Exportações portuguesas na área da saúde superam um bilião de euros por ano

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Exportações portuguesas na área da saúde superam um bilião de euros por ano

O ministro da Saúde, Paulo Macedo, realçou a semana passada que o valor das exportações portuguesas na área da saúde supera os 1.000 milhões de euros por ano.

 “Aparentemente um exportador improvável, a saúde tem-se afirmado com solidez no sector da exportação”, disse Paulo Macedo, no auditório do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).

 O ministro da Saúde intervinha na iniciativa "A Nobel Day @ CHUC – Ciência e Medicina ao seu serviço", que decorreu em Coimbra, com a presença de três investigadores laureados com o Prémio Nobel, Bruce Beutler (Medicina), Tim Hunt (Medicina) e Jean-Marie Lehn (Química).

 “Soubemos há poucas semanas que a saúde ultrapassou os 1.000 milhões de euros de valor exportado. Mais do que exportamos, por exemplo, no sector dos vinhos e no sector da cortiça”, sublinhou Paulo Macedo.

 O governante anunciou que o Ministério da Saúde “decidiu distinguir o CHUC com a medalha de ouro de serviços distintos prestados à saúde” em Portugal, reconhecendo o que este conjunto de unidades de saúde de Coimbra “tem feito nas vertentes assistencial, do ensino e da investigação”.

 “Um núcleo que nos orgulha, que, pela sua dimensão e pela sua diferenciação, não temos qualquer dúvida que se deve desenvolver dentro da esfera pública no nosso país, deve ser motivo de apreço e de registo”, acrescentou.

 Paulo Macedo salientou a acção dos cientistas portugueses, em especial na área da saúde, designadamente os que trabalham no estrangeiro.

 “Há uma diplomacia da ciência que ultrapassa – e ainda bem – a diplomacia política”, disse, frisando que “a comunidade científica não se resigna e não desiste”, além de “olhar para longe – e não apenas para o imediato – em áreas onde o Governo dificilmente poderia intervir”.

 José Martins Nunes, por seu turno, defendeu que “a inovação e a investigação em saúde não se esgotam num dia, são um desígnio quotidiano, continuamente assumido e reforçado”.

 “Onde outros escolheram a resignação, nós escolhemos a reinvenção do nosso modelo de negócio, afirmando e reforçando a marca CHUC e o selo de qualidade de Coimbra, cidade cuja universidade foi recentemente elevada à categoria de Património da Humanidade e que, desde sempre, teve o ser humano, na sua individualidade e colectividade, como seu destino e património”, disse o presidente do CHUC.

 Acompanhado do presidente do conselho de administração do CHUC e demais convidados, o ministro inaugurou o Centro de Ensaios Clínicos de fase I (no Hospital dos Covões, que actualmente faz parte do CHUC), o primeiro em serviços públicos de saúde em Portugal.

 

* Prémios Nobel consideram desafio as doenças associadas ao envelhecimento

 

 Os laureados com o Prémio Nobel da Medicina Tim Hunt e Bruce Beutler afirmaram, em Coimbra, que as doenças associadas ao processo de envelhecimento serão os desafios da medicina para o futuro.

 As doenças que causam mais mortes hoje, como "o cancro, as doenças cardiovasculares e as infecções", irão "tender a desaparecer", defendeu o americano Bruce Beutler, acreditando que "os desafios do futuro passam por doenças relacionadas com o processo de envelhecimento".

 O Nobel da Medicina de 2011 elegeu as "doenças neurodegenerativas" como um problema para o futuro, "quando mais e mais pessoas chegarão aos 100 e 110 anos de vida".

 Bruce Beutler recordou que o próprio cancro "era muito raro porque as pessoas não viviam tempo suficiente para o chegar a ter".

 Também o britânico Tim Hunt considerou que as doenças "vão estar cada vez mais ligadas à longevidade".

 Apesar de esperar que "o cancro aumente" porque a esperança média de vida vai aumentar, a demência, "mais presente na população idosa", será um dos desafios da medicina, aclarou.

O Prémio Nobel da Medicina de 2001 salientou que "o espectro de doenças está a mudar" e que as demências, "se eram raras há uma geração atrás", vão agora surgir "com mais frequência".

 "Uma franja significativa da população terá problemas relacionados com a demência", disse, frisando que as doenças cerebrais, "de que ainda pouco se sabe e pouco se estuda", irão ganhar preponderância na investigação científica.

 Contudo, Tim Hunt alertou que "sonhos de imortalidade são tolos", mostrando-se preocupado com o próprio "fardo" que pessoas idosas com demência ou outras doenças relacionadas com o envelhecimento poderão causar "à sociedade".

 Face "à dor e ao sofrimento" sentido por este tipo de doentes, Tim Hunt defendeu que a legalização da eutanásia é "uma abordagem racional" ao problema.

Tim Hunt e Bruce Beutler falavam à agência Lusa num encontro com a imprensa, na Quinta das Lágrimas, em Coimbra, depois de terem estado presentes na inauguração do Centro de Ensaios Clínicos do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra.