FC Porto sofre primeira derrota e fica a cinco pontos do líder

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FC Porto sofre primeira derrota e fica a cinco pontos do líder

Depois de São Petersburgo, Nicósia e Coimbra, o F.C. Porto voltou à clausura do fundo do poço. É um lugar escuro, desconfortável, terrivelmente húmido. Péssimo para qualquer organismo, insuportável para um candidato ao título. A época vai longa e os dragões conhecem demasiado bem esta sensação de penúria. Dá que pensar.

 A derrota 3-1 em Barcelos foi, além de justa, um golpe gravíssimo nas aspirações da equipa, nas ideias do treinador e na gestão que a SAD faz deste plantel. O F.C. Porto foi de uma incompetência raras vezes vista numa representação do clube. Para que não restem dúvidas, a equipa mostrou-se ridícula nos piores momentos e impotente nos melhores. Uma desilusão.
 Quando até podia igualar um recorde apetecível do Benfica  56 jogos sem perder na Liga  a equipa largou a mão de quem a amparava (Hulk Fernando) e estatelou-se de encontro à bruma.

 Na vida policial, diz-se que cada detective tem pelo menos um caso insolúvel ao longo da carreira. E da vida.
 Volta a ele uma e outra vez, obcecado, incapaz de encontrar pistas animadoras e conclusões satisfatórias. É uma tormenta permanente, um fantasma apavorador no instante em que os olhos fecham e o sono não vem.
 O agente Vitor Pereira anda com uma questiúncula destas entre mãos. E não há maneira de a solucionar. Em bom rigor, até é mais do que uma. “O intrigante caso do lateral direito que não o é” e “o misterioso desaparecimento do ponta-de-lança prometido”.
 São dois argumentos inenarráveis, a exigirem dotes e devoção sherlockianos.
 Cachimbos pensativos, caprichos desatinados, dúvidas impregnadas. Não há forma de os desmontar. Jorge “Moriarty” Jesus agradece e afasta-se envolvido num manto de névoa. Não é em Downing Street, mas no campeonato nacional.

 O que aconteceu em Barcelos? Nos clássicos de mistério a culpa é quase sempre do mordomo. No F.C. Porto esse está, à partida, ilibado. O que explica os erros em catadupa, a falta de ânimo, a incapacidade de perturbar uma vez que fosse a baliza gilista?
 No primeiro golo do Gil Vicente, Cláudio cabeceia sem oposição após livre na direita. Os dragões continuam a defender mal este tipo de lances. Esperava-se uma re-acção convincente do campeão nacional e só se viu uma manta de retalhos a cobrir-lhe o pensamento e a alma. O Gil acabou por fazer 2-0 na marcação de uma grande penalidade (Cláudio outra vez) e o 3-0 já na segunda parte.
 Vitor Pereira fez entrar o recém-chegado Danilo e Belluschi (de partida?) ao intervalo.
  O Porto passou a jogar numa espécie de 3x3x4 que mais não era do que anarquia táctica. Saíram o infeliz Souza e Otamendi, o melhor da equipa no primeiro tempo.

 A vontade de o dragão abriu espaços atrás e encontrou um labirinto de pernas na frente. Aproveitou o Gil Vicente para fazer o 3-0 em contra-ataque, por André Cunha, e ameaçar uma e outra vez Helton.
 O F.C. Porto manteve-se desaparecido e incompetente. Varela ainda reduziu para 3-1 perto do fim, é verdade, mas poucos festejaram. A inquietação da vergonha já esmagara, há muito, a obrigação da honra.
 O Gil Vicente merecia que se tivesse falado mais sobre o seu feito nesta crónica. As nossas desculpas. Os minhotos foram uns campeões, soberbos na atitude e no aproveitamento dos equívocos alheios.
 Tantos lapsos, tantas más decisões. O F.C. Porto leva razões de queixa (um penálti sobre Defour, Pedro Moreira em fora-de-jogo antes da mão de Otamendi na área), é certo. Mas esconder esta exibição hedionda atrás de uma má arbitragem seria um acto de cobardia. E o capitão do navio Costa Concordia não é para aqui chamado.

FICHA DO JOGO:
 Encontro no Estádio Cidade de Barcelos.

 Resultado:
 Gil Vicente – FC Porto, 3-1.
 Ao intervalo: 2-0.
 Marcadores:
 1-0, Cláudio, 15 minutos; 2-0, Cláudio, 45+1 (grande penalidade);  3-0, André Cunha, 52;  3-1, Varela, 77.

 Equipas:

 Gil Vicente: Adriano Facchini, Daniel, Halisson, Cláudio, Júnior Caiçara, Luís Manuel, André Cunha (Mauro, 83), Pedro Moreira, Rodrigo Galo (Tó Barbosa, 86), Richard (Guilherme, 77), Hugo Vieira.

 FC Porto: Helton, Maicon, Rolando, Otamendi (Danilo, 46), Álvaro Pereira, Souza (Belluschi, 46), Defour (Cristian Rodriguez, 73), João Moutinho, Varela, James e Kléber.
 Árbitro: Bruno Paixão (Setúbal).
 Acção disciplinar: cartão amarelo para Otamendi (45), Defour (45+2), Rolando (60), Belluschi (81), Mauro (89).
 Assistência: 7.439 espectadores.