Frelimo está com três quartos dos votos dos moçambicanos

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FrelimoQuando na sexta-feira à tarde  tinham sido processados os votos de 36 por cento das mesas, a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) conseguia 76 por cento dos votos válidos nas legislativas, muito mais do que há cinco anos, anunciou a Associação dos Parlamentares Europeus para a África (AWEPA).

A Resistência Nacional de Moçambique (Renamo) estava apenas com 12 por cento, menos de metade do que obtivera em Dezembro de 2004; e o novo Movimento Democrático de Moçambique (MDM) alcançava oito por cento, tendo-se cotado particularmente bem na província de Sofala, onde se situa a Beira, segunda cidade do país.

 Quanto às presidenciais, Armando Emílio Guebuza encontrava-se a caminho de ser reeleito chefe de Estado, com 77 por cento dos votos válidos, muito mais do que os 63,7 por cento de há cinco anos. O líder do MDM, Daviz Simango, presidente da Câmara Municipal da Beira, estava com 12 por cento e o da Renamo, Afonso Dhlakama, com 11.

 Na província de Gaza, onde nasceram os três primeiros presidentes da Frelimo, Eduardo Mondlane, Samora Machel e Joaquim Chissano, o partido governamental registara 98 por cento dos votos válidos contabilizados e o seu chefe, Guebuza, 97 por cento.

 A mais baixa votação da Frelimo, 51 por cento, foi em Sofala, de onde Dhlakama é natural e onde ele e o seu partido tiveram votações respectivamente de 15 e de 13 por cento.

 Na cidade de Maputo, a capital, a Frelimo contabilizara até agora 76 por cento dos votos aí apurados, o MDM 16 e a Renamo apenas cinco.
 As maiores votações de Afonso Dhlakama e do seu partido, respectivamente de 30 e 33 por cento, foram na província da Zambézia, à qual cabem 45 dos 250 deputados. Tantos quantos os de Nampula, onde eles também se cotaram bem, contrariando a tendência geral para um descalabro na generalidade do país.

 A confirmarem-se nos próximos dias os números até agora conhecidos, a Frelimo ficará, tal como o MPLA em Angola e a SWAPO na Namíbia, como um dos partidos da África Austral com maior controlo dos respectivos países.

 "Em Moçambique é cada vez mais difícil distinguir entre a administração pública e o partido Frelimo", comentou Johannes Beck, da "Deutsche Welle", segundo o qual "os funcionários do país sofrem uma pressão enorme para aderirem ao partido governamental".
       Ameaças de Afonso Dhlakama são "inaceitáveis" 
      – diz chefe da missão da UE

A chefe da missão de observação eleitoral da União Europeia (UE) às eleições gerais moçambicanas de quarta-feira considerou "inaceitáveis" as ameaças do líder da Renamo, Afonso Dhlakama, de "tomar o poder pela força".

Os resultados parciais obtidos a partir das mesas de voto pelos vários órgãos de comunicação social moçambicanos dão uma larga vantagem ao actual chefe de Estado, Armando Guebuza, nas presidenciais, e ao seu partido, Frelimo, nas legislativas.
 Caso a tendência dos resultados até aqui divulgados se consolide, Afonso Dhlakama poderá perder o estatuto de líder da oposição moçambicana para Daviz Simango, presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), que segue em segundo lugar nas presidenciais.

        MDM fala de "fraude" nas eleições
 O coordenador do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) na província de Maputo, Barnabé Lucas Nkomo, afirmou ao Público que os resultados provisórios obtidos por essa formação "são fantásticos" para uma formação que só existe oficialmente há pouco mais de seis meses.
 Conseguimos transformar-nos na segunda força mais votada, mesmo na capital do país", disse aquele quadro do MDM, tendo particularmente em conta os resultados obtidos nas presidenciais pelo respectivo líder, Daviz Simango, e que a Rádio Moçambique noticiava serem de 17 por cento dos boletins conhecidos.

 "Se não fosse o afastamento em diversos círculos eleitorais, o MDM apresentar-se-ia na próxima legislatura como o segundo partido na Assembleia da República", acrescentou Nkomo, segundo o qual "este processo eleitoral caracterizou-se por uma preparação de fraude antecipada".
 Praticamente em todo o país, prosseguiu, "os membros da Frelimo trataram de possuir previamente os boletins de voto, produzidos pela empresa deles, que ‘ganhou’ o concurso de fornecer os materiais de votação. Assim, ao dirigir-se à mesa de votação onde recebe os boletins, cada simpatizante ferrenho do partidão traz consigo escondido no soutien ou nos bolsos um ou dois boletins de cada eleição, que adicionado aos que recebe no acto da votação passa a ser dois ou três por cada eleição".

 O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, disse à imprensa, em Nampula, que só vai aceitar os resultados "se perder de forma genuína".
 Se tal não acontecer, acrescentou Dhlakama, na linha do que já tem afirmado aquando de anteriores actos eleitorais em que tem sido derrotado, "iremos tomar o poder pela força".
 Dhlakama alegou existência de irregularidades nas assembleias de Angoche e Nacala-Porto, na província de Nam-pula, onde "milhares e milhares" de eleitores teriam sido impedidos de votar.

 Enquanto isto, a missão de observadores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) considerou que as eleições decorreram de forma transparente e segundo as práticas internacionais, "não obstante ter constatado a existência de alguns constrangimentos".
 Não sendo ainda oficiais, os números até agora conhecidos, e que dizem respeito a muito menos de metade de todos os votos expressos, terão de ser validados pela Comissão Nacional de Eleições, depois de serem submetidos a triagem pelo Secretariado Técnico da Administração Eleitoral (STAE).
 A grande questão que se coloca, segundo a Rádio Moçambique, é se Dhlakama efectivamente perde o seu actual estatuto de líder da oposição a favor de Simango, presidente da câmara Municipal da Beira.