Exportações portuguesas para os PALOP e Timor-Leste caem pelo 2.º ano consecutivo

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Exportações portuguesas para os PALOP e Timor-Leste caem pelo 2.º ano consecutivo

Exportações portuguesas para os PALOP e Timor-Leste caem pelo 2.º ano consecutivoAs exportações portuguesas para os PALOP e Timor-Leste caíram em 2010 pelo segundo ano consecutivo, atingindo 2.4 mil milhões de euros, segundo um relatório divulgado, que aponta um crescimento das importações na ordem dos 200 milhões.

 De acordo com o relatório do Banco de Portugal, apresentado durante o XXI Encontro de Bancos Centrais dos Países de Língua Portuguesa, as exportações de Portugal para os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e Timor-Leste “acentuaram” em 2010 a tendência de descida iniciada em 2009 (-9 por cento do que em 2008).
 Assim, as exportações portuguesas caíram de 8.3 por cento em 2009 para 6.6 por cento em 2010, situando-se nos 2.4 mil milhões de euros, menos 243 milhões do que no ano anterior.

 Esta descida, aponta o relatório, foi determinada pela redução das exportações para Angola (328 milhões de euros) e Timor-Leste (3 milhões de euros), enquanto todos os outros destinos registaram aumentos.
 As importações portuguesas deste conjunto de países atingiram os 602 milhões de euros em 2010 em comparação com os 398 milhões de euros do ano anterior, graças ao crescimento registado pelos produtos angolanos.

 Desde 2006 que, deste grupo de países, Angola é o principal destino das exportações portuguesas e o maior forne-cedor, representando respetivamente 94 por cento e 79 por cento do total em 2010.
 “As importações são claramente dominadas pelos combustíveis minerais provenientes de Angola, responsáveis por 93 por cento do total”, refere o relatório.

 O texto sublinha ainda que as transferências de capitais deste grupo de países atingiram os 104.4 milhões de euros, o que representa uma subida de 54 por cento em relação a 2009, mais uma vez sustentado pelas remessas dos emigrantes portugueses em Angola.
 O relatório, que traça a evolução das economias dos PALOP e Timor-Leste em 2010/2011, dá conta que o aumento das receitas petrolíferas e a execução “globalmente positiva” do programa do Fundo Monetário Internacional (FMI) determinaram “uma correcção apreciável” dos desequilíbrios orçamentais em Angola, que registou um saldo orçamental de 8.9 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

 Em 2010, o país conseguiu reforçar as suas reservas cambiais e retomar gradualmente o crescimento económico sem uma significativa subida da inflação, refere o texto.
 Em Cabo-Verde, a implementação de um “avultado” programa de investimento público dinamizou a atividade económica, mas levou simultaneamente ao aumento do défice orçamental (-10.9 por cento) e do endividamento externo (83.5 por cento).

 A normalização da situação sócio política na Guiné-Bissau teve repercussões positivas sobre o desempenho económico deste país, adianta o relatório, acrescentando que este beneficiou ainda do aumento das exportações de castanha de caju, principal produto de exportação guineense.
 A boa execução do programa de ajustamento do FMI consolidou a situação macroeco-nómica e permitiu “o alívio” da dívida externa ao abrigo de iniciativas multilaterais dos países credores, frisa o documento.

 Em Moçambique, o relatório destaca que a “dinâmica exportadora” dos megaprojectos nas áreas do alumínio, energia eléctrica, gás natural, titânio e carvão, tem sido determinante nos últimos anos, o que tem permitido “ a aceleração do crescimento e as reservas externas”, mas os preços das matérias-primas e a desvalorização do metical fizeram disparar a inflação, que passou de 3.3 por cento em 2009 para 12.7 por cento em 2010.
 A economia de S. Tomé e Príncipe manteve, segundo o relatório, “um ritmo de crescimento robusto” em 2010, mas o “impacto favorável” não foi suficiente para evitar o aumento da inflação, sobretudo devido ao aumento dos preços internacionais das matérias-primas.

Em Timor-Leste, a economia continuou a crescer de “forma acelerada” em 2010, consolidando “a confortável” posição orçamental externa, sem qualquer dívida externa e com o saldo do Fundo do Petróleo em “patamares elevados”.