Filha do antigo presidente moçambicano Armando Guebuza foi morta a tiro pelo marido

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Filha do antigo presidente moçambicano Armando Guebuza foi morta a tiro pelo marido

Valentina Guebuza, filha do ex-Presidente moçambicano Armando Guebuza, foi assassinada a tiro em Maputo na noite de quarta-feira, vítima de violência doméstica, informou na manhã de quinta-feira a estação pública Televisão de Moçambique (TVM).

 

 O jornal O País e a STV, ambos do grupo privado Soico, também avançaram a notícia da morte de Valentina Guebuza, citando fonte policial.

 Segundo o diário, o suspeito do homicídio é o marido da vítima, Zofimo Muiuane, que foi detido, após ter atingido Valentina Guebuza com vá-rios tiros na residência do casal.

 Filha do ex-chefe de Estado, Armando Guebuza, que liderou o Governo moçambicano entre 2005 e 2015, Valentina da Luz Guebuza, 36 anos, era uma das mais destacadas empresárias do país.

 Em dezembro de 2013, a revista Forbes colocou-a entre as vinte jovens africanas mais poderosas de África, à frente da ‘holding’ familiar Focus 21 Management & Development, com interesses em vários sectores, na banca, telecomunicações, pescas, transportes, mineração e imobiliário.

 A empresária moçambicana casou-se a 26 de julho de 2014 com Zófimo Muiuane, chefe do departamento de marketing da operadora de telecomunicações Mcel, numa cerimónia religiosa na Igreja Presbiteriana de Chamanculo, nos arredores de Maputo, perante centenas de convidados.

 

* Família do marido de Valentina Guebuza

diz-se “envergonhada e revoltada” com o homicídio

 

 A família de Zófimo Muiuane, indiciado pelo homicídio da mulher, Valentina Guebuza,  manifestou-se no sábado "envergonhada e revoltada" com o sucedido, pedindo perdão à família da vítima.

 "Estamos envergonhados e revoltados com a acção do nosso familiar e pedimos perdão à família Guebuza", afirmou Armando Pedro, irmão mais velho de Zófimo Muiane, na mensagem fúnebre que leu durante o velório de Valentina Guebuza.

 Armando Pedro declarou, ainda, que a família não se "revê no acto bárbaro" de Zófimo Muiane, acrescentando que os parentes do suspeito são pessoas humildes e de bem.

 O irmão do suspeito disse que a família nunca percebeu sinais de mal-estar no casamento entre Valentina Guebuza e Zófimo Muiane, manifestando gratidão pelo carinho e amizade que a filha do antigo chefe de Estado proporcionou à família do marido.

 "Ainda naquela mesma quarta-feira estivemos a falar sobre os preparativos do Natal", disse Pedro, que, em vários momentos, não conteve as lágrimas, diante das centenas de pessoas que assistiram ao velório.

 No final, Armando Pedro e o seu pai, Armando Muiane, abraçaram Armando Guebuza durante cerca de dois minutos, gerando um dos momentos mais fortes e emocionantes da cerimónia.

 O velório de Valentina Guebuza decorreu sábado na Igreja Presbiteriana de Chamanculo, subúrbios da capital moçambicana, onde casou há dois anos, e contou com a participação do actual chefe de Estado, Filipe Nyusi, do antigo Presidente moçambicano Joaquim Chissano, titulares dos órgãos de soberania, membros e simpatizantes da Frelimo, partido no poder, e membros do actual e dos anteriores governos moçambicanos.

 A Polícia da República de Moçambique disse, na quinta-feira, que Valentina Guebuza, 36 anos, foi morta a tiro, pelo marido, Zófimo Muiuane, na residência do casal em Maputo, e deixa uma filha de um ano e seis meses.

 

* Ministra moçambicana diz que morte da filha de Guebuza expõe

vulnerabilidade da mulher

 

 A ministra do Género, Criança e Acção Social de Moçambique disse que o assassínio de Valentina Guebuza expõe a vulnerabilidade das mulheres moçambicanas à violência doméstica.

 "É um caso muito infeliz, que, infelizmente, nos diz muito da grande violência doméstica que existe nos nossos lares", declarou à Lusa Cidália Chaúque, falando à margem do velório de Valentina Guebuza.

 A violência doméstica, prosseguiu Chaúque, exige o redobramento de esforços por parte de toda a sociedade contra esta prática, uma vez que se traduz em consequências graves.

 "Toda a sociedade deve ser mobilizada, todas as nossas comunidades, homens e mulheres devem ser sensibilizados contra a violência", acrescentou a ministra.

 

* Veteranos moçambicanos consideram morte

de Valentina Guebuza alerta para "necessidade do amor"

 

 Os veteranos moçambicanos consideraram que o homicídio de Valentina Guebuza, filha do antigo Presidente Armando Guebuza, deve interpelar os moçambicanos para a necessidade de promover o amor no lugar do ódio.

 "Temos de nos questionar sobre o tipo de sociedade que pretendemos construir, porque a violência só destrói", disse o secretário-geral da Associação dos Combatentes da Luta de Libertação Nacional, aliada à Frelimo, Fernando Faustino.

 Discursando durante o velório de Valentina Guebuza, Fernando Faustino defendeu que a prevalência da violência deve impulsionar a sociedade moçambicana no sentido de agir rapidamente na promoção da harmonia social.

"Temos de moralizar a nossa sociedade, promovendo a paz, solidariedade e a harmonia", acrescentou o secretário-geral da ACLIN, a que Valentina Guebuza também pertencia e já foi presidida por Armando Guebuza.