Governo moçambicano e Renamo a caminho do entendimento

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Governo moçambicano e Renamo a caminho do entendimento

Portugal poderá vir a integrar o grupo de países convidados a observar o processo de cessar-fogo entre os homens armados da Renamo, maior partido da oposição, e o Exército de Moçambique, noticiaram sábado os media moçambicanos.

 O Governo de Maputo e a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) chegaram na sexta-feira a acordo quanto à lista de países que irão observar o processo de negociação, que visa o fim das hostilidades militares entre as Forças de Defesa e Segurança de Moçambique e os homens armados do partido liderado por Afonso Dhlakama.

 Segundo avançou a estação pública Televisão de Moçambique (TVM), África do Sul, Zimbabwé, Cabo Verde, Botswana, Quénia, Portugal, Grã-Bretanha e os Estados Unidos serão os países convidados pelas partes.

 “Achamos que estes países são amigos de Moçambique e contribuem grandemente para a nossa vida económica social. Esses países conhecem a realidade de Moçambique”, explicou o chefe da delegação negocial da Renamo, Saimone Macuiane.

 De acordo com o deputado da Renamo, os países em causa vão ser contactados

brevemente no sentido de nomearem representantes, devendo, nos próximos dias, ser definido o formato da participação dos observadores.

 “Há muitos bons passos. É nossa expectativa que na próxima ronda e em mais duas fecharemos os termos de referência e avançaremos para outros pontos da agenda”, previu o chefe da delegação do Governo moçambicano, José Pacheco.

 A crise político-militar, motivada por desentendimentos entre a Renamo e o Governo moçambicano em torno da lei eleitoral do país, arrasta-se há sensivelmente um ano, com o registo de vários incidentes armados, que provocaram dezenas de mortes, incluindo de civis.

 A revisão do pacote eleitoral, em Fevereiro, e já aprovado pelo parlamento moçambica-no, não culminou com a cessação das investidas militares entre as partes, como era esperado, estando agora as negociações centradas na desmilitarização da Renamo.

 O fim das hostilidades poderá abrir espaço para o reaparecimento público de Afonso Dhlakama, que se encontra em “parte incerta” há vários meses, depois da tomada, pelo exército moçambicano, de uma antiga base militar da Renamo na região centro de Moçambique.