Gordhan apela ao país a levantar-se contra a corrupção no Governo do ANC

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Pravin Gordhan, o anterior ministro das Finanças da África do Sul, apelou à sociedade sul-africana a levantar-se contra o que qualificou de corrupção megalómana que afecta a administração do Estado, durante um debate académico realizado na quarta-feira em Joanesburgo.

 “Se continuarmos em silêncio, vamos ter de lidar com mais uma década desastrosa e de pelo menos uns dez anos a recuperar-nos da crise”, afirmou Gordhan.

 “Este país é nosso e ninguém deve ser autorizado a tirar o que é nosso”, adiantou.

 Participando num debate sobre a corrupção e uso privado na administração do Estado e transformação económica radical, organizado pela Universidade de Joanesburgo, Pravin Gordhan disse que a corrupção que tomou conta do Estado sul-africano, governado pelo Congresso Nacional Africano (ANC), provocou um “sério declínio na nossa moralidade e uma erosão da qualidade da actuação governativa”.

 “A sociedade sul-africana já começa “a misturar a fronteira do que é certo com o que é errado”, afirmou Parvin Gordhan na sua intervenção.

 “Quantos de vocês é que aceitariam um suborno de 600 milhões de randes dos Guptas?”, perguntou o antigo ministro das Finanças, respondendo que “aqui está, perante vocês, uma pessoa a quem lhe foi oferecido tal suborno, mas que rejeitou dizendo, fiquem com o dinheiro”, referindo-se às alegações do seu vice-ministro Jonas Mcebisi segundo as quais os Guptas ofereceram-lhe pessoalmente esse valor como tentativa de suborno.

 “O Jonas não estava preparado a vender a soberania do Estado. Há muitos nas nossas organizações que estão à espera de ver para o pêndulo cai. É chegado o momento de tomarem uma decisão sobre de que lado querem estar”, afirmou Pravin Gordhan, perante a audiência estudantil.

 O anterior ministro das Finanças, juntamente com Jonas Mcebisi, que foram afastados dos respectivos cargos durante uma remodelação governamental realizada de madrugada, pelo Presidente Jacob Zuma, em Março último, foram recebidos com alguma hostilidade pelos estudantes que envergavam insígnias do EFF e do ANC.

 “O nosso país está mergulhado numa crise de liderança. Não se pode ter líderes que passam 80% do seu tempo a defenderem-se dos problemas que criam”, afirmou por seu lado Jonas Mcebisi.

 “As empresas do Estado tornaram-se em centros de actividade de gangsterismo e extorsão de dinheiro”, adiantou o ex-governante, referindo-se às empresas Eskom e Trans-net.

 “O que perdemos através da corrupção e uso privado da administração do Estado é precisamente o que não vemos a ser aplicado na Educação, na Saúde e na execução de outros objectivos para o desenvolvimento do país”, adiantou.

 O economista Lunkile Mondi, que participou igualmente no debate, afirmou que “a presidência Zuma transformou deliberadamente o Estado numa fonte de enriquecimento privado”.