Filme sobre a vida de Mandela estreou na 5.ª feira nos cinemas de Portugal

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Invictus

InvictusO renascimento da África do Sul não teria sido possível sem a liderança, carisma e personalidade de Nelson Mandela que permitiram evitar que o país se tenha tornado num outro Afeganistão, afirmou o jornalista John Carlin.

  "Mandela é o grande sedutor. O político perfeito, que procura seduzir e conquistar mentes e corações, persuadir", disse à Lusa o antigo jornalista do The Independent, correspondente na África do Sul entre 1989 e 1995.
  "O Mandela fez isso melhor do que ninguém antes, num contexto democrático de persuasão. Sem usar a pancada para persuadir. Não conheço ninguém que tenha estado na sua companhia e não se tenha totalmente rendido ao seu charme, personalidade e integridade", afirmou.
  A final histórica do mundial de Rugby de 1995, um ano depois da eleição de Nelson Mandela, foi o dia “mais feliz” da história da África do Sul e um “selo” no trabalho de vida do líder africano.

  A opinião é do jornalista John Carlin, autor do livro “Playing the enemy” (Invictus – O Triunfo de Nelson Mandela), que recorda o período de transição entre a libertação de Mandela e o início da sua presidência, e que inspira o novo filme de Clint Eastwood, que estreou em Portugal na passada quinta-feira, dia 28 de Janeiro.

  O clímax do livro e do filme é a final desse mundial de rugby, um desporto que era “religião para os brancos” mas “tão odiado pelos negros como a antiga bandeira ou o antigo hino” e que acaba por ser o coroar do “abraço de amor” de Mandela ao povo branco sul-africano.
  Numa entrevista com a Lusa, em Madrid, o jornalista – agora grande repórter do El Pais e antigo correspondente do The Independent na África do Sul entre 1989 e 1995 – recorda o que diz ter sido um evento que marca “um antes e um depois” no país.
  “O facto de ser histórico e memorável (…) foi o facto de ter sido um evento politico épico, fenomenal, único, transcendental, que estava mascarado como um jogo de rugby”, afirmou.

  Com Nelson Mandela na presidência há pouco mais de um ano, a África do Sul que em 1995 acolhe o mundial de rugby era, na opinião de Carlin, um país marcado pela fragilidade e pelo risco.
  Risco de violência, tanto da comunidade negra como da comunidade branca, ódios latentes do passado, risco do aparecimento de grupos terroristas, da esquerda ou da direita e dúvidas sobre a sustentabilidade da nova África do Sul.

  “Nelson Mandela viu aqui uma grande oportunidade. Outros políticos teriam ficado assustados. Se fosse só um bom político, com a fragilidade, veria a chegada do mundial e teria posto as mãos na cabeça (…) fechando os olhos e esperando que passasse”, afirmou Carlin.
 “Mas ele agarrou isto como uma oportunidade politica. Foi o espírito que guiou a transformação deste símbolo de divisão e ódio racial num instrumento de reconciliação e paz”, explica.

A concretização de um processo que começou, ainda na cadeia, em 1985, quando se encontrou em segredo pela primeira vez com um membro do Governo sul-africano, e que culmina com “a festa de celebração e amor” que foi a final de 1995.
“Foi o dia mais feliz da vida politica de Mandela porque todos os seus sonhos se tornaram realidade nesse dia. E foi o dia mais feliz na história da África do Sul. Há uma África do Sul antes deste jogo e outra depois do jogo”, disse.