FMI diz que enfraquecimento do ímpeto reformista diminui perspectivas de crescimento e emprego

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FMI diz que enfraquecimento do ímpeto reformista diminui perspectivas de crescimento e emprego em Portugal

O FMI voltou a alertar que o "enfraquecimento do ímpeto reformista no futuro poderá diminuir as perspetivas de cres-cimento e emprego", reiterando que os aumentos do salário mínimo podem dificultar o acesso ao emprego dos trabalhadores menos qualificados.

 O Fundo Monetário Interna-cional (FMI) publicou o seu comunicado a dar conta do fim da terceira avaliação pós-programa de resgate a Portugal, que juntou novamente em Lisboa e durante uma semana os técnicos do Fundo, da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu.

 Esta avaliação pós-programa será a primeira desde que o novo Governo liderado por António Costa, que começou já a reverter algumas medidas de austeridade implementadas durante o período do resgate, tomou posse.

 Na comunicação emitida, a missão técnica do Fundo, liderada por Subir Lall, afirma que "a intenção das autoridades de eliminar os entraves estruturais ao crescimento é bem-vinda", uma vez que, "numa união monetária, as reformas dos mercados de trabalho e de produtos são essenciais para aumentar a flexibilidade e a competitivida-de e ao mesmo tempo para [o país] se proteger dos riscos".

 Apesar de reconhecer que "o avanço nesta área foi considerável" nos últimos anos, o FMI deixa um recado a Portugal: "um enfraquecimento do ímpeto reformista daqui em diante poderá diminuir as perspetivas de crescimento, de emprego e de rendimento de médio prazo".

 Para o Fundo, "mudanças nas políticas que tornam a contratação e a negociação coletiva mais flexíveis podem prejudicar as perspetivas para os desempregados".

 Apesar de considerar que "os esforços para fortalecer a rede de Segurança Social são positivos", o FMI volta a dizer que "o aumento recente do salário mínimo pode vir a di-minuir as possibilidades de os trabalhadores pouco qualificados encontrarem emprego".

 Depois de um crescimento de 1,5% em 2015, o Fundo antecipa um abrandamento do ritmo de crescimento e prevê que a economia cresça 1,4% este ano, um comportamento que se ficará a dever apenas à procura interna.

 No esboço do Orçamento do Estado para 2016, apresentado a 22 de janeiro, o Governo previa que a economia portuguesa crescesse 2,1% este ano, uma evolução que deverá ficar a dever-se apenas à procura interna, uma vez que a procura externa líquida terá um contributo negativo de 0,3 pontos.

 Quanto à taxa de desemprego, a projeção do Governo era de que caísse para os 12,3% este ano, uma estimativa mais pessimista do que a dos técnicos do FMI, que antecipam uma taxa de desemprego de 11,5%.

 Apesar se ter concluído o Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF) em maio de 2014, tanto o FMI como a Comissão Europeia vão manter missões regulares (duas vezes por ano) a Portugal até que o país reembolse a maioria dos empréstimos.

 As regras europeias determinam que quando um país conclui um programa de assistência permanece sob vigilância até que pague pelo menos 75% do montante recebido. Já no caso do FMI, as regras dos processos de monitorização pós-programa determinam que os países ficam obrigados a este acompanhamento até que a dívida por pagar seja inferior a 200% da respetiva quota no Fundo.

 

* Bruxelas espera menos crescimento  que o Governo em 2016 e alerta para riscos de incerteza política

 

 A Comissão Europeia reviu li-geiramente em baixa a previsão de crescimento de Portugal, para os 1,6% este ano, alertando que a "incerteza política" pode aumentar os juros da dívida e atrasar o consumo e o investimento.

 Nas previsões económicas de inverno, ora divulgadas, Bruxelas escreve que "as

perspectivas macroeconómicas estão inclinadas para o lado negativo, sobretudo devido aos elevados níveis de endividamento da economia portuguesa" e deixa um recado ao Governo: "a incerteza política pode aumentar os juros da dívida e levar os consumidores a atrasar o consumo e os empresários a adiar investimentos".

 A Comissão Europeia espera agora que a economia portuguesa cresça 1,6% em 2016 (o que compara com a projeção anterior de 1,7%, divulgada em novembro), estando Bruxelas mais pessimista do que o Governo quanto ao desempenho económico deste ano, uma vez que o executivo de António Costa espera um crescimento de 2,1%, segundo o esboço de orçamento apresentado a 22 de Janeiro.