Governo quer atingir taxa de desemprego inferior à herdada

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Governo quer atingir taxa de desemprego inferior à herdada

O ministro da Economia, Pires de Lima, reiterou o objectivo do Governo de terminar a legislatura com uma taxa de desemprego inferior à que herdou quando tomou posse.

 Pires de Lima, que falava em Albergaria-a-Velha, no 4º Fórum Empresarial do Distrito de Aveiro, salientou que o desemprego ainda “continua alto, em 13,1%, mas muito melhor do estava há um ano e dois meses, quando a taxa se situava nos 17,7 por cento”, e disse que a expectativa é terminar a legislatura com uma taxa mais baixa do que em junho de 2011.

 Para o governante a redução do desemprego tem de resultar de um esforço conjunto feito em articulação com os empresários e o meio científico, mas sublinhou que a des-cida do desemprego tem ocorrido de forma consistente.

 “Nos últimos meses foram criados quase 100 mil postos de trabalho líquidos”, afirmou, num discurso em que fez menção a vários indicadores, sem alinhar, contudo, com um dos empresários presentes, Flausino Silva, que antes referiu preferir não ler, ouvir e ver a visão “catastrófica” transmitida pelos órgãos de comunicação social portugueses.

 Pires de Lima disse não se queixar da comunicação social. “Não me queixo da comunicação social, mesmo se preciso de ser mais criativo ou excêntrico para fazer passar mensagens mais positivas da economia”, comentou.

 O ministro salientou que o país “está hoje melhor” após o ajustamento, com indicadores que revelam que “está a crescer, que se consegue financiar nos mercados e com o desemprego a descer, superando as previsões mais optimistas”.

 Fernando Paiva de Castro, vice-presidente da Associação Industrial do Distrito de Aveiro, cuja intervenção antecedeu a do ministro, apontou vários problemas, como o excesso de regulamentação e burocracia, o excessivo peso dos encargos sociais e da fiscalidade, ou a factura energética que retira competitividade aos empresários.

 “Os incentivos ao investimento não podem ser só para estrangeiros”, criticou.

 A única questão colocada por Fernando Paiva a que Pires de Lima respondeu foi à pergunta sobre quando seria instalado o Banco de Fomento, explicando o ministro que o processo teve os seus tempos de tramitação e deverá avançar em novembro.

 O ministro disse, no entanto, não acreditar que o Banco de Fomento vá fazer o milagre de resolver a dificuldade de financiamento da economia, por si só, esclarecendo que vai actuar com vocação grossista, em parceria com a ban-ca comercial.

 O que o Banco de Fomento pode vir a contribuir, acredita Pires de Lima, é para a reforma estrutural da capitalização das pequenas e médias empresas, ajudando na estrutura de capitais próprios, para alimentar o investimento das empresas no seu crescimento.

 Tal será feito, adiantou, oferecendo instrumentos que, se necessário, possam ser convertíveis em capital: “a grande mudança a operar é que o Banco de Fomento possa ajudar as PME a terem estruturas de capitais mais sólidas, que lhes permitam agarrar oportunidades de crescimento com balanços sólidos”, finalizou.