Governo de Pretória preocupado com escalada da guerra comercial entre Estados Unidos e China

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 A África do Sul continuará a sofrer um “dano colateral” na escalada da guerra comercial entre a China e os Estados Unidos, disse o, prevendo um aumento ministro do Comércio e Indústria, Rob Davies preocupante nas acções unilaterais de vários países.

 O governante duvidou da capacidade da Organização Mundial do Comércio (OMC) de resolver o impasse, afirmando que a organização foi prejudicada pelo bloqueio, por parte dos Estados Unidos, das nomeações para o órgão de apelação, que resolve as disputas entre os países membros.

 Rob Davies adiantou em declarações à Agência de Notícias Africana, à margem de uma reunião da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico, em Paris, que a África do Sul já foi afectada pelas tarifas impostas pelos EUA, relativamente aos produtos de aço e alumínio, na fase inicial da actual guerra comercial entre as duas potências mundiais.

 “Apesar de não sermos um alvo importante, fomos afectados e afirmei que éramos um dano colateral nesta guerra comercial”, salientou o ministro, acrescentando que a disputa constitui realmente uma manifestação das principais economias do mundo pela supremacia tecnológica.

 “É sobre liderança ou hegemonia relativamente à quarta revolução industrial – cujas tecnologias serão as tecnologias dominantes no futuro”, sublinhou.

 O ministro adiantou que a África do Sul não apoiaria uma reivindicação em detrimento de outra, mas sim, advogaria por uma distribuição equitativa.

 “Queremos ser capazes de escolher as tecnologias que melhor se adequam aos desafios de desenvolvimento do nosso país, e às nossas próprias decisões soberanas que podemos tomar”, afirmou Rob Davies.

 “É um braço-de-ferro muito sério entre as duas maiores economias do planeta e tenho certeza que terá todos os tipos de implicações para o crescimento da economia mundial e que, neste momento, não entendemos exactamente o que serão”, afirmou.

 Rob Davies considerou “ser difícil” para a OMC intervir, já que “não há jurisprudência sobre segurança nacional como justificativa para o não cumprimento de regras multilaterais de comércio”.

 Além disso, acrescentou o ministro sul-africano, “é improvável que o órgão de apelação da OMC possa funcionar além de Dezembro, já que a rejeição das nomeações pelos EUA significa que o órgão provavelmente não terá quórum necessário para tal”.

 “A desactivação do órgão de apelação provavelmente significará que não vai haver nenhuma [jurisprudência] num futuro próximo e provavelmente veremos uma série de ações unilaterais a esse respeito”, salientou.

 “Do nosso ponto de vista, em termos gerais, como do da maioria dos países em desenvolvimento, pensamos que as regras multilaterais em que todos temos voz – mesmo que a nossa opinião seja desigual – são melhores do que o unilateralismo total”, considerou.

 Rob Davies reiterou a posição de neutralidade da África do Sul na questão sobre a Huawei, na sequência da decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, em incluir a empresa chinesa numa “lista negra” de negócios, e da decisão da Google em suspender alguns negócios com aquela firma.

 “Não discriminamos esses problemas. Todos os que investem na economia sul-africana recebem um tratamento nacional”, disse Davies.

 “As decisões que tomaremos sobre o uso de tecnologias de uma determinada empresa serão baseadas na avaliação da tecnologia e no valor inerente da proposição. Não que-remos boicotar ninguém, mas, ao mesmo tempo, podemos ver que algumas das implicações vão afectar clientes na África do Sul, relativamente ao acesso a plataformas específicas quando compram determinados produtos. Achamos que é um desenvolvimento infeliz”, sublinhou.

 Rob Davies, que é ministro do Comércio e Indústria desde 2009, considerou em for-ma de “balanço” que apesar dos desafios do executivo, a política industrial de Pretória “fez a diferença, onde foi aplicada”.

 “O problema com a política industrial tem sido a falta de coesão e a falta de aplicação sistemática entre governos, e nesse sentido espero que a nova configuração do executivo seja capaz de superar a falta de acção consequencial de todos que precisam estar envolvidos para fazer as coisas funcionarem”, declarou.