Governo português recorre a serviços externos para reforçar Consulados em Luanda e Joanesburgo

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Governo português recorre a serviços externos para reforçar Consulados em Luanda e Joanesburgo

O secretário de Estado das Comunidades disse no sábado à Lusa que o Governo português está a introduzir "alterações muito significativas" nos Consulados em Luanda e Joanesburgo, com recurso a serviços externos e contratações locais para conseguir responder à procura.

 Em Luanda, o Consulado português com maior movimento de vistos em todo o mundo, o Governo avançou com a criação de um "call center" com 16 novos funcionários, recrutados através de uma empresa externa, que "completam o trabalho" dos já existentes no local, informou José Cesário à Lusa em Maputo, onde se encontrava no âmbito de uma viagem à África do Sul, Angola, Moçambique e Suazilândia.

 O secretário de Estado das Comunidades referiu que em Luanda foi registado há cerca de um mês um pico de 375 pedidos de vistos diários, que "o Consulado não conseguiu corresponder", e que, "a partir de agora, após uma fase de transição para recuperar o trabalho em atraso, já é possível responder por excesso à procura".

 "É necessário manter com as autoridades angolanas uma relação muito directa, de ma-neira a que se perceba que estamos realmente a ultrapassar alguns problemas sérios que têm limitado o acesso de cidadãos angolanos a Portugal", declarou.

 Em Joanesburgo, o Governo compensou a saída de várias funcionárias, "que se estava a reflectir no atendimento", com um contrato celebrado com um prestador de serviços externo, a VFS Global, que actua em 45 países e que já começou também a trabalhar com Portugal.

 José Cesário adiantou que em Moçambique também foram dadas instruções para se encontrar um prestador de serviços externo, atendendo à perspectiva de aumento de procura de serviços.

 "Se Moçambique tiver o desenvolvimento que desejamos no prazo de alguns anos, vai haver muitos cidadãos a viajar pelo mundo, muitos mais que hoje e temos de nos preparar para esse embate", afirmou, mencionando que é desejo de Portugal estabelecer um acordo de facilitação de vistos com Moçambique, à semelhança do que já existe com Angola, dirigido a alguns sectores específicos, como negócios, desporto ou cultura.

O secretário de Estado, que chegou na quinta-feira a Maputo, manteve também contactos com o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros mo-çambicano, bem como com o secretário permanente do Ministério do Interior e com a procuradora-geral da República, para discutir os raptos que se têm vindo a verificar no país desde há uns anos e que atinge também a comunidade portuguesa.

 "Disse-lhes relativamente a este aspecto que continuamos a estar absolutamente disponíveis para fornecer apoio", assinalou José Cesário, acrescentando que foi também transmitida "preocupação" às autoridades moçambicanas, uma vez que, "apesar de ter havido uma redução de raptos, eles continuam a acontecer".

 O secretário de Estado das Comunidades viajou ontem, domingo, para a Suazilândia, onde terminou esta viagem à África austral.