Fornecedores privados de água em Moçambique ameaçam paralisar actividade

0
59
Fornecedores privados de água em Moçambique ameaçam paralisar actividade

A Associação dos Fornecedores de Água de Moçambique (AFORAMO), que congrega os operadores privados do sector, ameaça passar a suspender a actividade durante dois dias por mês como forma de pressão ao Governo para o pagamento de indemnizações.

 A ameaça da AFORAMO, que junta 600 empresários do ramo, segue-se à paralisação do fornecimento de água pelos fornecedores privados, que afectou principalmente a capital do país e a cidade incdustrial da Matola, no sul de Moçambique.

 No balanço do corte de fornecimento de água ocorrida há dias, o presidente da AFORAMO, Paulino Cossa, disse à imprensa que a acção vai repetir-se ao longo de dois dias por mês, até que o Governo responda às exigências do grupo.

 Os operadores privados exigem uma indemnização pela alegada destruição do seu equipamento, acusando o Estado de montar a sua infra-estrutura de abastecimento de água por cima dos tubos colocados pelos fornecedores privados.

 A AFORAMO quer também que os seus associados sejam ressarcidos pelos alegados prejuízos que estão a ser acumulados com o facto de muitos consumidores estarem a preferir o sistema de fornecimento de água que está a ser instalado pelo Estado.

 A associação estima que é responsável por 60 por cento de abastecimento de água potável no país, principalmente nas zonas urbanas e suburbanas, onde a rede pública de abastecimento de água é incapaz de responder à demanda.

 Confrontado com a ameaça da AFORAMO, o Ministério das Obras Públicas e Habitação de Moçambique mostrou-se aberto a continuar o diálogo com a organização, mas considerou exorbitantes os montantes exigidos.

 “Feitas as contas, o valor a ser ressarcido a cada operador ronda entre os 700 mil dólares (535 mil euros) e um milhão de dólares (765 mil euros), o que se mostra insustentável”, afirmou a directora nacional de Águas, Susana Loforte.

A incapacidade do Estado de garantir água potável à maioria da população moçambicana, devido à falta de investimentos no sector, fez com que emergisse um grupo de fornecedores privados de água, cujo mercado é agora ameaçado pela aposta do Governo de alargar a rede pública.