Governo português optimista com as exportações

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Governo português optimista com as exportações

As projecções do Governo português para a evolução das exportações líquidas são “muito optimistas” considera a Unidade Técnica de Apoio Orçamental da Assembleia da República (UTAO).

 Numa versão preliminar de um parecer sobre o Documento de Estratégia Orçamental 2012-16 (DEO), os técnicos da UTAO notam que “as projecções do Ministério das Finanças para o saldo ex-terno se revelam muito otimistas quando comparadas com outras referências”, nomeadamente a Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional.
 As projecções do Governo para o crescimento das exportações portuguesas entre 2012 e 2016 estão pelo menos um ponto percentual por ano acima do esperado pela Comissão e pelo FMI.
 “[O Governo] poderá estar a atribuir um peso excessivo às exportações líquidas enquanto motor do crescimento económico”, escrevem os técnicos da UTAO.
 Segundo a versão preliminar deste parecer, que já foi distribuída aos deputados da comissão parlamentar do Orçamento, “o contributo das exportações líquidas para o crescimento do produto” previsto pelo Governo é “cerca de duas vezes superior ao previsto” pelo FMI.
 “À luz das projecções do FMI, o Ministério das Finanças poderá estar a atribuir um peso excessivo às exportações líquidas”, que poderão “não estar suficientemente sustentadas”.

 Os técnicos de apoio orçamental referem ainda que o DEO tem subjacente “um ganho de quota de mercado” para as exportações portuguesas “que não se observava em projecções anteriores”.
 No cenário macroeconómico incluído no DEO, o Governo reviu em alta as suas previsões para a evolução das exportações, e do contributo do comércio internacional para a evolução do PIB.
 O Governo espera agora que as exportações cresçam 3,4 por cento este ano, e 5,6 por cento em 2013; nos anos seguintes, o Executivo prevê que as exportações cresçam a um ritmo acelerado, culminando num crescimento de 6,9 por cento em 2016.

* Exportações cresceram 11,6% no 1º trimestre

 As exportações portuguesas cresceram 11,6% no primeiro trimestre de 2012 relativamente ao mesmo período do ano anterior, segundo dados do Instituto de Estatística.
Apesar desta forte taxa de crescimento, as estatísticas do Comércio Internacional do INE apontam que em março este ritmo de crescimento abrandou: depois de taxas de aumento acima dos 13 por cento em janeiro e Fevereiro, as vendas de bens portugueses tiveram um crescimento homólogo de 8,8 por cento em março.
 Este crescimento registou-se sobretudo nos mercados extracomunitários, onde o aumento atingiu os 32,3 por cento. As exportações para a União Europeia cresceram 5,4 por cento no primeiro trimestre. As exportações para fora da UE já representam mais de um quarto do total.
 As categorias de produtos onde houve maiores crescimentos nas exportações durante o primeiro trimestre foram combustíveis (mais 80,6 por cento), máquinas e outros bens de capital (mais 22,2 por cento), produtos alimentares e bebidas (mais 13,5 por cento) e material de transporte (mais 12,4 por cento).
 Pelo contrário, as importações continuaram a cair no primeiro trimestre, tendo-se reduzido 3,3 por cento face ao mesmo período do ano anterior.
 O contributo do comércio internacional é considerado vital pelo Governo para o crescimento da economia nos próximos anos.
 Para 2012, o Executivo espera que as exportações portuguesas cresçam 3,4 por cento (em volume, não em termos nominais).