Falou-se de Camões e Pessoa no ciclo de conferências “Inspiring Thinkers” na Universidade Wits

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Falou-se de Camões e Pessoa no ciclo de conferências “Inspiring Thinkers” na Universidade Wits

Teve lugar na quinta-feira dia 17 de Março de 2015, na Universidade Wits em Joanesburgo, uma palestra dada por Clara Ferreira Alves acerca de Luís Vaz de Camões e Fernando Pessoa intitulada "Uma perspectiva literária dualista e antagónica de Portugal". Isto a propósito de um ciclo de conferências que foram organizadas por iniciativa da delegação da União Europeia na África do Sul. O anfiteatro da Senate House da Wits esteve composto com mais de cem pessoas para assistir à pales-tra, que começou com Clara Alves a apresentar-se e dizer que o seu último livro é “Estado de Guerra”.

 Esta publicação foi o resultado de Clara Alves ter estado como correspondente de guerra em várias zonas de conflito, nomeadamente e mais recentemente, na fronteira da Síria com o Líbano. Alves afirmou que já viu vários teatros de guerra e que por isso sabe o que são as pessoas sem pátria e que consequentemente perdem até a sua identidade.

 As perguntas de partida para esta palestra, segundo Alves, foram Quem Somos? De onde viemos? E para Onde Vamos? São segundo a escritora, sempre as perguntas mais difíceis e que preocupam

constantemente a Humanidade. Foi dito que grande parte da resposta a essas mesmas questões são a Cultura e a Língua, teias de ligação e identificação das Nações e de Povos, segundo Alves.

 A escritora apresentou depois, alternadamente Luís Vaz de Camões e Fernando Pessoa, ao dar a conhecer àqueles que na audiência ignora-vam estas informações, a biografia e alguma da obra litetária destes dois escritores Portugueses. Foi apresentado aos presentes na palestra, a biografia de Luís de Camões, o seu percurso durante os Descobrimentos e que escreveu a epopeia “Os Lusíadas”, bem como, outros trabalhos, como por exemplo sonetos de amor na sua obra literária.

 O mesmo foi feito para Fernando Pessoa, com a biografia do escritor Português e o seu percurso literário. Clara Alves contou o percurso de Fernando Pessoa pela África do Sul, devido à mãe de Pes-soa ter casado com um diplomata Português que foi cônsul em Durban na província do Natal.

 Mencionou os heterónimos criados por Fernando Pessoa, que perfazem um total de 72, mas que se especula que tenham sido mais de cem. Alves mencionou o mito do Encoberto e de como Pessoa pega no Sebastianismo como um dos temas da sua obra “A Mensagem”. Terminou a sua intervenção ao ler um trecho dos versos de Fernando Pessoa em Português e depois a tradução destes em Inglês. Os versos foram um excerto do poema “A Tabacaria” e terminou com a mensagem que tudo é possível segundo a vontade dos Homens e os seus sonhos.

 Foi aberta uma pequena sessão de perguntas e resposta e foi fechada a palestra com a intervenção do embaixador de Portugal em Pretória, António Ricoca Freire que afirmou que o objectivo deste ciclo de palestras é alertar e sensibilizar na África do Sul para a diversidade de identidades e culturas. Agradeceu a Clara Ferreira Alves pela intervenção, porque para o embaixador foi "uma experiência e uma viagem ao longo dos tempos de glória e crise de Portugal.

 Os feitos são a forja da alma de uma nação, eles criam a visão Portuguesa em torno do Mundo e toda esta mistura de altos e baixos, glória e tristeza, sem dúvida que as mentes e os olhares dos povos em todo o Mundo foram abertos para os Portugueses. Agradeço-vos a todos por terem estado presentes", terminou o embaixador.

 

* Opiniões

 

 O Século de Joanesburgo soube junto de Liby Meintjes, directora da Faculdade de Letras, Línguas e Media a sua opinião acerca do certame, ao que nos assegurou “penso que foi excelente. A Clara deu uma palestra maravilhosa e fez com que personagens ganhassem vida”.

 Inquirida sobre a iniciativa de trazer Clara Ferreira Alves e de abordar os Portugueses, Meintjes afirmou que “foi uma iniciativa da Embaixada Portuguesa e nós trabalhámos em conjunto desde a primeira hora, até porque temos o centro de Língua Portuguesa aqui na Wits. Mas o trazer a Clara Alves foi da responsabilidade da Embaixada e do Centro de Português”, terminou a directora.  

 O embaixador de Portugal atestou a este semanário que “foi uma iniciativa conjunta da Delegação da União Europeia e da Wits, na qual estivémos desde a primeira hora. Depois o embaixador Roeland Van de Geer expôs o projecto e nós tomamos a iniciativa de convidar a Clara Ferreira Alves”.

 Inquirido sobre os envolvidos, o diplomata afirmou que “neste momento só a Itália, França, Dinamarca, o Reino-Unido e Portugal é que trouxeram pessoas para este ciclo de conferências. Quem pensa e escolhe os autores das palestras são as embaixadas em si”. 

 Inquirido sobre o sentimento de ser embaixador de Portugal ao ter o apoio da bagagem de História e Cultura Portuguesas, o representante do Estado Português na África do Sul confessou-nos que “nesse aspecto gostei muito da forma como a Clara Ferreira Alves apresentou os autores e o País. Sinto-me incrivelmente honrado e ao mesmo tempo orgulhoso. É com palestras destas que percebemos que a nossa História é feita de momentos de glória e momentos de tristeza”, terminou o embaixador.

 Rui Azevedo, coordenador de Ensino do Português e actividades culturais da embaixada de Portugal, atestou ao Século de Joanesburgo que fez um balanço muito positivo. Bastante afluência e “imensos estudantes, que se mantiveram na sala até ao fim. Estão todos de parabéns”. Mais nos assegurou que a palestra dada por Clara Alves se enquadrou no espírito e âmbito do ciclo de conferências.

 Ainda por parte dos responsáveis pelo ensino da Língua de Camões, Rui Afonso professor e leitor de Português na Universidade de Pretória, assegurou-nos que “este projecto faz parte da Delegação da União Europeia e a Coordenação de Ensino e a Embaixada de Portugal entram como parceiros”.

 Em relação ao evento daquela noite, afirmou que “aquilo que eu achei foi que a Clara Ferreira Alves teve um clima fantástico, muito pouco coloquial, dispondo os ouvintes logo desde início.

 De salientar que a Delegação da União Europeia disponibilizou um autocarro para que os estudantes de Português de Pretória pudessem assistir à conferência, ao que vieram todos. Após a palestra houve um momento de convívio e discussão sobre a mesma à porta do anfiteatro com canapés e bebidas servidas pela Universidade para todos os que presenciaram o evento.

 

* Conferência  de Imprensa no Consulado-Geral de Portugal em Joanesburgo

 

 Na tarde que antecedeu a palestra dada na Universidade Wits, Clara Ferreira Alves esteve presente no Consula-do de Portugal em Joanesburgo para dar à imprensa Comunitária oportunidade de lhe colocar questões.  A escritora falou do objectivo da palestra, em dar a conhecer dois autores que não só marcaram a Literatura Portuguesa mas também a mundial.

 Falou sobre os seus autores preferidos e que a influenciaram mais. Foi também abordado o Acordo Ortográfico (AO) e quis-se saber a opinião desta escritora portuguesa. Alves neste assunto mostrou-se a favor do AO, mas ressalvou que o processo pelo qual foi ratificado poderia ter sido melhor e mais bem clarificado perante os Portugueses. A conferência de imprensa começou por volta das 14h10 e terminou pouco passava das 15h.