Governo português transmite a Moçambique preocupação com crescente insegurança

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 O Governo de Portugal transmitiu ao embaixador de Moçambique em Lisboa “forte preocupação para com a percepção de crescente insegurança” de cidadãos portugueses no país africano, agravada com o rapto e homicídio do empresário José Paulo Antunes Caetano.

 Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros referiu que o director-geral de Política Externa do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Pedro da Costa Pereira, transmitiu ao embaixador Joaquim Bule que “essa percepção se tem vindo infelizmente a reforçar com vários episódios marcados pelo desaparecimento ou morte de portugueses e agravou-se depois de conhecidas as circunstâncias em que ocorreu a morte do cidadão José Paulo Antunes Caetano, a 11 de Novembro de 2018”.

 Na reunião, “foi sinalizada a prioridade que o Governo português atribui às condições de segurança em que vive a numerosa comunidade portuguesa em Moçambique, a qual contribui activamente e muito significativamente para o desenvolvimento económico e social” do país.

 Com o propósito de “assegurar as melhores condições de segurança” aos portugueses em Moçambique, o Governo português manifestou “o total empenho em explorar com as autoridades moçambicanas as potencialidades do conjunto de instrumentos bilaterais em vigor e a possibilidade de criação de novos mecanismos que permitam uma troca adequada de informações entre Portugal e Moçambique”.

 O embaixador de Moçambique em Lisboa “foi igualmente informado de que o Governo português tenciona reforçar as medidas de informação e de sensibilização dos cidadãos nacionais que se desloquem ou residam em Moçambique”.

 O corpo de José Paulo Antunes Caetano foi encontrado sem vida no penúltumo domingo, perto de Maputo, capital de Moçambique, depois de ter sido pago o resgate exigido logo após o rapto do empresário.

 Outro empresário, Américo Sebastião, foi raptado e continua desaparecido desde a manhã de 29 de Julho de 2016, em Nhamapadza, distrito de Maringué, no centro de Moçambique.

 Américo Sebastião foi raptado numa estação de abastecimento de combustíveis por homens fardados, que algemaram o empresário e o colocaram dentro de uma das duas viaturas descaracterizadas com que deixaram o posto de abastecimento de combustíveis.

 Portugal ofereceu por várias vezes a cooperação judiciária e judicial acordada entre os dois países para tentarem localizar Américo Sebastião, mas as autoridades moçambicanas recusaram.

 

* Polícia moçambicana procura pistas no telemóvel do empresário português

encontrado morto

 

 A polícia moçambicana está a tentar extrair informação do telemóvel do empresário português encontrado morto, no penúltimo domingo, na província de Maputo, para chegar aos autores do crime, disse fonte daquela força de segurança à Lusa.

 A vítima tinha “um aparelho telefónico e ao nível da investigação criminal” a polícia está a averiguar a “possibilidade de extrair alguma informação” do dispositivo, disse Juarce Elias Martins, chefe provincial de Relações Públicas da Polícia da República de Moçambique (PRM).

 De acordo com aquela força de segurança, há indícios de que o empresário de maquinaria e construção civil, José Paulo Antunes Caetano, de 51 anos e que vivia há oito em Moçambique, tenha sido raptado na sexta-feira, pelas 10:00, por alguém conhecido.

 “Ele estava na empresa a trabalhar e há um momento em que sentiu necessidade de se ausentar para se encontrar com determinadas pessoas”, referiu Elias Martins.

 “Não temos a descrição dessas pessoas, talvez a investigação permita saber”, acrescentou.

 O relato de uma funcionária indicia que “o rapto em si não tenha sido violento” e que provavelmente o empresário “se tenha sentido à vontade para lidar com as pessoas” que depois o levaram.

 O crime terá acontecido na zona de Mussumbuluco, na Matola, subúrbios da capital, Maputo, perto das instalações da empresa, acrescentou.

 De acordo com o dirigente policial, a PRM só foi alertada no sábado por uma secretária da empresa da vítima, a JP Investimentos, dedicada ao apoio a empreitadas de construção civil, nomeadamente, aluguer de máquinas.

 O corpo viria a ser encontrado pelas 14:00 de penúltimo domingo numa pedreira abandonada na zona de Moamba, a cerca de 70 quilómetros de Maputo, nas imediações da estrada que liga a capital moçambicana à África do Sul.

 Ainda de acordo com a polícia, a vítima apresentava sinais de ter sido atingida com uma faca no pescoço e no braço.

 O português foi encontrado depois de ter sido pago o resgate exigido, disse o secretário de Estado das Comunidades português, José Luís Carneiro.

 O governante referiu que os casos ocorridos em Moçambique “não contribuem para a confiança dos investidores” e que Portugal já manifestou “toda a disponibilidade” para acompanhar a família nas “diligências judiciárias que estão em curso, depois de apresentadas queixas junto das autoridades moçambicanas”, que estão a investigar o caso.

 Uma portuguesa, Inês Botas, 28 anos, que trabalhava para a empresa Ferpinta na cidade da Beira, centro de Moçambique, foi assassinada em Dezembro de 2017.

 Três homens foram acusados do crime, incluindo o preparador físico da vítima, mas o julgamento nunca se chegou a realizar e um dos suspeitos fugiu da prisão ainda este mês.

 Ainda em Dezembro de 2017, poucos dias depois da morte de Inês Botas, uma cidadã portuguesa com cerca de 70 anos morreu na província de Manica, centro do país, na sequência de um assalto à sua residência.

 Continua também por esclarecer o desaparecimento do empresário Américo Sebastião, raptado em Nhamapadza, distrito de Maringué, província de Sofala, no centro.