FC Porto não passa o exame em Coimbra e perde liderança da Liga

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FC Porto não passa o exame em Coimbra e perde liderança da Liga

Lá diz a Lei de Murphy que quando uma coisa pode correr mal, acaba mesmo por correr mal. A deslocação do FC Porto, num momento complicado, a uma cidade onde sofreu, há pouco mais de dois anos, uma das mais emblemáticas derrotas (3-0, para a Taça de Portugal), tinha tudo para acabar mal.

 Quis o destino que fosse novamente um ex-portista a vestir a pele de “traidor” para quebrar mais uma maldição ao serviço da Académica. Os estudantes não venciam os portistas para o campeonato havia quase 43 anos

 Depois de 54 jornadas, o Dragão voltou a perder na Liga, e fica agora à mercê do Benfica e do Sporting, podendo terminar a jornada em terceiro lugar. Os adeptos não perdoaram a equipa no final e vaiaram a bom som, sobretudo o treinador.

 Paulo Fonseca continuou a agitar o tubo de ensaio sem encontrar a fórmula perfeita.

 Desta feita, depois de testar Defour e Herrera ao lado de Fernando, decidiu colocar lá Josué, apostando em Quintero, dois meses depois, para a esquerda.

 O problema é que o virtuoso colombiano não é um extremo, não consegue dar amplitude ao ataque e, pelo contrário, tende em afunilar o jogo ao procurar posições mais centrais. Aliás, é demasiado parecido com Josué para que ambos possam coabitar pacificamente no mesmo onze.

 Quem sofre com isso é o ataque, que deixa de ser municiado em condições, Varela desgasta-se em demasia, e Jackson Martínez não recebe bolas. Se juntarmos a isso uma defesa que continua a acusar falta de agressividade, acumulando erros individuais, temos alguns dos problemas que afectam este Dragão.

 A Académica começou melhor no jogo e a queixar-se de um eventual penaltí por marcar sobre Ivanildo, mas o lance não haveria de afectar a Briosa, muito concentrada nas tarefas defensivas e afoita a sair em contra-ataque.

 O Porto foi tomando conta do jogo como lhe competia, aceitando o convite para subir as linhas e envolver os laterais.

 Jackson e Quintero obrigaram Ricardo a fazer defesas apertadas e Josué atirou ligeiramente por cima. Ainda assim, era pouca a chama para quem tem as responsa-bilidades do tricampeão.

 Respondeu a Académica por Abdi a duplicar, mas a maior oportunidade da Briosa haveria de ser a antecâmara do golo. Marcelo tentou o chapéu, depois de uma precipitação de Helton, mas Mangala conseguiu tirar sobre a linha fatal.

 No canto subsequente, Makelelé desvia ao primeiro poste, Fernando, talvez para não cometer grande penalidade, sacode a bola com a barriga, e deixa-a à mercê de Fernando Alexandre para fuzilar.

 O resultado ao intervalo não era surpresa, a Académica havia estado mais próxima do golo, concretizou-o numa bola parada, e aplicava o castigo merecido a um FC Porto que nunca se encontrou, perdido num mar de equívocos e sem velocidade nem ideias para contrariar a estratégia estudantil.

 Sem alternativa, os dragões lançaram-no ataque mal voltaram dos balneários e deram sinal de vida imediatamente através de um cabeceamento à barra de Jackson. Por esta altura, a falta de apoio ao colombiano já não era desculpa, uma vez que Licá tinha entrado para jogar, justamente, junto dele.

 Logo a seguir, um momento quase surreal. Um hino ao desperdício. Jackson remata e Ricardo faz uma defesa enorme. Varela ganha o ressalto e atira. Fernando Alexandre consegue desviar a bola ligeiramente e esta vai ao poste. Finalmente, Mangala tem a baliza aberta, de ângulo difícil, é certo, mas atira por cima.

 Depois, foi a anarquia táctica completa, em busca do empate, no limiar do desespero.

 Até que chegou aquela grande penalidade que ninguém percebeu, mas que Ricardo, cada vez mais um especialista na matéria, defendeu para gáudio dos adeptos locais.