FMI defende que há “margem de manobra” para aumentar salários dos médicos moçambicanos

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FMI defende que há “margem de manobra” para aumentar salários dos médicos moçambicanos

O Fundo Monetário Internacional (FMI) defendeu que o Governo moçambicano terá “espaço de manobra” no próximo Orçamento Rectificativo para um aumento gradual dos salários dos médicos, que estão em greve há mais de três semanas.

 Os médicos e técnicos de saúde moçambicanos paralisaram a actividade, exigindo um aumento de 100 por cento nos ordenados, contra um incremento de 15 por cento decretado pelo Governo, em Abril.

 Em declarações aos jornalistas, à margem de uma palestra sobre a economia moçambicana, o representante do FMI em Moçambique, o brasileiro Victor Lledó, afirmou que o Orçamento Rectificativo, que será debatido pelo parlamento em Agosto, dá uma margem de manobra ao executivo, para uma subida gradual dos ordenados da classe médica e dos profissionais de saúde.

 “Obviamente, há um espaço de manobra. Acredito que a versão actual do Orçamento Rectificativo concede um aumento”, enfatizou Victor Lledó, assinalando que o FMI aconselhou o Governo sobre o procedimento a seguir em relação à questão salarial da classe médica.

 A primeira greve dos médicos, observou o representante do FMI, desafiou as autoridades moçambicanas sobre a urgência de abordar com determinação o tema dos ordenados na função pública.

 “Houve a primeira reivindicação no início do ano e, dentro desta reivindicação, ficou premente a necessidade de se retomar de forma mais ativa a estratégia da revisão salarial”, afirmou Victor Lledó.

 O Governo moçambicano tem apontado limitações de ordem financeira, para não acomodar a reivindicação da classe médica, que exige salários iguais aos auferidos por magistrados e quadros das instituições financeiras do Estado, as duas classes profissionais melhor remuneradas na função pública.