Governo Regional da Madeira cria gabinete de “Apoio ao Emigrante da Venezuela”

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Governo Regional da Madeira cria gabinete de

O Conselho do Governo Regional da Madeira decidiu na quinta-feira constituir o gabinete de "Apoio ao Emigrante na Venezuela".

 O gabinete tem como objectivo "delinear e implementar uma estratégia transversal a todos os serviços da administração pública regional, por forma a constituir um canal privilegiado de comunicação entre aqueles serviços e todos os emigrantes madeirenses, e respectivas famílias, regressados daquele país", indicou o Conselho.

 Esta decisão surgiu depois de se ter registado um grande aumento do número de luso-venezuelanos que estão a regressar à Madeira.

 Segundo avançou o secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Europeus, Sérgio Marques, terão regressado à Madeira cerca de 4.000 luso-venezuelanos na sequência da crise política e social que se vive na Venezuela.

 “Temos vindo a registar um número crescente de conterrâneos nossos que regressam da Venezuela, isso tem-se vindo a intensificar nas últimas semanas. É notório", disse.

 "Estamos a tentar apurar o número das pessoas que tenham entrado na Madeira com rigor. Todos aqueles [cidadãos] que entram com passaporte português, não há um registo de entrada e por isso temos alguma dificuldade em apurar esse número. De qualquer foram eu estimo que entre 3.000 e 4.000 pessoas possam ter regressado da Venezuela", disse.

 Por outro lado sublinhou esperar "que esse tenha sido um regresso temporário, porque o desejo das pessoas que têm chegado à Madeira, é que uma vez alterada a situação de crise política, económica e social que se vive na Venezuela possam ter condições para de novo retomar a normalidade das suas vidas na Venezuela".

 "Mas é um facto que temos já largas centenas de conterrâneos regressados à Madeira, e é óbvio que esta situação não é uma questão regional, é uma questão nacional, para que a Madeira possa da melhor forma apoiar o regresso de todos estes conterrâneos, tem que contar com a ajuda do Governo da República", frisou.

 "Este é um problema nacional em que todos temos que assumir as nossas responsabilidades, seja o Governo da República, seja o Governo da Venezuela. O que foi dito pelo Secretário de Estado das Comunidades, em nome do Governo português, é que há uma disponibilidade do Governo da República em cooperar com o Governo regional da Madeira no sentido de serem encontradas as melhores formas para apoiar a integração dos conterrâneos que regressam da Venezuela", concluiu.

 

* Portugueses acreditam que vão vencer a crise

 

 Os portugueses radicados na Venezuela acreditam que, tal como aconteceu no passado, vão vencer a crise actual, disse o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, no final de uma visita de quatro dias a Caracas.

 "Levo de todos os portugueses uma mensagem que é exemplar para Portugal, que é a mensagem de pessoas que tendo perdido o seu património, tendo perdido os seus recursos, continuam a olhar para o futuro com esperança, acreditando que vão ser capazes de vencer esta crise. Como nos foram transmitindo, já venceram outras crises no passado recente da Venezuela e essa é a mensagem mais importante e mais forte que pude receber da comunidade", disse.

 José Luís Carneiro falava no sábado à Agência Lusa e à Antena 1, ao finalizar uma visita à Venezuela, durante a qual se fez acompanhar pelo secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Europeus, Sérgio Marques, tendo, além de Caracas, contactado com portugueses de Maracay, Valência, La Guaira e Turumo.

 "Ainda ontem mesmo reuni-me com perto de 300 pessoas, numa sessão que posso designar de diálogos com a comunidade (…) e de todos pude também ouvir palavras de apreço pela forma como num momento tão difícil, o Governo português e o Governo regional da Madeira, estão a cooperar para garantir a presença do Estado português, numa altura tão difícil para a vida dos portugueses que aqui se encontram", frisou.

 Por outro lado explicou que, entre as centenas de portugueses com quem contactou, há "portugueses que estão a viver situações muito graves, muito difíceis do ponto de vista social" e que percebeu que há entre "muitos pequenos e médios empresários, dificuldades grandes".

 Para o secretário de Estado é ideal o método adoptado para trabalhar com as autoridades venezuelanas, o movimento associativo, os serviços consulares e diplomáticos e ainda com estruturas que podem apoiar no terreno aqueles que podem ser alvo de violência.

 "Há três níveis de grande preocupação: a carência alimentar, a carência ao nível da saúde e dos medicamentos e as questões ligadas à insegurança. Eu diria que são as três grandes questões que efectivamente são sentidas por parte de todos os portugueses com quem pude conversar", disse.

 José Luís Carneiro explicou que com a Cáritas foi possível também "verificar que há uma situação de crise social muito grande e que essa crise resulta também de uma situação de crise económica que se tem vindo a degradar e a aprofundar nos últimos tempos".

 "Do contacto com as autoridades obtivemos respostas que consideramos positivas. É importante que essas manifestações de intenção tenham resultados concretos, nomeadamente no apoio à reabertura dos estabelecimentos de portugueses e ao mesmo tempo também em relação à procura de garantia de segurança para aqueles que querem aqui desenvolver as suas vidas", disse.

 O secretário de Estado das Comunidades regressa a Lisboa "com o sentimento e a consciência de que foi muito importante" a visita, porque permitiu "dar uma outra tranquilidade aos portugueses" da Venezuela e transmitir-lhes que "estamos disponíveis para os ouvir e para mobilizar os apoios possíveis num quadro difícil, aos serviços consulares e ao movimento associativo".

 "Foi possível também tomar algumas decisões que são muito relevantes para o futuro, nomeadamente a decisão de, a partir do fim do mês de junho, princípio do mês de julho, a equipa dos conselheiros sociais, juntamente com os nossos cônsules, deslocar-se aos locais mais periféricos da Venezuela, que estão na fronteira com outros países e acompanhar e verificar as condições em que essas famílias estão a viver", explicou.

 Da sua parte assumiu "o compromisso de tudo fazer para participar na abertura dessas sessões com as famílias que estão mais afastadas dos grandes centros urbanos, neste caso mais afastadas dos serviços consulares e da Embaixada de Portugal".

 

* Escolas da Madeira com alunos provenientes da Venezuela

 

 Cerca de 30 alunos provenientes da Venezuela ingressaram nos estabelecimentos de ensino da Madeira, após terem regressado à região, revelou o diretor regional da Educação, Marco Gomes.

 "Há pelo menos mais de 30 alunos que, durante este ano lectivo, já vieram da Venezuela. Este é o número que temos neste momento", declarou, à margem das comemorações dos 50 anos do Colégio Santa Terezinha, no Funchal.

 De acordo com o responsável, trata-se sobretudo de alunos do ensino básico e “um ou outro para o secundário”, explicou.

 A situação política e social da Venezuela tem provocado o regresso de lusodescendentes para a Madeira e, no que concerne ao ensino na região, o governante garante que têm sido integrados no sistema.

 "Embora tenhamos aqui alguma dificuldade, muitas vezes, em ter a documentação que a legislação exige em termos de equivalência, damos uma resposta e integramos os alunos naquilo que é o ano e também uma resposta em termos daquilo que é o domínio da língua", referiu.

 Garantiu ainda que as "escolas têm professores devidamente habilitados", que fazem "uma espécie de teste de diagnóstico para saber a que nível do domínio da língua o aluno se coloca e, em função disso, são dadas respostas de apoio alternativo e complementar ao português e a outras disciplinas", concretizou.

 Disse ainda que não prevê "dificuldades de maior para este regresso”.