FC Porto empata com V. Guimarães e deixa fugir o Benfica

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FC Porto empata com V. Guimarães e deixa fugir o Benfica

Os sintomas prevalecem e o diagnóstico é gravíssimo. Provavelmente, mortal. Pela enésima vez, na temporada de todos os males, o FC Porto desperdiçou uma vantagem aparentemente segura e deixou-se apanhar no marcador.

 Empate em Guimarães, 2-2, e o líder Benfica a nove pontos de distância.

 A fragilidade emocional deste FC Porto, e porventura do seu treinador, faz lembrar a de uma estrela rock caída em desgraça.

 Está sempre à beira do precipício, os jornais aguardam, provavelmente com o faro de um necrófago, os cabeçalhos para o anúncio do suicídio e os familiares, leia-se adeptos, vivem em constante preocupação.

 O FC Porto 2013/14 é um amontoado de erros não forçados e tiros no pé. E o mais absurdo no meio de tudo isto é saber, semana após semana, que o responsável-mor pelo comando técnico da equipa não faz ideia de como as coisas acontecem e por que acontecem.

 Quando falamos de coisas, falamos de golos sofridos da estirpe dos dois vistos na Cidade-Berço.

 No primeiro, há um jogador do Vitória a rematar completamente solto na área, com a bola a sobrar para o gigante Maazou, em posição regular em virtude do posiciona-mento de Abdoulaye.

 No segundo, o mesmo Maazou aproveita uma saída deficiente do FC Porto na primeira fase de construção e lança Marco Matias. Entre Abdoulaye e Alex Sandro, o extremo isola-se e bate Helton com a calma que os dragões já há muito não têm.

 Paulo Fonseca pode elogiar a atitude dos jogadores, gritar aos quatro ventos que deram tudo e que a sorte não quer nada com a equipa. Errado, errado, errado.

 A este nível a atitude não é, por si só, uma virtude, uma qualidade. A atitude deve ser um dado adquirido. Estamos a falar de profissionais pagos a peso de ouro e com responsabilidades gigantescas.

 Na alta competição, as alíneas diferenciadores são outras. Qualidade, organização, consistência, harmonia.

 Nisso, caros leitores, o FC Porto de Paulo Fonseca falha rotundamente.

Razões para isso? Colocamo-nos ao lado do técnico: não sabemos.

 É importante acrescentar que tudo isto, a feira dos horrores, se seguiu a 45 minutos positivos dos dragões. Com Licá e Ghilas de início, em vez dos condicionados Jackson e Varela, o FC Porto entrou bem e fez tudo o que o guião exigia durante grande parte do primeiro tempo.

Os golos de Quaresma (num penálti incontestável) e de Licá, aliás, até aplicavam a dose certa de justiça ao marcador. Esta constatação apenas amplifica aquilo que de mau os azuis e brancos fizeram depois de sofrer o primeiro golo em cima do intervalo.

O Benfica acaba a época a jogar no Dragão, sim. Isso é um dado favorável aos tricampeões nacionais.

 Até lá, no entanto, as águias têm um crédito de nove pontos. No mínimo. Quem vê este FC Porto a jogar não se pode acreditar que não venha a perder mais pontos.