Gesto de louvor do Instituto Camões

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Um gesto de louvor foi registado na segunda-feira passada, 28 de Setembro, com a entrega de 25 computadores à Escola secundária sul-africana de Protea Glen, no Soweto, uma oferta do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P..

  A entrega, foi feita pelo embaixador de Portugal neste país, Manuel Carvalho, na presença da ministra sul-africana do Ensino Básico, Angie Motshekga, que agradeceu repetidamente a doação, como reconhecimento do governo de Pretória da importância da língua portuguesa na África Austral.

  A ideia insere na promoção da língua de Camões junto de alunos sul-africanos, já que a língua poderá ser uma arma secreta para o seu futuro nos países vizinhos, como Moçambique, que tem muitos projectos sul-africanos no terreno.

  Foi giro ver a escola secundária de Protea Glen, com mais de 1600 matriculados, incluir a disciplina de Português no seu currículo ac alunos. adémico em 2015 e pelo que a gente sabe, tem sido uma matéria bem apreciada pelos

  Também em 2015, o Estado Português doou à escola cerca de 100 livros de Língua Portuguesa, com o intuito de enriquecer a Biblioteca Nelson Mandela, e enriquecer o nosso idioma naquele estebelecimento de ensino.

  Interessante ser apenas Moçambique, o único país de língua portuguesa que faz fronteira com a África do Sul, sendo os restantes de expressão inglesa, Botswana, Lesoto, Namíbia, Essuatíni e Zimbabué.

  Não tardará muito ver estes países todos a dizer bom dia, boa tarde e boa noite, sem ter que morder a língua, como já acontece com muitos sul-africanos que trabalham em grandes companhias com acções sul-africanas, como Mozal, na Matola.

  O Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P. tem desempenhado um papel fundamental nesta matéria. Já há maswatis que falam português e até confundidos com os vizinhos moçambicanos.

  Também a Namíbia, país que tem igualmente uma fronteira comum com Angola, onde cerca de 5% dos seus habitantes são falantes de português a língua portuguesa está em expansão, ensinada nas escolas. O país, desde 2014, é observador associado da CPLP

  Português é a “quarta língua mais falada no mundo, a mais falada no hemisfério sul, a quinta com maior número de utilizadores na Internet e a língua oficial e de trabalho em 32 organizações internacionais.

 O Português é falado por mais de 260 milhões de pessoas nos cinco continentes, ou seja, 3,7% da população mundial. Estimativas apontam para que o Português atinja 380 milhões de falantes em 2050 e no final do século quase 500 milhões.

  A língua portuguesa no continente africano é falada em vários países e é a língua oficial de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe e — mais recentemente — a Guiné Equatorial. Existem também grandes comunidades de língua portuguesa na maioria dos países da África Austral, compostas de portugueses, angolanos e moçambica-nos.

  Dados oficiais indicam que existem cerca de 15 milhões de falantes nativos de português e incluindo os falantes de português como segunda língua. Nessa soma, esse número chega a 41,5 milhões em toda África.

  Assim como o francês e o inglês, o português tornou-se uma língua pós-colonial em África e uma das línguas oficiais da União Africana, da Comuni-dade para o Desenvolvimento da África Austral, da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, da Comunidade Económica dos Estados da África Central, do Mercado Comum da África Oriental e Austral e da Comunidade dos Estados do Sahel-Sara.

  O Português coexiste na Guiné-Bis-sau, em Cabo Verde e São Tomé e Príncipe com vários crioulos de base portuguesa (crioulos da Alta Guiné e do Golfo da Guiné), e em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau com línguas africanas autóctones (principalmente da família nigero-congolesa).

  Além das instituições de língua portuguesa, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe são também membros da Organização Internacional da Francofonia e Moçambique é membro da Comunidade das Nações e tem o estatuto de observador na Francofonia.

  Por outro lado, a Guiné Equatorial anunciou em 2011 a sua decisão de introduzir o português como terceira língua oficial, além do espanhol e do francês, e entrou como membro de pleno direito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) em 2014. Maurícia, Namíbia e Senegal também aderiram à CPLP como membros observadores associados.

  Não fosse o Português a comunicação entre os cidadãos das diferentes origens etno-linguística não seria possível, daí que serve para a administração, educação, direito, política e meios de comunicação.

  Além disso, o português une os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa uns aos outros e também com Portugal, Brasil, Timor-Leste e Macau, eles próprios são ex-colónias portuguesas.

  A própria música é uma maneira em que os perfis linguísticos dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa aumentaram. Muitos artistas, além de cantar nas suas línguas maternas, também interpretam em português para um grau ou outro. O sucesso des-ses artistas na indústria da música mundial aumenta a consciência internacional da língua de Camões como língua africana.

  Autores como José Luandino Vieira, Mia Couto, Pepetela, Lopito Feijóo, Luís Kandjimbo, Manuel Rui ou

Ondjaki deram valiosas contribuições para a literatura lusófona, levando um tom africano e ideias para a língua e criação de um lugar para a língua portuguesa no imaginário africano.

  Não é só a África do Sul, um país de língua inglesa que demonstra preocupação com a nossa língua, na Zâmbia existe uma grande comunidade de falantes da língua portuguesa e o país introduziu o Português no seu sistema de ensino primário, em parte devido à presença de uma grande população angolana.

  Nós, como órgão de comunicação, não ficamos atrás, o Português é a língua do jornalismo, que serve como um veículo para a sua divulgação. O Século de Joanesburgo já cumpre esse papel desde a sua fundação em 1963 e sempre o fará com todo gosto.

Eduardo Ouana