“Fecho da rota de Luanda pela SAA prejudica portugueses na África do Sul”- alerta Agência Novo Mundo

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O director da agência de viagens Novo Mundo, em Joanesburgo, mostrou-se preocupado com as consequências para a Comunidade portuguesa na África do Sul do fecho da rota de Luanda da South African Airways (SAA).

 “Certamente que [a medida da SAA] prejudica a Comunidade portuguesa porque deixam de existir as ligações que se usavam para Luanda e para São Paulo, que era um ‘codeshare’ com a South African Airways (SAA, na sigla em inglês), e logicamente que vão ter dificuldades agora nas ligações a partir daqui, principalmente para Luan-da”, afirmou.

 “Os voos que saíam de manhã de Luanda eram mais aproveitados para o Porto e a ligação era a South African Airways que o fazia, e agora já não há”, salientou.

 Segundo Silvério Martins, além de Luanda os destinos de ligação à Europa mais procurados pelos portugueses na África do Sul são também o Dubai e o Qatar.

 Já entre as companhias aéreas de maior preferência dos portugueses, contam-se a angolana TAAG e a Swissair, “que leva os passageiros directamente à Madeira”, arquipélago com fortes ligações à comunidade.

 Na sua óptica, a recente medida anunciada pela transportadora aérea sul-africana poderá representar, no imediato, uma oportunidade para outras transportadoras, nomeadamente para as linhas aéreas angolanas, “se tiverem aviões suficientes”.

 “Se puderem disponibilizar mais para aqui, logicamente que vêm buscar aqui um bom quinhão de passageiros como têm levado”, disse.

 Silvério Martins apelou ainda à transportadora aérea portuguesa TAP para “decidir urgentemente em trazer o voo à África do Sul para que os nossos clientes não tenham que viajar por outros lados e comecem a se esquecer da TAP ainda mais do que têm feito.”

 A SAA anunciou na passada quinta-feira o corte de algumas rotas domésticas e internacionais no final deste mês, num esforço para encontrar eficiências operacionais.

 A companhia aérea estatal sul-africana disse, em comunicado, que também vai recorrer a aeronaves mais eficientes, renegociar contratos com fornecedores, reduzir o número de funcionários e considerar a venda de activos.

 As rotas internacionais a encerrar pela estatal sul-africana a partir de 29 de Fevereiro incluem ainda Joanesburgo e Abidjan via Accra, Entebbe, Guangzhou, Hong Kong, Livingston, Ndola e Munique.

 A transportadora disse que continuará a operar a nível regional o voo de Maputo e todos os voos internacionais entre Joanesburgo e Frankfurt, Heathrow (Londres), Nova Iorque, Perth e Washington via Accra.

 A nível doméstico, a SAA referiu que mantém o voo para a Cidade do Cabo, embora em regime limitado, e que deixará de voar para Durban, East London e Port Elizabeth, no litoral do país, a partir da mesma data, refere o comunicado.

 Segundo Silvério Martins, além dos cortes anunciados a companhia aérea sul-africana está a planear abrir outras rotas mais lucrativas para a empresa, não sendo ainda conhecidas do mercado.

 Ramaphosa crítica SAA

O Presidente da República Cyril Ramaphosa criticou o corte das rotas internacionais e domésticas anunciado na quinta-feira pela SAA, afirmando que a presidência e o governo não foram consultados sobre a medida de reestruturação da empresa estatal.

 “Não estamos de acordo com a decisão anunciada pela equipa de resgate [financeiro da empresa] em encerrar voos domésticos”, disse o chefe de Estado em declarações à televisão sul-africana.

 “Queremos saber qual é a justificativa e queremos ter uma reunião com eles porque a SAA é um grande símbolo para o país e um facilitador económico e gostaríamos que a SAA continuasse a ser uma transportadora aérea robusta e bem sucedida”, afirmou Ramaphosa.

 O Governo sul-africano colocou recentemente a transportadora aérea estatal em situação de regaste financeiro tendo nomeado para o efeito Les Matuson e Siviwe Dongwana como BRP’s [Business Rescue Practioners, na definição em inglês], noticiou a imprensa local.