Festa da “Fogaceiras” na ACP de Pretória

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Festa da

Festa da Depois da interrupção verificada em 2009 e 2010, em quer se chegou a recear vir a celebração a ficar pelo ca-minho, a ACP de Pretória voltou a festejar no penúltimo domingo, 30 de Janeiro, a tradicional festa das Fogaceiras, uma tradição bem enraizada nas gentes de Santa Maria da Feira, e que um grupo de feirenses introduziu há muitos anos no calendário anual de eventos da colectividade.

  A celebração abriu com um almoço de convívio tipo self-service às mais de duas centenas de pessoas inscritas para a refeição, entre as quais o secretário da embaixada, dr. Pedro de Almeida e a chanceler Carlota Amorim, e a presidente de “Os Lusíadas”, Paula de Castro, após o que seguiu o aguardado desfile das fogaceiras em representação de todas as freguesias do concelho de Santa Maria da Feira, indicados na faixa branca ostentada pelas jovens que transportavam as fogaças, com o castelo da Feira em miniatura à frente do cortejo, logo seguido da bandeira do Mártir S. Sebastião.
  Enquanto as jovens desfilavam por entre a assistência simbolizando as trinta e uma freguesias do concelho da Feira, nomeadamente Santa Maria da Feira, Arrifana, Pa-ços de Brandão, Santa Maria de Lamas, Lourosa, Fiães, Souto, Rio Meão, Gião, Vale, Espargo, Mosteiró, Fornos, Guisande, Caldas de S. Jorge, S. João de Ver, Vila Maior, Sanfins, Romariz, Milheirós de Poiares, Mouzelos, Tra-vanca, Sanguedo, Nogueira da Regedora, Argoncilhe, Louredo, Lobão, Sampaio de Oleiros, Canedo, Escapães, e Pigeiros, era por Américo Teles descrita em palco a len-da das Fogaceiras e “renovação ao voto” que anualmente se traduz nesta versão:

  A festa das Fogaceiras começou a realizar-se em Vila da Feira por volta do ano de 1500 – reinado de D. Manuel – como cumprimento de uma promessa feita a S. Sebastião pelos condes do castelo e da Feira, devido às pestes que por volta do século XVI assolaram a Europa, causando milhares de mortos.
  Foi então que os condes do castelo, movidos pela fé, er-gueram as mãos a Deus e recorreram fervorosamente ao voto de louvor ao Mártir S. Sebastião, consistindo a promessa na oferta das fogaças (pão doce), que seriam transportadas por crianças vestidas de branco, em representação de todo o concelho, e finda a procissão as fo-gaças eram, umas oferecidas aos pobres e outras leiloadas, com o produto da sua venda entregue ao clero.
  Por volta do ano de 1749 os festejos conheceram uma interrupção devido a problemas de ordem económica. Foi então que outro surto de peste voltou novamente a assolar a região de Santa Maria da Feira, e por alvará municipal de 30 de Julho de 1953, o então Infante D. Pedro, irmão de D. João V, determinou que o município as-sumisse a realização dos festejos, para os quais fora atri-buído um subsídio de 30 mil réis, e assim prosseguirem as celebrações até 1910.

  Chegados à primeira República, a Câmara afastou-se e a festa passa a ter subscrição pública, com a ajuda de um subsídio da Santa Casa da Misericórdia da Vila da Feira, para a partir do dia 15 de Julho de 1939, a Câmara Mu-nicipal da Feira decidir assumir a responsabilidade das celebrações, a serem realizadas no dia 20 de Janeiro de cada ano – data da morte do Mártir S. Sebastião – que foi decretado feriado municipal no ano de 1950.

                      QUEM FOI S. SEBASTIÃO ?

  S. Sebastião nasceu em Narbona em ano desconhecido, e faleceu em 288, na cidade intitulada de Roma. Foi chefe de uma corte pretoriana e ajudou os cristãos na luta pela divulgação da palavra de Deus.
  Denunciado a Carino, filho do imperador Caro, foi preso e amarrado a uma árvore, crivaram-no de flechas, mas tratado e curado por uma cristã, voltou novamente a ser aprisionado para receber flagelo até à sua morte, que ocorreu a 20 de Janeiro de 288, e sepultado na catacumba que mereceu o seu nome, foi-lhe mais tarde conferido o título de defensor da igreja, atribuído pelo Papa Caio.
  Além de venerado a 20 de Janeiro – data da sua morte – em diversas freguesias de Portugal, é tido como defensor do povo contra moléstias contagiosas, epidemias, a guerra e a fome.

                                  O CASTELO

  Quanto ao castelo da Feira, que remonta a 1585, nele está arvorado todo o pendão do Mestre de Avis, com a batalha travada em Terras de Santa Maria e desde Bermudo III de Leão, bisavô de Afonso Henriques, ecoam pe-los séculos fora as eternas palavras, “aqui nasceu Portugal”.
  As boas vindas aos presentes ali nessa tarde foram dadas pelo presidente da ACPP, Mário Ferreira, que na sua intervenção aproveitou para agradecer ao grupo de senhoras que prepararam e enfeitaram o salão, feirenses e outras pessoas que se envolveram nos preparativos destes festejos, com destaque para Tony Oliveira no pa-trocínio das fogaças, feitas na véspera por Eduardo Oliveira e esposa Cindinha, com todas as faixas suportadas por Manuel José.

  Dando conhecimento dos habituais festejos a realizar na colectividade durante o ano, com o Valentine’s Day que se seguia a 14 de Fevereiro, e outras extras planeadas para Abril ou Maio, como sendo a vinda de uma banda inglesa, e a actuação na ACPP do grande artista Quim Barreiros, Mário Ferreira que referiu em palco nada ter sido cobrado aos presentes pelo almoço ali servido nessa tarde, a todos pediu em contrapartida a sua colaboração no leilão das fogaças a que Manuel José iria proceder a seguir, e pelo que presenciámos foi um sucesso, já que praticamente todas ultrapassaram os mil randes, sendo as de valor mais elevados, a de Sanguedo em quatro mil e trezentos randes pela família Candal, enquanto a de Canedo foi arrematada pela família Nunes, em cinco mil e quinhentos randes, estando a música para estes festejos a cargo da discoteca Sounds GR-8.

  Com a assembleia geral anual marcada para domingo seguinte nesta ACPP, Mário Ferreira pediu nesta última festa do seu mandato de dois anos, a presença de todos os sócios nessa assembleia, onde como referiu cada qual poderá expor livremente os assuntos que entenderem, em vez de andarem a criticar pelas esquinas o que ultimamente tem sido feito nesta grande casa, quanto a si apenas para o engrandecimento do património da colectividade.