FMI não vai deixar que a Grécia adie pagamentos

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FMI não vai deixar que a Grécia adie pagamentos

Christine Lagarde deixou claro na quinta-feira que não está disposta a dar mais tempo à Grécia para esta amortizar os empréstimos que lhe foram concedidos pelo Fundo Monetário Internacional.

 Numa conferência de imprensa de lançamento dos encontros de Primavera do Banco Mundial e do FMI, a directora-geral do Fundo assinalou que "nos últimos 30 anos, o conselho de administração do FMI não aceitou qualquer adiamento nos pagamentos". Lagarde fez questão ainda de lembrar que um adiamento teria de ser registado como um novo financiamento, o que seria feito à custa de países "que estão numa ainda pior situação".

 A questão de um eventual adiamento da amortização dos empréstimos concedidos pelo FMI à Grécia surgiu na sequência de uma notícia publicada quinta-feira pelo Financial Times, que dava conta da tentativa das autoridades gregas de convencer o FMI a dar mais tempo para o pagamento da sua dívida. De acordo com o jornal, estes pedidos da Grécia terão sido feitos nas últimas semanas, através de contactos informais realizados pelos responsáveis do Governo junto do Fundo. Em Washington, contudo, não houve qualquer abertura para essa possibilidade e o Governo Syriza foi mesmo aconselhado a não fazer qualquer pedido desse tipo de modo formal. Um reescalonamento dos pagamentos só pode ser feito, disse o FMI, no âmbito de um acordo para um novo programa de financiamento.

 O Governo grego também reagiu à notícia do Financial Times, dizendo que é falsa e garantindo que não foi feito qualquer pedido de adiamento nos pagamentos.

 Os pagamentos ao FMI são das principais exigências financeiras que o Tesouro grego tem de enfrentar nas próximas semanas.

 Na semana passada, a Grécia cumpriu o pagamento de 448 milhões de euros ao FMI. Agora, está agendado um pagamento de 194,6 milhões de euros a 1 de Maio e outro de 744,5 milhões de euros a 12 de Maio. Ambos correspondem também a amortizações de empréstimos que têm sido feitos pelo FMI à Grécia desde 2010.

 Estas notícias surgem num cenário de pressão crescente sobre as contas públicas gregas. Com um acordo com os parceiros europeus para a entrega de uma nova tranche ainda longe de ser atingido, a Grécia começa a ficar sem fundos disponíveis para fazer face aos seus compromissos, que incluem, para além das amortizações ao FMI, o pagamento de pensões e salários no final deste mês e a amortização de bilhetes do tesouro.

 Para obter o dinheiro de que necessita, a Grécia está limitada às receitas fiscais que vai obtendo e a emissões de dívida de curto prazo que se destinem, apenas, a substituir as que entretanto forem atingindo a maturidade.

 As negociações com a troika para a entrega de uma nova tranche pareciam apontar, numa primeira fase, para a concretização de um acordo na próxima reunião do Euro-grupo, agendada para 24 de Abril em Riga. No entanto, de ambos os lados já se admite que possa ter de ser agendada para uma data posterior uma reunião extraordinária do Eurogrupo.

 

* Acordo energético com a Rússia

 

 Atenas tem a ganhar entre três a cinco mil milhões de euros pela passagem pela Grécia do gás proveniente da Rússia.

 Na terça-feira a Grécia deverá assinar um acordo energético com a Rússia.

 A notícia é avançada pela revista Der Spiegel.

 O jornal cita fontes do Syriza, o partido no poder na Grécia, e refere que o acordo com Moscovo vai ser assinado na terça-feira, permitindo a Atenas obter liquidez a curto prazo.

 O assunto esteve já em cima da mesa no passado dia 8 num encontro entre o primeiro-ministro grego e o presidente russo, mas, na altura, não foi oficialmente tomada qualquer decisão, embora Vladimir Putin tenha sugerido a Alexis Tsipras que este podia ser um bom negócio para a Grécia.

 

* Cenário de bancarrota da Grécia

 

 O ministro grego das Finanças encontrou-se quinta-feira com Barack Obama, uma conversa informal que durou cerca de 12 minutos.

 Barack Obama pediu reformas a Atenas e afirmou que Washington está disponível para apoiar a recuperação helénica

 Entretanto, o ministro das Finanças grego avisou que, se os credores europeus não fizerem cedências, Atenas não terá outra hipótese senão en-trar em default e não pagar as suas próximas prestações. Mas garantiu que a saída do país da zona euro está fora de questão.

 "A Grécia está fora dos mercados e tem vindo a pagar as suas dívidas nos últimos meses com a sua escassa liquidez", disse Yanis Varoufakis em entrevista ao Huffington Post. "E isso não pode conti-nuar. Se pudesse não seríamos um país com um programa, certo? Por isso, se os nossos parceiros nas instituições dizem "Nada de liquidez para vocês, nada de desembolsos, nada de novo contrato", então é claro que isto é insustentável, como seria com qualquer país num programa do FMI, da troika ou do BCE", prosseguiu.

 A Grécia, que não recebe fundos dos credores desde agosto, tem de pagar ao BCE 80 milhões de euros na segunda-feira. Em maio terá de entregar ao FMI 747 milhões de eu-ros.

 Atenas até agora cumpriu com os credores, mas, segundo o ministro grego, se o governo tiver de escolher entre pagar as suas dívidas ou pensões e salários, estas terão prioridade. Opção que não implicará a saída da zona euro: "Já aconteceu. Em 2012, o governo grego não pagou 100 mil milhões de euros de obrigações para com os seus credores".

 Mesmo assim, para Varoufakis qualquer tipo de default não "é agora a melhor solução". "Não é algo no qual estejamos a trabalhar, não é al-go que estejamos a planear, não é algo que desejemos. O que pretendemos é criar um novo contrato entre a Grécia e os nossos parceiros", sublinhou ao Huffington Post.