Futura Estrela de Golfe: Simone Kayla Henriques joga desde o Grade 1 e já competiu nos EUA

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Futura Estrela de Golfe: Simone Kayla Henriques joga desde o Grade 1 e já competiu nos EUA

Michael Gillbee: Como é que começou a aventura do golfe? Simone Henriques: Bem, comecei no Grade 1, recebi um panfleto de um dos professores. Fomos para o topo de um dos campos da nossa escola e começámos, para experiência, a bater bolas de golfe. Gostei e mostrei o panfleto aos meus pais e disse-lhes que gostava de continuar.

  MG: Portanto, experimentou e depois? Tornou-se paixão?

  SH: Gostei muito de experimentar e desde então o golfe está no meu coração.

  MG: Quais são os seus objectivos?

  SH: [Pondera um pouco] Bem…a escola e os estudos em primeiro lugar. Temos sempre que ter um curso ou uma profissão como suporte da nossa vida. Porque se eu partir um braço, fizer uma operação às costas, coisas que me impeçam de jogar golfe, tenho que ter algo mais. Obviamente que o cuidado com as lesões e o treinar são os meus objectivos agora e aprender o máximo que conseguir.

  MG: Portanto, o golfe não é para já a prioridade?

  SH: Bem, para mim é mas para os meus pais não. Para os meus pais são os estudos. Para mim é o golfe porque é a minha paixão.

  MG: Neste momento, quais são os maiores desafios que enfrenta?

  SH: São os treinos. É encontrar o tempo para conjugar a escola e os treinos. Os meus pais gastam muito dinheiro comigo, portanto o desafio é também encontrar patrocínios para me ajudar.

  MG: Que tipo de patrocínios?

  SH: Viagens, acomodação e claro, o equipamento: roupa, sapatos, tacos, bolas. E também a treinadora.

  MG: Quem é que é a sua treinadora?

  SH: Caryn Louw, competiu PGA Tour de senhoras.

  MG: Em que campos de golfe joga?

  SH: Glenvista. É o meu campo e o clube do qual sou membro.

  MG: Quais foram até agora os pontos altos?

  SH: Até agora tem sido jogar no World Junior Championships, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos da América. Nesse campeonato fiquei em quadragésimo lugar em duzentos jogadores. Recentemente fui seleccionada para jogar no WSGA na equipa B. Outro ponto alto foi ter ganho duas vezes o torrneio Ladies Club Championship do Glenvista Golf Club.

  MG: Como é que encontra um equilíbrio para fazer tudo? Jogar golfe e conciliar os estudos?

  SH: Com muita dedicação e trabalho. Os meus pais dizem-me que é tudo uma questão de gestão de tempo. Tento sempre fazer trabalhos de casa, projectos para a escola, tudo que envolve os estudos antes dos treinos e torneios de golfe. Para que quando estou no campo, só tenho que pensar no meu swing e no meu jogo.

  MG: Tem algum Ídolo?

  SH: Sim tenho. Sou fã da Michelle Wie e da Stacey Beekman e da Lee-Anne Pace. Quando joguei no Sunshine Tour no campo de Zwartkop Country Club, a Lee-Anne Pace terminou melhor classificada profissional e eu amadora. Falei com ela e no campo ela disse-me que se isto é a minha paixão tenho que lutar.  É assim que quero ser, como ela, porque ela é humilde e simpática, apesar de não ter ido estudar para a América, conseguiu ter sucesso com os recursos que ela tinha à disposição. Por isso é uma vencedora!

  MG: Deu-lhe alguns conselhos?

  SH: O que ela me disse foi, que se isto é mesmo o que quero seguir, então tenho que me esforçar muito.

  MG: Como é que vai atingir esses objectivos?

  SH: Bem, todos os anos estabeleço metas com os meus pais. Por altura de Dezembro, para o ano novo. São os objectivos que me proponho na escola e em campo e faço tudo para lá chegar. É importante para mim porque ajuda-me a crescer, ganhar confiança e melhorar.

  MG: Em que ano é que está?

  SH: Estou no Grade 9.

  MG: Está nos seus objectivos conseguir uma bolsa de estudos de golfe?

  SH: Sim! Sem dúvida. Quero uma bolsa para ir estudar no estran-geiro. O meu lugar preferido será o Mississipi ou o Texas.

  MG: Olhando para o nosso país, com a lenda viva do golfe Gary Player, depois o Ernie Els, Retief Goosen entre outros, não será possível aprender e progredir por cá?

  SH: Eu estive na Academia de Golfe Gary Player. Estive lá algum tempo, mas é muito caro e depois, encontrei a minha actual treinador que me trabalha em todos os aspectos. Físicos, mentais e na estratégia de jogo.

  MG: Ir para o estrangeiro, não a assusta?

  SH: Aos meus pais sim, mas a mim não! Penso que é um novo começo.

  MG: Na sua perspectiva, o que é que é preciso fazer para conseguir um patrocínio de marcas como Nike, Taylor Made, entre outras?

  SH: Na minha opinião serão os resultados. Será mostrar o que o dinheiro deles está a conseguir. Obviamente o marketing dos produtos e tudo o que isso implica. Mostrar-lhes os meus resultados actuais e que com melhores meios posso ir muito mais longe.

  MG: Até agora, o que é que foi o desafio mais duro?

  SH: Para mim o mais duro é antes de um torneio. Porque eu estabeleço objectivos muito altos para mim mesma e se não os consigo atingir sinto que falhei. [os olhos humedecem e comove-se]

  MG: Se pudesse jogar com alguém, quem seria?

  SH: Lee-Anne Pace. Jogaria com ela a qualquer altura em qualquer campo. Na PGA Tour Cheyenne Woods – a sobrinha do Tiger Woods ou a Michelle Wie. Porque também começaram jovens e começaram do nada.

  MG: Recentemente, jogou em East London num torneio…

  SH: Acabei em terceiro lugar!

  MG: Qual é o seu Handy Cap?

  SH: Três.

  MG: Viaja sozinha?

  SH: Nunca. Sempre ou com os pais ou com a equipa.

  MG: Gostaria de jogar em Portugal? No Algarve?

  SH: Sim, adoraria. Há três anos atrás joguei no torneio da Agência Novo Mundo no campo de Modderfontein e ganhei. Os vencedores jogariam em Portugal. Eu ganhei mas como não tinha idade para ir, infelizmente não aconteceu. Mas em breve vou jogar a Portugal!

  MG: É uma motivação?

  SH: Sim. À medida que vou crescendo e vou ficando melhor, não terão escolha a não ser enviar-me e deixar-me jogar em qualquer campo.

  MG: O ser Portuguesa? Acrescenta qualquer coisa ao jogo?

  SH: [afirma com convicção] Sim, claro que sim! A nossa Cultura e tradições, tudo faz uma unidade. Em Portugal,  para mim é como estar em casa.

  MG: Se amanhã tivesse que escolher um torneio e um campo para jogar. Onde seria?

  SH: Bem, ainda não pensei muito nisso…mas assim à primeira seria o Master de Senhoras e seria em Augusta. Portanto ao invés de ter o casaco verde, seria o casaco cor-de-rosa.

  No ranking da Província de Gauteng em 2014 esteve qualificada em décimo quarto lugar, este ano de 2015 já subiu para o sétimo posto. No ranking nacional está em décimo sexto no seu escalão etário e em vigésimo segundo lugar a nível sénior. Simone Henriques transparece paixão e muita emoção quando fala do seu desporto preferido e dos seus objectivos. Tenta conquistar os melhores resultados para assegurar um patrocínio que a permita mais altos voos. Uma jovem humilde e que nunca se dá por satisfeita com os seus resultados. Conta com o apoio e força da família, que como Portugueses que são, dão-lhe todos os incentivos para atingir os seus objectivos. A irmã mais nova, já lhe segue as pisadas e Simone não tem medo de admitir que “vai ser muito melhor que eu”. Mais um valor para a Comunidade Portuguesa e para a África do Sul.