Governo moçambicano pede ajuda para pobres na questão climática

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Copenhaga

CopenhagaA conferência de Copenhague deveria aprovar “financiamentos de grande envergadura” para que os países pobres possam ter infra-estruturas capazes de conviver com as alterações climáticas.

 É isso que nós, “como entidade de prevenção, gostaríamos”, disse o presidente do Instituto Nacional de Gestão das Calamidades (INGC) de Moçambique, João Ribeiro, preconizando também para os países pobres maior capacidade de previsão e de colher informações sobre alterações climáticas.

 A Conferência da ONU sobre o clima está a decorrer em Copenhague desde o passado dia 7, devendo terminar a 18 de Dezembro e visa concluir um acordo que entre em vigor antes de expirar a primeira fase do Protocolo de Quioto, em Janeiro de 2013, para travar de forma vinculativa as emissões de dióxido de carbono.

 Moçambique é um país vulnerável às alterações climáticas e já está sentindo o seu efeito, como disse o responsável. O norte do país é mais propenso a ciclones, o centro a cheias e o sul a secas, fenómenos que se têm acentuado nos últimos anos.

 As secas prolongadas em Moçambique aconteciam normalmente “de cinco em cinco ou dez em dez anos, mas agora praticamente são seguidas”, o mesmo acontecendo com as cheias, que aconteceram em três anos consecutivos, quando eram de cinco em cinco anos.
 “Tivémos cheias em 2007, 2008 e 2009, este ano também tivémos só que não declaramos o estado de emergência porque não havia pessoas em perigo e também não houve muitos estragos na agricultura”, disse João Ribeiro.

 Tegegnework Gettu, director do gabinete regional para África do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) diz que não só Moçambique mas toda o continente “está muito vulnerável às alterações climáticas”, que irão provocar “da-nos graves no bem-estar da humanidade num continente que já está a debater-se com uma pobreza bem enraizada, ecossistemas degradados e conflitos civis”.
 Na África, 70% da população vive em zonas rurais e depende da agricultura. “As alterações climáticas irão afectar os agricultores desde a região do Sahel até à região montanhosa do Lesoto. A elevação da temperatura pode levar a uma nova epidemia de doenças transmitidas por mosquitos em países como Quénia e Uganda.

 As tempestades e as cheias provavelmente irão aumentar, devastando as infra-estruturas vitais e as habitações em Madagáscar, em Moçambique e muitas outras zonas costeiras”, diz o responsável num depoimento sobre a Conferência de Copenhague.
 Num estudo feito pelo governo de Moçambique preconiza-se que dentro de 40 a 50 anos deverão aumentar os fenómenos naturais e algumas cidades podem ser inundadas e vastas regiões serão afectadas pela salinização dos rios, alerta João Ribeiro.

 No entender do responsável, negociar cotas de carbono não é solução. “Reduzir a emissão de gases passa por um aperfeiçoamento para a redução, não é poluir uns para outros receberem o dinheiro das quotas de carbono. Os países pobres precisam de se desenvolver”.
 O responsável pelo aparelho do Estado na resposta a qualquer calamidade garante que o país está preparado para intervir e que hoje, ao contrário do que aconteceu no passado, há uma estrutura organizada para lidar com essas situações.
 Moçambique tem um Centro Nacional Operativo de Emergência e é através dele que se coordenam todas as operações. Todos, parceiros e organizações, podem participar, “mas as decisões têm de sair do Centro, para não haver sobreposições”, disse João Ribeiro.
 E garante que hoje doações para vítimas de catástrofes, desde que entregues no INGC, serão para as vítimas e não aparecerão à venda nos mercados, como aconteceu no passado.