Frei Gilberto Teixeira comemorou Jubileu Sacerdotal em Vila Verde, sua terra natal

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Frei Gilberto Teixeira

Frei Gilberto TeixeiraVila Verde do concelho de Alijó, viveu dia grande a 6 de Agosto último, com a comemoração das bodas de prata sacerdotais do seu pároco Amílcar Sequeira, e os 50 anos de sacerdócio “bodas de ouro” do filho da terra, Frei Gilberto Teixeira.

  A comemoração foi organizada pelos sobrinhos de Frei Gilberto Teixeira, e por gente anónima dessa povoação transmontana, que na sua grande maioria ajudou com trabalho, comida e dinheiro.
  À missa campal, seguida de lanche, a que se associaram as pessoas da povoação, e de aldeias vizinhas, estiveram presentes os Bispos D. António Marto (Leiria-Fátima), D. Amândio Tomás (Vila Real), o Padre Vitor Melícias, provincial dos Franciscanos, e padres das paróquias vizinhas, alguns franciscanos e amigos dos aniversariantes.

  Entre outras intervenções, de destacar a leitura de textos por três sobrinhos de Frei Gilberto Teixeira, e o “curriculum” dos dois homenageados lido pela dra. Lisete Vieira, havendo ainda uma homenagem prestada pela junta de freguesia, com a colocação de placa na Rua da Vei-guinha que passou a ser designada Rua Frei Gilberto La-ge Teixeira.
 Quanto ao seu percurso desde infância até à actualida-de, diremos que ingressando no Colégio das Missões Franciscanas, em Montariol, de Braga, a 3 de Outubro de 1947, estudando mais tarde filosofia em Leiria, e teologia em Lisboa, Gilberto Lage Teixeira recebeu o Hábito Franciscano a 3 de Outubro de 1953, no Convento Varatojo, proximidades de Torres Vedras, onde completou um ano de noviciado, fez a sua profissão temporária, e a 24 de Outubro de 1957 a sua profissão solene.

 Após a sua ordenação de Diácono, baptizou no seu primeiro acto religioso, isto em Janeiro de 1961, o primo Luís Manuel, administrando na sua primeira Unção dos Doentes ao primo Sérgio José Tomás Teixeira Rodrigues, que viria a falecer a 4 de Outubro, festa de S. Francisco de Assis, sendo a 16 de Julho de 1961, festa de Nossa Senhora do Carmo, ordenado sacerdote na igreja de Nos-sa Senhora da Luz, por Sua Exa. Rev. D. Frei David de Sousa, Bispo do Funchal.

  A 6 de Agosto de 1961, celebrou em Vila Verde, sua terra natal, a sua primeira missa, descrita pelo semanário “A Voz de Trás-Os-Montes”, Vila Verde está em festa, um dos seus filhos subiu pela primeira vez ao Altar, Frei Gilberto Teixeira, da Venerável Ordem de S. Francisco. Com as ruas embandeiradas, em alegria ruidosa e contagiante, Vila Verde viu-o partir em procissão sobre uma artística passadeira de flores em fundo verde, desde a capela de S. Gonçalo até à igreja paroquial, com os seus conterrâneos a acompanharem o cortejo, muitos deles com lágrimas nos olhos de alegria, dando com o lançar de flores mais beleza à cerimónia, que os enchia de orgulho e alegria.

  Em 1962, perante a curva que Portugal começava a sentir o ruir do império colonial, Frei Gilberto é enviado a 5 de Maio em missão para Moçambique, passando o primeiro mês em Vila Pery, no centro da então província ultramarina portuguesa, após o que começou a sua acção missionária na Missão de Mavila, da diocese de Inhambane, a trabalhar com o seu colega Frei João Crisóstomo, grande missionário por terras de Zavala.
  Meses depois é transferido para a paróquia de Vila Pery, hoje Chimoio, que significa “coraçãozinho”, para substituir um irmão que falecera inesperadamente, aí trabalhando na Capelania de Soalpo, hoje paróquia, onde deu aulas no Colégio de Vila Pery, na Missão de Amatongas da província de Manica, e na escola de Regentes Agrícolas do Chimoio, aos jovens moçambicanos.

  Em 1971 é transferido para a cidade de João Belo, hoje Xai-Xai que havia sido elevada a Diocese, sendo seu primeiro Bispo D. Niza Ribeiro, aí vivendo algum tempo considerado forte na guerra pela independência, em que foram nacionalizadas Missões, Paróquias e de todos os pertences da Igreja, situação que o obrigou a trabalhar numa empresa até Outubro de 1978, em que é nomeado Vigário Geral da Diocese. Como homem simples, que nunca se quis sobrepor a ninguém para dar nas vistas, muito menos atropelar alguém para se impor e singrar na vida, ou atingir objectivos relevantes, passar por cima de quem quer que seja, antes pelo contrário preferindo a modéstia, humildade e simplicidade, atitude que o leva a escrever a seus pais na altura dessa nomeação, para lhes dizer:

  “Não pensem que subi de categoria, é apenas um serviço necessário numa hora em que somos poucos para o executar”.
  Em 1982 é nomeado “Custódio” Superior Regional dos Frades, passando em 1984 a residir em Maputo, na Fraternidade Paroquial da Igreja de Santo António da Pola-na, aí se mantendo até 1987 em que é transferido para Homoíne – Maxixe, onde os franciscanos iniciaram o postulando com jovens moçambicanos que deseja-vam ser frades menores.

  Em Março de 1995, Frei Gilberto Teixeira é transferido para a África do Sul, e colocado como pároco na igreja de Santa Maria dos Portugueses, onde presentemente se mantém e, pelo seu trabalho se tornou muito admirado e respeitado nesta paró-quia, onde como se sabe está instalado o Centro de Dia S. Francisco de Assis, destinado a albergar os idosos da nossa comunidade que a ele recorrem, e pela qualidade dos seus serviços, esse lar é considerado obra de muito valor e grande solidariedade, a pensar sempre no bem comum, tendo a ajudá-lo ultimamente, o jovem moçambicano, Frei Manuel Nhaquila.

  Este Centro de Dia S. Francisco de Assis, com lançamento da primeira pedra da sua construção a 5 de Dezembro de 1999, em cerimónia presidida pelo Arcebispo da Arquidiocese de Pretória, D. George Daniel, com a presença do então embaixador de Portugal, em Pretória, dr. Fernandes Pereira, viria a ser oficialmente inaugurado a 2 de Dezembro de 2001, por conseguinte desde que Frei Gilberto Teixeira se encontra à frente da paróquia.
  Segundo Frei Gilberto referiu à publicação mensal de Agosto, propriedade do Centro Social Recreativo e Cultural de Vila Verde, por ocasião da celebração do seu jubileu sacerdotal, nessa sua terra natal, “a vocação, sendo um chamamento, é também uma descoberta progressiva, um processo muitas vezes sinuoso. A minha vocação foi de início algo chocante e aconteceu no dia em que fiz onze anos, quando a minha professora da 4.ª classe, minha prima Maria Ester A. Rodrigues me ofereceu um santinho com a seguinte dedicatória:

  “Muitos parabéns e votos de que sejas um padre muito santo”.
  Miragens e tentações, continuou este franciscano, são uma constante da vida, contudo, olhar para trás no sentido de me ter arrependido, não, graças a Deus. Em qualquer encruzilhada esteve sempre, em primeiro lugar, a escolha feita a partir do momento em que me senti na outra margem”. Na linha da frente da Missão sempre me senti e continuo a sentir-me muito ancorado pela retaguarda, onde muita gente reza por mim, e esse é sem dúvida o segredo que explica a minha fidelidade e a minha perseverança.

  A minha mensagem de velho missionário e filho desta terra de Vila Verde poderá re-sumir-se do seguinte modo:
Apesar de ter passado quase toda vida por longes terras, quiseram prestar-me uma homenagem. Agradeço, especialmente aos meus sobrinhos, primos e amigos, que mais se empenharam, aos quais se quiseram associar as autoridades da Freguesia e do Concelho. Nunca poderei retribuir o carinho que me dedicam. Peço ao Senhor que os abençoe e lhes retribua como só Ele sabe e pode. A Ele também endereço qualquer homenagem, pois só Ele é digno de toda a honra e glória.

  A todos os que se lembraram de mim quero dizer que, embora longe, nunca es-queci a minha terra.
  Aqui está ou daqui partiu a minha família. Aqui estão as referências da minha fé, da minha vocação franciscana e sacerdotal, e as raízes do sonho que sempre fez parte da minha vida. Os horizontes vários que muito me têm deslumbrado pela vida fora, sempre foram contemplados a partir daqui, destes limitados horizontes que, para mim, como para qualquer outro transmontano, são o centro do mundo”.

  De referir que além de Frei Gilberto Teixeira, seguiram na família a vida religiosa três suas irmãs; Henriqueta que pertencente às Franciscanas Missionárias de Nossa Senhora, depois de longa passagem por Moçambique, e mais tarde pela África do Sul, onde em Pretória chegou a ser responsável pela administração do Centro de Dia S. Francisco de Assis, para idosos da comunidade, na paróquia de Santa Maria, regressou no ano transacto a Portugal, estando presentemente a desempenhar a sua actividade em Gondomar; Maria Luísa, falecida em Março de 2009; e Maria Gualdina a exercer funções nos serviços de enfermagem no hospital de Nossa Senhora da Lapa, da cidade do Porto.

  A nosso ver, a Comenda da Ordem de Mérito com que Frei Gilberto foi agraciado pelo Governo português, insígnias que lhe foram entregues a 10 de Junho de 2008, na embaixada de Portugal, em Pretória, pelo então Secretário de Estado Adjunto, da Indústria e da Inovação, Professor Doutor António de Castro Guerra, acabam por ser, para além de um reconhecimento ao excelente trabalho que tem desenvolvido na Paróquia de Santa Maria, uma recompensa à longa carreira exemplar de um missionário que procura levar uma vida radicalmente evangélica em “espírito de oração e devoção”, dando testemunho de reconciliação, paz e justiça, bem em sintonia com os seus ideais e reputação pessoal.