Governo escolhe Carlos Moedas para novo Comissário Europeu de Portugal em Bruxelas

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Governo escolhe Carlos Moedas para novo Comissário Europeu de Portugal em Bruxelas

O Governo escolheu Carlos Moedas, actual secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, para novo comissário europeu de Portugal em Bruxelas.

  Depois de muita especulação sobre o nome que iria ocupar o cargo, designadamente o da actual ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, Carlos Moedas será quem irá ocupar o cargo em Bruxelas.

  A decisão foi tomada na quinta-feira à noite pelo primeiro-ministro, Passos Coelho, após falar com o recém-eleito presidente do Parlamento Europeu, Jean-Claude Juncker. Com esta nomeação, caberá a Portugal uma pasta menos forte do que a pretendida.

 

* Perfil do novo comissário europeu

 

  Há três anos a ocupar o cargo, Carlos Moedas foi um dos protagonistas nas negociações com os representantes do Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia (troika).

  Em vésperas de completar 44 anos, a 10 de Agosto, Carlos Moedas nasceu em Beja e licenciou-se em Engenharia Civil pelo Instituto Superior Técnico em 1993, fez o último ano do curso na École Nationale des Ponts et Chaussées de Paris e trabalhou até 1998 na área de engenharia para o grupo Suez Lyonnaise des Eaux, em França.

  No seu percurso profissional, o novo comissário europeu integrou a equipa do banco de investimento Goldman Sachs – na mesma altura em que António Borges trabalhou na instituição -, na área de fusões e aquisições, e foi gestor de projectos para o grupo Suez, em França, entre 1993 e 1998.

  Trabalhou no Eurohypo Investment Bank e dirigiu a consultora imobiliária Aguirre Newman quando regressou a Portugal, em agosto de 2004, onde foi administrador delegado até Novembro de 2008, altura em que criou a empresa de gestão de investimentos Crimson Investment Management.

  Coordenador do sector económico do Gabinete de Estudos do PSD, Carlos Moedas foi cabeça de lista por Beja nas últimas legislativas, tendo sido eleito, passando o PSD a ter um deputado por aquele distrito pela primeira vez desde 1995.

Carlos Moedas fez parte da equipa social-democrata que negociou a aprovação do Orçamento do Estado para 2011, ao lado de Eduardo Catroga.

 

* Carlos Moedas "será um excelente comissário" –  diz Passos Coelho

 

 O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, disse, no Algarve, que Carlos Moedas se-rá um "excelente comissário" e que poderá "desempenhar variadíssimas funções".

 

 "Foi a melhor escolha. O nome que apresentei é um bom nome, não tem nenhuma limitação que implique uma menorização. Será um excelente comissário, que poderá desempenhar variadíssimas funções", disse Passos Coelho, no Algarve, onde está a passar férias.

 Passos Coelho indicou Carlos Moedas, até agora secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, para integrar a futura Comissão Europeia, liderada por Jean-Claude Juncker.

 Em reacção a esta nomeação, o secretário-geral do PS disse que a Carlos Moedas falta peso político, prestígio europeu e que se trata de uma escolha "estritamente partidária".

O Bloco de Esquerda considerou que a escolha serve para o Governo recompensar “descaradamente” as negociações com a ‘troika’ que, segundo o partido, instalaram a austeridade em Portugal.

 O PCP lamentou a opção por um "rosto da ‘troika’" e lembrou o passado profissional de Carlos Moedas, em bancos de investimento multinacionais.

 Do lado dos partidos do Governo, o PSD caraterizou o comissário indigitado como um "rosto inconformado" com a situação económica de Portugal.

 O CDS-PP considerou “boa e pacífica” a escolha de Carlos Moedas para comissário europeu, sendo “o rosto do sucesso possível” do fim da ‘troika’ que os socialistas trouxeram.

 

* Jardim saúda escolhade Moedas, "pessoa amiga" da Madeira  na Comissão

 

 O presidente do Governo da Madeira disse ter ficado satisfeito por a região poder contar com “uma pessoa amiga”, o comissário europeu Carlos Moedas, admitindo que ficaria “com pena” se fosse a ministra das Finanças a deixar o Governo.

 “Fico satisfeito por ter uma pessoa amiga na Comissão Europeia”, afirmou Alberto João Jardim aos jornalistas à margem da visita que efectuou ao ‘quartel-general’ da organização do Rali Vinho Madeira que foi para a estrada.

 Comentando a anúncio hoje do nome do secretário de Estado de Estado adjunto do primeiro-ministro, como a pessoa escolhida por Pedro Passo Coelho para representar Portugal na Comissão Europeia, integrando a equipa do sucessor de Durão Barroso, o luxemburguês Jean Claude Juncker”, o líder madeirense acrescentou ser Carlos Moedas “foi um aliado” da Madeira “neste percurso do plano de ajustamento económico e financeiro”.

 “Não tenho razão de queixa dele, pelo contrário”, sublinhou Jardim, adiantando que a região “encontrou sempre a maior colaboração” por parte de Carlos Moedas, mencionando que este “teve sempre a porta aberta” para o secre-tário regional do Plano e Finanças da Madeira.

 “O dr. Moedas tem bastante experiência em liderar no meio financeiro internacional porque era ele propriamente o homem de mão do primeiro ministro que todos os dias trabalhava com a ‘troika’”, sublinhou o governante regional.

 Jardim sustentou que ficaria com “muita pena que as ministra das Finanças saísse, porque a ministra tem sido de uma grande colaboração com o Governo Regional, que o anterior ministro não tinha”.

 “Estamos muito gratos à senhora porque tem ajudado”, vincou o presidente do executivo madeirense, mencionando que ainda o secretário re-gional das Finanças da Ma-deira comunicou no conselho do governo insular que “estava fechada uma negociação que não foi fácil”.

 “Não posso entrar ainda em pormenores porque ainda não foi assinada, não vá o diabo à ultima da hora tece-las, mas uma negociação que alivia no tempo a dívida da Madeira à construção civil que era a maior fatia da dívida da Madeira”, explicou.

 Jardim vincou “não haver dúvida a senhora [ministra das Finanças] e os secretários das Finanças deram uma enorme colaboração para a negociação junto da banca”.

 Ainda sobre a escolha do comissário, o presidente do go-verno da Madeira apontou que esteve em causa um critério de discriminação sexual.

 “A leitura que faço é esta: obviamente que tem a preocupação na Comissão Europeia de fazer o equilíbrio de sexos. Até o século XX vivemos sem discriminação sexual e agora entrou-se outra vez na discriminação sexual quando se diz que tem que estar x homens e x mulheres”, realçou Jardim, salientando que com esta política “as pessoas não valem pelos seus valores, mas pelas miudezas”.

 “Isto são tudo coisas que an-dam na União Europeia e deve ter havido uma dessas preocupações, queriam que Portugal fosse o país a avançar com uma senhora, ao primeiro ministro, como se viu, não interessava dispensar a ministra das Finanças e daí esta solução”, concluiu.

 

* Poiares Maduro  destaca “perfil internacional”  de Carlos Moedas

 

 O ministro-adjunto e do De-senvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, classificou a indicação de Carlos Moedas para comissário europeu como uma "boa escolha", destacando a importância do "perfil internacional" do mes-mo.

 "Claro que é uma boa escalha. O engenheiro Carlos Moedas é uma pessoa extraordinariamente competente, muito trabalhadora, muito dedicada, que deu provas de grande dedicação no desempenho das tarefas que teve no Governo e é alguém que também tem um perfil internacional", referiu em declarações à agência Lusa.

 Miguel Poiares Maduro sublinhou que "esse perfil internacional é particularmente im-portante para funções a nível europeu" e acrescentou que só tem pena de perder "um bom colega e um bom amigo no Governo".

 Miguel Poiares Maduro falava na aldeia do xisto de Janeiro de Cima, no concelho do Fun-dão, à margem do roteiro por Territórios de Baixa Densidade, na Lousã. O ministro passou por Pampilhosa da Serra, Janeiro de Cima, Fundão e à tarde seguiu para a Covilhã, Belmonte e Sabugal.