar um salário mínimo de seis mil randes (625 euros) e um máximo de 40 horas de trabalho por semana para os seus filiados. Outros 170 mil trabalhadores filiados nos sindicatos dos metalúrgicos e indústrias eléctricas, de duas centrais sindicais (COSATU e Solidariedade), entraram na segunda semana de greve reivindicando aumentos salariais entre os 10 e os 13 por cento e a ilegalização das agências de emprego, que acusam de explorar os trabalhadores e contribuir para a precariedade do emprego.

As negociações entre associações patronais e sindicatos mantiveram-se-se num impasse, com as empresas a manterem a oferta inicial de sete por cento de aumentos salariais e o Governo por enquanto a recusar-se a eliminar as agências de emprego do mundo laboral. Com a adesão dos sindicatos representativos dos trabalhadores do sector dos petróleos, levanta-se a possibilidade de a África do Sul vir a sofrer carências de gasolina e gasóleo nas próximas semanas, caso a paralisação se prolongue indefinidamente. Uma porta-voz da maior refinaria sul-africana, a Sapref, na cidade de Durban, garantiu que aquela unidade, responsável pela refinação de 35 por cento de todas as necessidades do país, se manterá operacional.