Fundação Berardo não entende critérios da avaliação governamental

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Fundação Berardo não entende critérios da avaliação governamental

Perto de 3,4 milhões de visitantes e de 60 exposições constituem o balanço do Mu-seu Berardo, criado há seis anos, com a publicação dos estatutos da Fundação de Arte Moderna e Contemporânea, a 9 de agosto de 2006.

 Instalado no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, o Museu Colecção Berardo de Arte Moderna e Contemporânea foi inaugurado a 25 de junho de 2007, apresentando um balanço de 3.409.045 visitantes e um total de 59 exposições realizadas, ao fim dos cinco primeiros anos de actividade.
 Criado com o objectivo de tornar patente um acervo com “obras representativas dos movimentos constituidores de panorama das artes plásticas dos séculos XX e XXI”, como se lê no diploma fundador (Decreto-Lei n.º 164/2006), o museu encontra-se a meio caminho dos dez anos determinados no acordo que lhe deu origem, assinado entre o Estado e o coleccionador madeirense José Berardo.
 O acervo inicial do Museu reunia 862 obras, avaliadas pela Christie´s em 316 milhões de euros, no ano de constituição da Fundação de Arte Moderna e Contemporânea.
 Na colecção do Museu encontra-se um Picasso, com um valor de 18 milhões de euros, uma das peças mais caras da colecção, segundo a avaliação de 2006, seguido de um quadro de Francis Bacon, avaliado em 15 milhões de euros, e de um Andy Warhol, estimado em 12 milhões de euros.
Em 2011, o Museu Colecção Berardo ocupava o 81.º lugar na lista dos cem museus mais visitados do mundo, sendo o único português neste “ranking”, segundo The Art News-paper, publicação britânica especializada em arte contemporânea.
 Na avaliação governamental às fundações portuguesas, divulgada no passado dia 2 de agosto, a Fundação de Arte Moderna e Contemporânea – Colecção Berardo teve 50,6 pontos, em 100, mas o trabalho feito é maior do que uma percentagem, como disse então à Lusa fonte oficial do Museu.
 “O nosso trabalho é maior do que esta percentagem de uma escala de zero a cem. Somos o único museu português dos 100 museus assinalados na Art Newspaper entre os mais visitados, temos um serviço educativo para 64 mil crianças por ano, nos últimos cinco anos tivemos 59 exposições temporárias”.
 A mesma fonte da fundação afirmou então à Lusa não entender o critério de alguns dos parâmetros de avaliação, questionando por que motivo não houve qualquer prazo para possível discussão ou rectificação de informações, na base dessa avaliação.
A Fundação Colecção Berardo recebeu 13,3 milhões de euros de apoios financeiros públicos entre 2008 e 2010, verba que representa 83,7 por cento do total de proveitos da instituição nesse período.
 Na passagem dos cinco anos do Museu, o director artístico, Pedro Lapa, disse que a quebra de 50 por cento no orçamento, obrigou a uma re-formulação da programação, reduzindo as exposições temporárias de uma média anual de 12, para quatro, a partir de 2012.